Tecnologia
A caminho da virtualização
Com a missão de gerenciar e arrumar espaço para o excesso de dados que começa a incomodar muitas empresas, chegam ao Brasil as soluções de storage virtual, que têm por principal objetivo desvincular o
excesso de capacidade física do armazenamento e obter mais performance e aproveitamento dos dispositivos.
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Nos próximos três anos, um volume de informações superior a todos os dados gerados nos últimos 300 mil anos será produzido, segundo dados da SIMS (School of Information Management and Systems) divulgados pela EMC. Hoje há 12 exabytes de conteúdo impresso, filmado, óptico e magnético em todo o mundo, de acordo com o estudo Quanta informação?, também produzido a pedido da EMC.
E no futuro? Onde esses dados serão guardados? Que ações as corporações terão que tomar para armazenar, com segurança, milhões de bytes de informação ? E como administrar SANs (Storage Area Networks) cada vez mais complexas?
O armazenamento virtual, ainda pouco disseminado no Brasil, é considerado uma saída viável para gerenciar e arrumar espaço para o excesso de dados que começa a incomodar muitas empresas. Imagine um armário cheio de roupas, onde outras peças têm que ser guardadas. O papel do storage virtual seria, numa definição grosseira, empurrar os cabides para os cantos do armário, para que o espaço central ficasse livre para mais roupas.
O storage virtual não substitui a SAN, mas permite que quaisquer discos rígidos ou tecnologias de fibra, scuzzy ou SSA (Serial Storage Architecture) possam existir e funcionar no mesmo ambiente, explica Gilberto Menezes, responsável por desenvolvimento de produtos na Sentry.
Há um punhado de soluções de armazenamento virtual disponíveis no Brasil, cada uma com foco e funcionalidades específicas. O consenso entre os fabricantes é que esses produtos devem desvincular o excesso de capacidade física do armazenamento, para que se consiga obter mais performance e aproveitamento dos dispositivos.
Por meio de soluções de storage virtual, a necessidade de espaço físico é reduzida, a demanda por cartuchos reais segue o mesmo princípio, assim como acontece com os robôs para automação de fitotecas, ensina Suzana Paixão Lopes, consultora de armazenamento da StorageTek.
Em ambientes cada vez mais complexos, é evidente a necessidade de processamento, priorização das informações, além de largura de banda para a transmissão dos dados. Juntos, esses fatores influenciam na performance do parque de TI (Tecnologia da Informação) e o armazenamento virtual, garantem os fabricantes, vem ajudar a administrar o imbróglio dos dados.
Soluções
No caso da StorageTek, há produtos para disco e para fita. O Shared Virtual Array (SVA) atende o primeiro segmento, já está disponível no Brasil e é vendido como um disco normal de armazenamento. Com um detalhe, em conjunto com a solução denominada Snapshot, do mesmo fabricante, a implementação de uma cópia instantânea do dado é possível, sem a necessidade de espaço adicional. A capacidade do SVA vai de 180 Gigabytes a 4,7 Terabytes, com a possibilidade de múltipla configuração.
O Virtual Storage Manager (VSM), por outro lado, é uma ferramenta mais complexa e tem como função virtualizar o ambiente de fitas de uma instalação mainframe. A capacidade do VSM está entre 180 Gigabytes e 3,7 Terabytes e por meio do uso desse tipo de tecnologia, pode-se obter maior performance, menor consumo de energia e redução de custos, lista a consultora da StorageTek.
Já o StorageNet 6000 apresenta as mesmas funcionalidades do VSM, mas é voltado para ambientes abertos e tem a característica nata de gerenciar uma SAN.
Unir dispositivos de armazenamento de fornecedores diferentes é um dos desafios do mercado de storage e as soluções virtuais estão ajudando nessa empreitada. O V-Store, da Sentry, por exemplo, é conectado à SAN de forma que a replicação dos dados pode ser feita de uma aplicação Compaq para outra IBM.
O software construído com um algoritmo inteligente cria dispositivos lógicos (LUNs Logical Unit Numbers) que permitem a interoperabilidade entre diversos fabricantes. É como se houvesse apenas um sistema de armazenamento, frisa Menezes, que aponta a possibilidade de espelhamento de subsistemas de storage pela adoção da solução.
Outra funcionalidade, quando se usa o V-Store associado ao SAN Appliance, é o caminho dos dados. Antes de irem para uma SAN as informações vão sempre passar pelas ferramentas e serão encaminhadas para a prateleira adequada. O custo do equipamento pode variar entre US$ 90 mil e US$ 2 milhões, com capacidade mínima de 500 Gigabytes de armazenamento.
