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Tecnologia

A difícil arte de colaborar

Ter um bom controle da camada operacional é pouco. Bom, mesmo, é aliar a automação do back office ao planejamento. Porém, não adianta planejar sozinho. A nova ordem é colaborar.

Por Ceila Santos

04 de julho de 2002 - 11h27
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Ter um bom controle da camada operacional é pouco. Bom, mesmo, é aliar a automação do back office ao planejamento. Porém, não adianta planejar sozinho. A nova ordem é colaborar. Destaca-se, então, a importância da conectividade entre as empresas para atingir uma boa e completa implementação de supply chain management. E, neste quesito, volta à tona a questão sobre EDI (Electronic Data Interchange) e WebEDI ou portal privado e marketplace.

“O mercado ainda está muito instável. Existem ainda dúvidas sobre a entrada num marketplace privado ou num portal vertical. Até que isso se descortine de forma clara, o EDI será ainda a ferramenta mais usada porque estabelece padrão”, esclarece Roberto Zabeo, presidente da Interchange.

Ninguém se arrisca a prever quando a promessa do XML (eXtensible Markup Language) prevalecerá à padronização do EDI, mas todos apostam nesta tendência como o conector universal entre sistemas. Especialistas acreditam que, com a consolidação das ferramentas de supply chain, a conectividade via Internet deve crescer exponencialmente.

O mercado ainda não demonstra muita receptividade para a implementação de ferramentas de SCM. Mário Manoel Ferreira, presidente da Baan, afirma que o estágio atual das empresas já aponta uma preocupação com planejamento. No entanto, elas ainda utilizam ferramentas muito simples para suprir esta necessidade. “Depois que o mercado turbinou o ERP, transformando-o em uma plataforma colaborativa, acredito que é apenas uma questão de maturação”, aponta Ferreira.

Modelo terceirizado

De qualquer forma, todos seguem rumo à Web. Até mesmo prestadores de serviços, como Proceda e Interchange, que professam vida longa ao EDI, já investem em plataformas em ambiente Web, de olho na evolução do supply chain management.

A Interchange pretende disponibilizar aplicativos de supply chain em modelo ASP (Application Service Provider) por meio da sua plataforma de e-business, que foi adquirida no ano passado. Porém, segundo Zabeo, isso só acontecerá quando todos os testes comprovarem total segurança para o usuário. “Os aplicativos são fáceis porque já existem no mercado. Precisamos encontrar o modelo ideal para a demanda existente. Estamos falando de coisas velhas processadas de maneira nova”, explica.

A Proceda segue o mesmo caminho e desenvolve, ainda em fase piloto, aplicações de reposição automática de estoque via EDI ou WebEDI para empresas da indústria de bens de consumo. Gemma Rebollo, diretora de e-commerce da companhia, revela que a rede de varejo Pernambucanas e a indústria de eletrodomésticos Arno são cases de VMI (Vendor Management Inventory). Essa ferramenta, segundo a executiva, permite que a indústria se planeje em função das informações oferecidas pelo ponto de venda, porque a solução está baseada no relatório de estoque e vendas.

Outra ferramenta que está em desenvolvimento é a que permite o planejamento de logística. “Temos 500 transportadoras em nossa carteira de clientes e, por isso, apostamos nesta solução, criando assim uma comunidade dentro da Proceda”, planeja Gemma Rebollo.

Tendência

Zabeo destaca que além de aplicativos como inventário, relatório de vendas e liquidação financeira, a Interchange lançará, em breve, aplicativos com algoritmos de reposição contínua. “Estamos desenvolvendo essa parceria com os clientes para analisar o que a empresa A vai vender para B, e quais as condições de entrega, reposição e preço. Esses aplicativos em nenhum momento eliminam as regras da negociação entre os parceiros”, conta.

Outra ferramenta em desenvolvimento – voltada à logística – , segundo o executivo, pode resultar de uma parceria. Pagamento eletrônico também entra no escopo de SCM e a ferramenta, batizada de Cash 2.0, foi desenvolvida também para suprir a chegada do SPB (Sistema de Pagamentos Brasileiro).

“Essa ferramenta implica sempre numa regra pré-estabelecida entre os parceiros. Antes eles definem um acordo, onde são cadastradas todas as condições de pagamento. Assim, quando uma nota fiscal não estiver de acordo com o previsto, o parceiro online diz para o outro qual foi o problema por meio de um código, amenizando assim esses pontos críticos”, explica.

Com uma base de 25 mil usuários de EDI, a IBM se difere das fornecedoras da tecnologia pela sinergia entre as diferentes unidades que compõem seu portfólio. “Nossa missão é prover a solução de ponta-a-ponta por meio de parcerias. A IBM desenha a solução com o cliente, integra e implementa o projeto e ainda oferece manutenção e suporte”, destaca Plínio Correia, gerente de alianças e novos negócios da unidade de serviços da IBM.

O executivo também concorda que o EDI deve prevalecer e reforça que a colaboração ainda é um processo complicado porque requer um novo modelo de negócios entre as empresas. “A IBM tem o foco em e-business. Hoje, a empresa entende o EDI como um componente da solução supply chain que vai envolver outros aplicativos de parceiros”, conclui.

Interchange
Clientes
38 mil conectados, sendo 3 mil pagantes
Receita
R$ 63 milhões
Expectativa de crescimento em 2002
15% a 20%

Proceda
Clientes
30 mil
Receita
R$ 121 milhões
Expectativa de crescimento em 2002
40%

Gargalo da conexão

   O EDI supre muito bem a conexão one-to-one, enquanto o WebEDI permite a entrada de muitos para conversar com uma única empresa. No entanto, o conceito CPFR (Collaborative Planning, Forecasting and Replanishment) que implica na conexão de toda cadeia da indústria, tornando os fornecedores responsáveis pela produção e permitindo que transportadoras e distribuidores tenham acesso online às informações sobre entrega, criando assim a reposição automática de estoque, que ainda é um grande entrave.
    “Não existe sistema adequado para criar o conceito CPFR, seja qual for o meio entre diversas empresas, porque não há linguagem comum entre os sistemas. Por isso, a conexão continua sendo a relação de um grande com muitos pequenos”, alerta Zabeo.

|Computerworld - Edição 366 - 19/06/2002|

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