Segurança
'Grande Firewall da China' é estratégia do governo para gerar auto-censura nos internautas
Pesquisadores das universidades da Califórnia e do Novo México, EUA, afirmam que a suposta solução é apenas uma maneira do governo do país gerar medo de ser observado nos internautas chineses.
Por IDG News Service
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A chamada “Grande Firewall da China”, analogia tecnológica à Grande Muralha da China, teria a função de bloquear, controlar e vigiar todo o conteúdo digital trafegado para e pelo país. De acordo com pesquisadores das universidades da Califórnia e do Novo México, Estados Unidos, a “ferramenta” não passa de propaganda do governo, já que o sistema de censura é feito por filtragem de palavras, não firewall.
Ao passar para os internautas a idéia que eles estão sendo plenamente vigiados, o governo da China encoraja a criação da auto-censura. Com medo de serem pegos, os internautas evitam qualquer comportamento indesejável ao governo.
“Diversos países possuem censura via Internet. A maioria aposta em sistemas que bloqueiam portais ou endereços específicos”, disse o pesquisador Earl Barr, estudante de graduação de ciências da computação da UC Davis, em nota oficial. “A China tem uma atuação diferente: o país filtra o conteúdo na web por palavras-chave e bloqueia páginas apenas seletivamente”.
O grupo de pesquisa enviou várias mensagens para endereços na China contendo uma variedade de palavras ‘não-desejáveis’ para o governo do país. Se a alardeada “Firewall da China” realmente existisse, os termos enviados seriam bloqueados na fronteira, antes de entrar no país, defende Barr. No entanto, ele diz, várias mensagens passaram por diversos roteadores antes de ser bloqueadas.
“Uma firewall bloquearia todas as menções de palavras ou as frases proibidas, mas elas atingiram seu destino em 28% dos testes. A filtragem foi particularmente errática especialmente para grandes usuários de internet”, afirma a pesquisa.
As palavras testadas pelos pesquisadores foram banidas na China, incluindo referências ao movimento Falun Gong, grupo responsável pela revolta de 1989, ao nazismo alemão e outros eventos históricos, além de idéias sobre democracia e protesto político.
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Os pesquisadores afirmam que, em vez de firewall, o sistema de censura da China está baseado em filtragem de palavras, o que inviabiliza o uso de servidores proxy para espelhar portais ou driblar a censura. Mas, ao contrário da propaganda do país, não é efetivo sempre e está gerando um comportamento de auto-censura nos usuários, ressalta Barr.
“Quando os usuários na China percebem que certas palavras, idéias ou conceitos foram bloqueados algumas vezes, eles podem acreditar que devem evitar esses tópicos”, completa.
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