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Segurança

Renato Martini é diretor-presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação.

ObjectWeb 2 e as novas oportunidades

Comunidade open-source, cujo objetivo é o desenvolvimento de middleware em software aberto, apresenta oportunidades notáveis para o software livre. Por Renato Martini

09 de abril de 2007 - 11h07
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Peço ao leitor para abordar hoje um tema outro. Não exatamente segurança da informação, não exatamente infra-estrutura de chaves públicas, não exatamente certificação digital.

Uma oportunidade me leva a apresentar ao leitor o Consórcio ObjectWeb 2 - ou simplesmente OW2 - nesta coluna. Assinei há duas semanas, durante a 6ª edição da Mostra de Soluções em Tecnologia da Informação e Comunicações Aplicadas ao Setor Público, a adesão do Instituto Nacional de tecnologia da Informação ao Consórcio OW2. Assinaram conosco, o Presidente mundial do consórcio, Jean-Pierre Laisné, e pela presidência do Serpro, um dos seus diretores, Sérgio Cangiano. A adesão destes dois órgãos brasileiros dará lugar à criação futura de um capítulo latino-americano do OW2 entre nós.

Indo para as definições, é legítimo que o leitor se pergunte já, o que é o Consórcio mundial ObjectWeb? Trata-se de uma comunidade open-source, cujo objetivo é o desenvolvimento de middleware em software aberto, sempre usando componentes flexíveis. Que vão oscilar entre frameworks específicos e protocolos até plataformas integradas. O desenvolvimento de projetos de software do OW2 sempre será baseado em componentes. Assim, a missão do consórcio será o desenvolvimento de código aberto de middleware para, então, fomentar uma vibrante comunidade e um ecossistema de negócios. O OW2 simplesmente marca uma revisão do Consórcio ObjectWeb original, numa versão 2, rumo a uma visão mais estratégica do que pode representar em todo o ecossistema que realiza.

O foco em middleware é de enorme importância. Na clássica definição do Instituto de Engenharia de Software da Universidade Carnegie Mellon, middleware é um software de conectividade que consiste resumidamente num conjunto de serviços que possibilita e permite múltiplos processos executando em uma ou mais máquinas e interagindo através de uma rede. Middleware é essencial para a migração de aplicações de plataforma alta (mainframes) para aplicações cliente-servidor e para prover uma comunicação entre plataformas heterogêneas.

Por conseguinte, o governo federal brasileiro tem se organizado em torno deste tema desde as primeiras versões da Arquitetura e-PING, como agora se intitula nosso programa de interoperabilidade. Ele é um elemento fundamental na gerência de Tecnologia da Informação atual, pois pode “conectar” plataformas heterogêneas com grande êxito. Ajudando-nos no tratamento eficiente dos sistemas legados, e, assim, é impossível pensar uma arquitetura interoperável sem ele. É como uma via pública, uma estrada que liga diferentes cidades e permite a circulação entre elas, - favorece o comércio e os negócios, e é do interesse de todos. Assim, nada mais natural que haja uma vocação open-source para um sistema middleware e, além disso, sua importância para o software público brasileiro. 

Uma rápida visita ao repositório atual do OW2 nos mostrará dúzias de projetos de enorme importância. O domínio da plataforma Java e do XML mostrará o compromisso com a maturidade dos projetos e seu caráter de multiplataforma.  Não que seja uma exigência preliminar, - basta uma leitura das regras de Propriedade intelectual do consórcio que ficará claro, item 1.7, que as licenças dos projetos devem ser tecnologicamente neutras e, além disso, usarem uma licença open-source qualquer. Alguns projetos no forge do OW2 merecem destaque aqui, são exatamente os mais baixados no portal. Lomboz é um plugin para o J2EE; o Sync4j um servidor Java de aplicações para dispositivos móveis; o eXo Plataform, um portal baseado no “Java server faces”, mais um workflow e diversos portlets, componentes independentes reutilizáveis; o XWiki, como já diz o nome, um wiki feito totalmente em Java; o JOnAS, uma implementação aberta das especificações J2EE. 

Tive a oportunidade de estar na mesa com Laisné durante sua palestra. Com o título sugestivo, ela anunciava: a terceira geração do software livre. A primeira foi a dos indivíduos, a segunda a da associação ou grupo de indivíduos, agora será a associação de empresas e organizações (públicas ou privadas). Trata-se de um passo de amadurecimento em direção a modelo negócio sustentável do open-source software, ao empreendimento e ao acesso a economia da informação.

Referências:
- Consórcio OW2
- Política de Propriedade Intelectual do OW2
- Middleware:
http://middleware.objectweb.org
http://www.sei.cmu.edu/str/descriptions/middleware.html
- Repositório de Projetos OW2 (Forge)
- Depois do ITI, Serpro também adere ao consórcio ObjectWeb 2

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