Segurança
Pesquisador que descobriu brecha em criptografia fala sobre fragilidade de segurança
Um dos responsáveis pelo estudo da Universidade de Princeton, que mostrou como usar os chips de DRAM para quebrar criptografia, dá mais detalhes sobre a pesquisa.
Por Computerworld, EUA
Cada vez mais computadores carregam dados mais confidenciais – informações pessoais de clientes, segredos de negócios e até informações de segurança nacional. Supostamente, os discos rígidos criptografados e que exigem chaves e senhas são a melhor forma de armazenar esses dados com segurança.
No entanto, o especialista em segurança Edward Felten, pesquisador da Princeton University, divulgou recentemente um estudo demonstrando que essas chaves são apenas tão seguras quanto a RAM que as carrega, e que a RAM é surpreendentemente vulnerável. Nem mesmo o fato de desligar o computador, diz o pesquisador, pode ser suficiente para preservar a segurança dos dados.
Computerworld: O que exatamente o seu estudo descobriu?
Edward Felten: Ele
fala especificamente sobre a criptografia de disco. Trata-se de sistemas que
tentam criptografar o conteúdo dos arquivos nos discos rígidos de um PC, de
forma que no caso de perda ou roubo do computador, os dados fiquem inacessíveis
a terceiros.
Descobrimos um método pelo qual conseguimos burlar todos os
sistemas de criptografia de discos que tentamos – algo próximo de seis até aqui.
E a principal razão para isso é que todos esses sistemas precisam manter a
chave secreta armazenada em algum lugar, e o único lugar no qual conseguem
guarda-la é na RAM.
O que descobrimos, basicamente, foi uma forma de acessar a
RAM, mesmo que ela tenha sua tela travada.
Conseguimos acesso à RAM ao explorar uma propriedade
surpreendente deste tipo de memória. A RAM é supostamente uma memória volátil,
que quando desligada, apaga todas as informações contidas ali. Descobrimos,
porém, que a informação na RAM sobrevive por muito mais tempo, além do momento
em que o computador é desligado.
CW: Por quanto
tempo?
EF: Na realidade
ela sobrevive por alguns segundos, ou até minutos. Fizemos o teste em um
desktop com entre seis e oito anos de vida; descobrimos que depois de 45
segundos, a maioria do conteúdo em sua memória ainda estava ali. Chips DRAM
mais novos mantiveram as informações por um período mais curto – embora
suficiente para que um cracker tivesse acesso a elas.
Isso significa que um invasor pode roubar o computador,
tornar a ligá-lo à fonte de energia rapidamente e reiniciar o computador, que
os dados continuarão ali, disponíveis para que ele os acesse.
Também descobrimos o truque do congelamento dos chips RAM
para reter seus dados. Em 50ºC negativos, é possível desligar o PC, instalar a
memória em outro sistema e resgatar os dados - esse tempo chega a dez minutos.
Um spray congelante pode ser espirrado ali mesmo no computador aberto.
Se você tirar o chip dali e o mergulhar em nitrogênio
líquido, os dados duram um tempo muito mais longo. Não sabemos quanto tempo
exatamente, porque acabou o nosso nitrogênio.
CW: É possível
colocar as chaves de criptografia em algum outro lugar da memória utilizando
uma tecnologia diferente, ou em algum lugar dedicado ao subsistema do disco?
EF: Talvez você
possa desenvolver um chip especializado, que se comporte de forma diferente.
Provavelmente será necessário algum tipo de circuito que apague a informação
ativamente. Eu não confiaria em um design que esperasse a informação vazar.
Dada a eficiência do congelamento, me parece pouco provável – embora eu não
seja um designer de chips – que se possa fazer um chip capaz de descartar as
informações naturalmente de forma tão rápida e que seja ao mesmo tempo
confiável o suficiente.
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CW: Ter acesso ao
conteúdo da RAM é apenas parte da batalha. Como você reconstrói as chaves e as
separa do restante dos dados?
EF: Um dos
fatores que contribuíram com nossa pesquisa é que hoje se tem algoritmos muito
melhores do que antes para encontrar as chaves na memória, mesmo com a presença
de algum volume de dados corrompidos e – uma vez descoberta a existência de uma
chave em um dado local. Temos algoritmos muito melhores para fazer isso, e eles
exploram a forma como os softwares manipulam as chaves. Isso mostra que esse
tipo de ataques que cortam a energia pode ter um alcance muito maior do que as
pessoas imaginam.


