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Segurança

Os pecados capitais do spam

Avareza, preguiça e soberba motivam uma explosão de spams, revela relatório da Cisco.

Werner Kurzlechner, da CIO-Alemanha

22 de fevereiro de 2011 - 07h30
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Cibercriminosos concentram suas atividades em smartphones, tablets e outros dispositivos móveis. Os maiores perigos são os chamados Money Mules e trojans.

Ainda que tenha de ser adaptado à era atual, o antigo Canon dos sete pecados capitais encontra, sim, eco e aplicação quando o assunto é navegar na internet. Luxúria e gula, não raramente, lideram o caminho. Sem usar batinas, nem com pretensão de atingir a iluminação, os especialistas em segurança da Cisco fazem o papel dos monges  e atentam para a fraqueza humana em um relatório de segurança.

Qualquer pessoa que navegue inadvertidamente pela internet e seja tentado a clicar em toda e qualquer oferta arrasadoramente, atraente engaja em um comportamento que a expõe a ataques cibernéticos que podem ser bastante graves.

Outros pecados comumente cometidos, “soberba, preguiça e avareza facilitam em muito a ação de hackers”, afirma Christopher Burgess, consultor sênior de segurança da Cisco. Entre as principais ameaças dessa natureza, o consultor cita solicitações de doação que certamente não vão parar em contas de famílias do Haiti e contas de redes sociais invadidas.

Os perigos da internet não se restringem às falhas de segurança dos sistemas, mas se espalham, inclusive, em função da curiosidade dos usuários. É onde o uso desprecavido de dispositivos móveis mostra seu potencial em causar danos.

Ainda assim, com todos esses fatores de risco, 2010 não foi – segundo o relatório da Cisco – um ano ruim para a segurança; podia ter sido bem pior.

“É certo que, em 2010, foi um período com muito spam. Mas foi menos que o esperado. Somente na Turquia, o volume de emails spam caiu de 45 bilhões em 2009, para 3,7 bilhões. Uma notável melhora de 87%, devida, segundo a Cisco, à derrota de pragas virtuais como o Waldec e o Cutwail. Brasil , Chin a e Vitenam registraram nesse mesmo período uma queda média de 14% no tráfego de spam. Em último lugar, vêm os EUA, onde a queda foi quase imperceptível (números não declarados)”, diz o consultor da Cisco.

O local, onde a disseminação de spam não retrocedeu, em contrário, aumentou, é o oeste europeu. Na França, os emails do tipo spam praticamente dobraram de frequência, chegando a 3 bilhões de mensagens inúteis. O Reino Unido apresenta resultados semelhantes. Na Alemanha, o volume de emails spam cresceu em torno de dez pontos percentuais, ou seja, foram 2,8 bilhões de emails spam a mais.

Melhorias no Windows

Tudo leva a crer que os usuários se vêm protegendo de forma mais eficiente que antes. “Nos anos passados, temos visto uma melhoria importante na robustez dos sistemas PC”, conclui Klaus Lenssen, gerente geral de desenvolvimento de segurança e de desenvolvimento da Cisco.

As rotinas de atualização automática dos sistemas Windows é um dos fatores que azeda a existência dos cibercriminosos. Todavia, tal incremento na segurança de sistemas desktop levou a uma inevitável migração dos ataques que passam a se concentrar fortemente em dispositivos móveis.

O que se espera agora é uma curva de aprendizado dos usuários, à medida que eles percebem a mudança no perfil, origem e interface dos ataques cibernéticos.

Por muitos anos, o Windows da Microsoft foi a plataforma que certamente seria encontrada em qualquer PC, o que faria desse sistema o ambiente perfeito dos hackers.

Agora, chegou a vez dos usuários de sistemas da Apple experimentarem uma verdadeira explosão no volume de ataques.

De acordo com a Cisco, a plataforma Apple ultrapassou a Microsoft e a HP em fragilidades do sistema operacional. Em 2010, foram descobertas mais de 350 vulnerabilidades na plataforma. “A salvação da honra da Apple depende de a empresa tomar medidas importantes na proteção de seu sistema”, revela o relatório de segurança da Cisco.

Entre as ameaças que assolam toda a plataforma móvel, estão as chamadas Money Mules (mulas financeiras). Usado para literalmente lavar dinheiro, depositando recursos de origem duvidosa em contas correntes de pessoas desatentas como rota para transferência de dinheiro “sujo”.

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