No caso da Sentry, o que se prega não é a substituição de uma SAN por um equipamento de storage virtual. Isso não acontece com ferramenta alguma. O que se pretende é abrir plataformas, além de permitir a divisão de capacidade de storage de acordo com a prioridade dos dados.
Detalhes
Esse também é o discurso da Fujitsu que, através de uma solução ainda sem nome comercial e não disponível no Brasil, permite que uma corporação faça a análise dos seus dados, qualifique-os e armazene-os em disco, cartucho, ou rolo de acordo com a importância.
O produto faz a otimização dos dados, mas só deve chegar ao Brasil em 2002, revela Marcelo Molnar, consultor de marketing da Fujitsu do Brasil. Por enquanto, a ferramenta foi anunciada e já está disponível no Japão. No Brasil, a Fujitsu inicia a comercialização de produtos de storage a partir do ano que vem até hoje, a empresa trabalhou como integradora de soluções de armazenamento.
Um outro fabricante que já anunciou uma estratégia de virtualização, mas ainda não tem soluções disponíveis é a Compaq. Por meio do conceito Open SAN, a empresa pretende disseminar o VersaStor disponível para comercialização a partir do primeiro trimestre de 2002.
De acordo com Péricles Maia, gerente de negócios de storage da Compaq Brasil, a ferramenta vai fazer a virtualização do armazenamento dentro das plataformas Compaq, além de permitir que dispositivos como o NAS (Network Attached Storage) conversem com uma SAN. A virtualização só faz sentido quando há vários dispositivos conectados na rede, ressalta Maia.
Acompanhando a mesma idéia, a HP tem disponível o Virtual Array, nas versões 7100 e 7400. Com foco em empresas de pequeno, médio e grande porte, o VA permite a associação de novos discos a servidores, sem parar a operação. E pode haver heterogeneidade de servidores, explica Morgana Multini, gerente de marketing da HP Brasil.
A executiva acrescenta que há a possibilidade de se fazer cópias instantâneas dos dados que estão sendo armazenados. Além disso, através do Federated Storage Area Management, pode-se gerenciar o parque de armazenamento em servidores heterogêneos usando a tecnologia da família Open View.
O software teve alguns recursos internos aproveitados e outros desenvolvidos especificamente para esse propósito, relata Morgana. O ambiente no qual a ferramenta roda é cliente servidor, mas a HP tem a intenção de fazer a administração em canais de fibra óptica para mainframes.
Especificamente em software, a fabricante tem disponíveis o Storage Allocator e o Storage Node Manager. O primeiro consegue alocar LUNs (Logical Unit Numbers) sem a interrupção do processamento dos dados. Já o último enxerga todos os dispositivos de uma SAN, permitindo a administração total do parque. As ferramentas de virtualização da HP começaram a desembarcar no Brasil quatro meses atrás e a estratégia tornou-se ainda mais forte pela aquisição da especialista Storage Apps, no final de julho, por US$ 350 milhões.
Essa variedade de ferramentas atende um mercado que, até pouco tempo atrás, acreditou na interoperabilidade de tecnologias de armazenamento. Como essa expectativa não vingou, o storage virtual está ocupando esse espaço e trazendo aos usuários a possibilidade de adotar parques heterogêneos, avalia Gilberto Menezes, responsável por desenvolvimento de produtos na Sentry.
Conheça as ferramentas de storage virtual
| Fornecedor | Solução |
| StorageTek | Shared Virtual Array (SVA): em conjunto com o Snapshot, permite a implementação de uma cópia instantânea do dado, sem a necessidade de espaço adicional. Virtual Storage Manager (VSM): virtualiza o ambiente de fitas de uma instalação mainframe. Storage Net 6000: voltado para am- bientes abertos gerencia a SAN |
| Sentry | V-Store: permite a interoperabilidade entre diversos fabricantes e quando associado ao SAN Appliance, as informações vão sempre passar pelas ferramentas e serão encaminhadas para a "prateleira" adequada |
| Fujitsu | Ferramenta ainda sem nome comercial: permite a análise dos dados, qualificação e armazena- mento em disco, cartucho, ou rolo, de acordo com a importância |
| Compaq | VersaStor: faz a virtualização do armazenamento dentro das plataformas Compaq. Permite que diferentes dispositivos conversem entre si |
| HP | Virtual Array 7100 e 7400: permitem a associação de novos discos a servidores, sem parar a operação, em parques heterogêneos. Federated Storage Area Management: gerencia a SAN usan- do a tecnologia Open View. Storage Allocator e Storage Node Manager: software para virtualização |
| IBM | Storage Tank: software que permite a conexão e o compartilhamento de dados e de recursos físicos, em um parque composto por discos de diferentes fabricantes. Será aplicado sobre todas as plataformas de armazenamento da big blue, até 2002 |
|Computerworld - Edição 348 - 22/08/2001|
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