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Tecnologia

Corporações incorporam handhelds

Embora a automação de força de vendas ainda predomine no destino corporativo dos handhelds, fornecedores apostam em fatores como controle de produtividade, integração com redes empresariais e acesso sem fio à Internet.

Por Daniela Braun

03 de outubro de 2001 - 11h46
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Além dos setores financeiro e industrial que, segundo a IDC Brasil, são os maiores usuários de handhelds do País, as aplicações móveis já circulam em hospitais, universidades, restaurantes, empresas de distribuição, manutenção, telecomunicações, pesquisas, varejo e até no processo de colheita agrícola.

Os dados do instituto de pesquisas mostram 155,5 mil unidades de PDAs (Personal Digital Assistants) comercializadas no Brasil em 2000, sendo 21% a usuários residenciais. Em 2004, as vendas devem chegar a 617 mil. Diante do potencial , fornecedores de hardware e sistemas operacionais se movem em direção às corporações.

Esta é a deixa para empresas como a Microsoft, que fez questão de ressaltar as inovações voltadas ao mercado corporativo no anúncio de seu novo sistema operacional para computadores móveis, o Pocket PC 2002, em sua mais recente cartada contra a veterana Palm Inc. “Este é o ano da virada”, alerta Celso Winik, gerente de sistemas embarcados da Microsoft Brasil, afirmando que a produção de PDAs já ultrapassa a de PCs nos Estados Unidos.

Atualmente, segundo Winik, mais de 800 dispositivos diferentes utilizam componentes derivados do Windows CE, cuja versão 3.0 originou o novo Pocket PC. Entre as atrações do SO, ele destaca o suporte a recursos de voz sobre IP, SMS (Short Messages Service), conexão em VPN (Virtual Private Networks) ao banco de dados SQL – em uma versão que promete ocupar 1MB do Pocket PC – e do Terminal Services Client, que permite o gerenciamento remoto através do palmtop.

Fabricante Modelo
Palm m505
Seal PDT 8100
HP HP Jornada
Compaq iPAQ
Obs.: o quadro acima não representa todas as linhas dos fabricantes, nem o total de empresas do mercado.
A chave para colocar em prática as promessas dos fornecedores está nas mãos das empresas de desenvolvimento. É para este público que as software houses e fabricantes direcionam suas estratégicas comerciais.

“Hoje observamos uma migração muito grande de desenvolvedores de software de PCs para Pocket PCs” avalia Winik.

Longevidade

Entre as ações mais efetivas da empresa para este público, está uma parceria com a Compaq, iniciada em outubro, que envolve o subsídio do iPAQ Pocket PC com o novo sistema operacional, bem como ferramentas do Windows CE, suporte técnico e um programa de treinamento promovido pela Brás Figueiredo para profissionais e empresas de desenvolvimento em todo o País.

“Queremos ter uma cobertura muito maior de apoio e suporte ao desenvolvedor” complementa Valéria Molina, gerente de produtos portáteis da Compaq Brasil. A fabricante, que ingressou no segmento de handhelds com teclado em 1998, destina atualmente 60% de suas vendas ao mercado corporativo.

Entre os casos pontuais está a aplicação do iPAQ Pocket PC no monitoramento de pacientes na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Incor – Instituto do Coração de São Paulo – com conexão sem fio, bem como nos pedidos feitos pelos clientes da cadeia de restaurantes Red Casual Dinner, em São Paulo.

Já a relação da HP Brasil com os desenvolvedores têm mais de três anos. Hoje, segundo Márcio Correa, gerente de desenvolvimento de mercado em Computing and Appliances da fabricante, a subsidiária conta com 30 parceiros de desenvolvimento e nomes como Nestlé, Martins Distribuidora e a fabricante alemã de peças automotivas Wurth, entre os usuários da família HP Jornada.

“Observamos uma penetração muito grande nos ramos farmacêutico e alimentício. Além disso, com algumas aplicações como uma câmera digital portátil para handhelds, os mercados de seguradoras e de promoções em pontos de venda também estão crescendo”, ressalta.

Por seu lado, a IBM inicia sua aproximação com os desenvolvedores. No final do mês, durante um congresso de cardiologia, a subsidiária brasileira apresenta o resultado de sua primeira parceria com a Gens, trazendo mobilidade aos prontuários médicos. “Vamos sentir a receptividade do setor antes de desenvolver outras parcerias”, informa Adriana Gibrail, gerente de marketing de portáteis da IBM Brasil.

Palm ou Pocket?

“Já não somos tão restritos ao mercado corporativo como éramos quando ligados à 3Com”, avalia Gianfranco Coppola, gerente geral da Palm do Brasil, subsidiária que completou, em agosto, um ano de operação. Preços convidativos – a partir de R$ 399 para o palmtop mais popular da categoria – e uma intensa campanha de marketing e promoções no varejo inverteram a relação de vendas de 20% para corporações e 80% para o consumidor, no primeiro semestre deste ano. A parceira IBM também procura abrir as mãos de pessoas físicas formalizando alianças com empresas como a Rio-Sul.

A iniciativa consiste na instalação de quiosques nos principais aeroportos brasileiros, para que usuários de palmtops como o WorkPad da IBM, possam sincronizar notícias e informações úteis em seus dispositivos.

Na avaliação da IDC, em 1999, 15% dos handhelds comercializados no Brasil tinham o Pocket PC instalado enquanto a maioria (73%) possuía o Palm OS. Até 2004, as previsões revelam que o sistema operacional da Microsoft deve alcançar uma fatia de 38,9% do mercado.

Confiando também na força da marca e na compatibilidade dos produtos com todos os sistemas operacionais, a Palm do Brasil – com 2.500 desenvolvedores no País – parece não temer a Microsoft. “Imagino que a Microsoft não tenha conseguido reverter o jogo no varejo, apesar de seu esforço, voltando-se ao lado corporativo, que é um pouco mais jovem e mais aberto”, avalia Coppola.

Para manter o mercado corporativo na palma da mão, a companhia promoveu, há cerca de dois meses, outra mudança estratégica, dividindo-se entre a fornecedora do sistema operacional Palm OS e a fabricante de palmtops.


Façam suas apostas

Para os fornecedores de handhelds que já tiveram contato com o novo Pocket PC, da Microsoft, a briga com o Palm OS em projetos de aplicações móveis deve ser boa. “Embora o maior número de implantações que fazemos ainda esteja em Palm OS, o vetor de crescimento dos sistemas operacionais está na complexidade e na demanda de aplicações”, avalia Luiz Sette, diretor comercial da Seal Eletrônica, fornecedora que representa a fabricante Symbol, no Brasil.

“As promessas são muito boas, mas o Pocket PC e o Palm OS apresentam visões diferentes de produto. O Pocket PC é um Windows de bolso enquanto o Palm OS foi concebido para ser simples e prático”, compara Luis Felipe de Castro, diretor de novos negócios da Hands Mobile Solutions, empresa de desenvolvimento de aplicações móveis.

Segundo Márcio Correa, da HP Brasil, a evolução do Pocket PC é muito bem vinda. “Existem aprimoramentos interessantes na interface, promovendo maior facilidade de uso, maior conexão em redes corporativas no sincronismo com os terminais, além da capacidade de troca de dados com todos os outros handhelds”.

Para Sette, da Seal – empresa que já colocou no palmtop aplicações de fornecedores como J.D. Edwards, SAP, Oracle, PeopleSoft, Siebel, Microsiga e Datasul – a virada deste mercado acontecerá à medida em que os usuários transcenderem o uso dos handhelds na automação de força de vendas. “Aí a pressão para aplicações mais pesadas aumenta, favorecendo a abertura para o Pocket PC”.

O grande “boom” do uso de handhelds nas empresas, no entanto, não depende apenas da criatividade dos desenvolvedores e da boa vontade dos parceiros de software. É com a nova geração da telefonia móvel e a expansão das redes de comunicação sem fio, além das LANs (Local Area Networks), que contam os fornecedores.

Confirmando esta expectativa, as previsões da IDC Brasil, feitas no ano passado, indicam que, até 2004, 60% dos handhelds comercializados no Brasil estarão conectados à grande rede.

“Estamos falando de conseguir fornecer a informação ao usuário no ponto de atividade dele. A telefonia celular fornece a voz no ponto de atividade. Só que hoje, voz é pouco”, afirma o diretor comercial da Seal, que já aplica a integração dos palmtops às redes locais, por radiofreqüência, em ambientes fechados.

Valéria Molina, gerente de produtos portáteis da Compaq do Brasil, ressalta o uso do padrão CDMA 1XRTT – tecnologia de transmissão sem fio de dados, voz e imagens a 144 Kbps, em redes CDMA da próxima geração de telefonia móvel – como o grande impulso para a adesão dos portáteis pelo mercado corporativo, a partir de 2002.

Segundo Gianfranco Coppola, gerente geral da Palm do Brasil, os usuários brasileiros de Palm também podem esperar, para breve, a implantação do padrão Mobitex – já utilizado para transmissão de dados sem fio na família Palm VII, nos EUA.

|Computerworld - Edição 351 - 03/10/2001|

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