Publicidade

Tecnologia

Certificação de software e a próxima fronteira

A necessidade de certificar processos estruturados de desenvolvimento começa a movimentar as software houses locais em direção à certificação. Mercado externo é apenas um dos motivadores na busca do certificado CMM( Capability Maturity Model).

Por Fábio Barros

16 de maio de 2003 - 10h55
página 1 de 1

A necessidade de certificar processos estruturados de desenvolvimento começa a movimentar as software houses locais em direção à certificação. Mercado externo é apenas um dos motivadores.

Fábio Barros

Muito se tem falado da obtenção da certificação CMM (Capability Maturity Model) como passaporte para o mercado externo.

É bem verdade que este tem sido o principal argumento das maiores empresas do mercado brasileiro de software, mas um outro grupo – formado por companhias de médio porte – também tem direcionado seus esforços para obtenção do título.

Nestes casos, o apelo do mercado externo fica em segundo plano e os motivadores principais variam em torno da organização interna e da possibilidade de adotar processos que tornem o crescimento mais consistente.

“Nós decidimos que era hora de mudar a empresa em 2001 e colocamos como objetivo adotar um processo de desenvolvimento replicável, que dependesse menos das pessoas”, exemplifica Cláudio Menezes, diretor da Disoft.

A empresa conquistou a certificação CMM nível 2 no início de abril e, na opinião do executivo, hoje tem o que ele chama de cultura de processos.

“Em dois anos passamos por mudanças contínuas e sistemáticas. Hoje há um definição clara dos papéis de cada um e os processo são previsíveis”, afirma.

A organização interna, e seu conseqüente ganho de eficiência, parece ser o principal benefício percebido pelas empresas recém certificadas.

A Politec, que conquistou sua certificação (também nível 2) em dezembro do ano passado, comemora hoje o fato de ter todo o seu processo de desenvolvimento estabelecido e documentado.

“Nossos processos não eram formalizados de acordo com as exigências da CMM. O que tomou mais tempo foi permear a organização como um todo, para que as regras não ficassem apenas no papel”, lembra Newton Alarcão, sócio-diretor da empresa.

O executivo diz não esperar resultados financeiros imediatos e afirma que o caminho natural é que a preocupação com a qualidade comece a transparecer no mercado.

Um exemplo de mudança interna é dado pela Teknisa, esta ainda em processo de certificação.

De acordo com Wilson Lima de Paula, diretor de tecnologia da software house, a empresa melhorou muito em sua área de planejamento.

“Hoje trabalhamos com prazos mais realistas, subsidiados por argumentos técnicos”, diz.

Outra novidade incluída no dia-a-dia dos funcionários da empresa foi a rotina de absorção de horas.

Na prática, isso significa que todos os envolvidos em projetos têm de apropriar cada uma de suas atividades aos clientes atendidos.

“Isso significa um ganho generalizado de controles e processos, enfim, na gestão como um todo”, avalia.

Prazos e custos

Se as vantagens são palpáveis, os custos e os prazos envolvidos no processo de certificação também são.

Em média, o período para obtenção do nível 2, por exemplo, é de dois anos, e os investimentos podem ultrapassar a casa do milhão de reais.

Na Disoft, entre a decisão pela mudança e a obtenção do título, passaram-se dois anos.

“Investimos cerca de R$ 1 milhão para chegar ao nível 2, mas ainda assim foi um valor baixo para este tipo de certificação porque utilizamos muito de nossa equipe”, contabiliza Cláudio Menezes, lembrando que a empresa já se encontra em meio a dois processos paralelos: a adequação ao CMMi (integrado) nível 2 e a obtenção do CMMi nível 3, que deve acontecer até março do ano que vem.

No caso da Teknisa, os prazos são semelhantes, mas os custos são menores.Explica-se: a empresa uniu-se a outras sete para compartilhar os investimentos em treinamento.

“Conseguimos dividir alguns custos, principalmente de treinamento”, afirma Lima de Paula, que ainda assim já gastou cerca de R$ 60 mil, entre capacitação e consultoria, e outros R$ 200 mil em recursos internos alocados.

A previsão de gasto para a auditoria final é de US$ 40 mil, inicialmente.

“Estamos tentando negociar uma redução, já que pretendemos realizar a auditoria também em grupo. Isso deve reduzir custos como transporte e hospedagem dos auditores”, afirma.

Já a Politec conseguiu chegar ao nível 2 em cerca de 17 meses, prazo considerado curto em relação à média.

“Já éramos certificados ISO 9000, que não é uma certificação específica para desenvolvimento de software mas que colocou alguns de nossos processos em estágio avançado”, comemora Newton Alarcão.

O executivo não revela os valores envolvidos no processo e afirma que a empresa começa a se preparar para a obtenção do nível 3, o que deve ocorrer nos próximos 16 meses.
 


Evolução da espécie

Empresa

Nível CMM

Investimento

Disoft
2
R$ 1 milhão
Teknisa
2
(em auditoria)

R$ 260 mil
(sem os custos de auditoria)

Politec
2

não revelado

Inatel
2

R$ 250 mil

 

Desafios e resultados

Ao mesmo tempo em que demanda altos investimentos, o processo de conquista da CMM não é garantia de novos negócios, ou mesmo de transição interna tranqüila.

Alguns desafios se colocam para as empresas e, na ponta dos clientes, os resultados demoram a acontecer.Menezes, da Disoft, cita a aculturação da equipe como um dos principais desafios a serem vencidos.

“A adoção da cultura de processos passa por convencer as pessoas que elas não vão mais fazer um pouco de tudo, mas serão parte de um todo, com funções bem definidas”, diz.

Em paralelo, o executivo afirma que a percepção do mercado em relação à qualidade deve aumentar com o tempo.

“Há uma boa receptividade do mercado em relação à certificação”, diz, mas reconhece que ela ainda não se traduz em crescimento de receita.

“Nossa expectativa maior é não perder negócios a partir da certificação e estarmos bem estruturados para crescer”.

A afirmação de Lima de Paula, da Teknisa, deixa claro que a CMM não é a panacéia para a queda de receita, mesmo porque envolve um longo processo de convencimento dos clientes, um dos principais obstáculos enfrentados pelo executivo.

“Muitas vezes o prazo técnico que adotamos agora não vai ao encontro das expectativas do cliente, mas é melhor, porque no passado tínhamos que administrar atrasos, o que não ocorre hoje”, compara.

Ainda assim, a empresa vem realizando um trabalho de conscientização junto à sua base usuária, para que eles entendam o conceito e aceitem as mudanças mais facilmente.

Também considerando o processo de aculturação interna como o mais crítico, Newton Alarcão, da Politec, tem expectativas um pouco mais otimistas sobre os resultados de seu certificado.

“A percepção do mercado pode levar um tempo, mas acredito que o setor público deve adotar, em breve, critérios de certificação em seus projetos de contratação.

Já percebemos algumas iniciativas nesse sentido”, afirma.


 

Conhecimento Compartilhado
Nem só as software houses puras demonstram preocupação com a obtenção de certificação. No final de abril, o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel) recebeu a CMM nível 2. Uma equipe de 32 profissionais da área de software do Inatel Competence Center, braço da instituição para transferência de serviços, foi avaliada pela ISD Brasil. Fruto de um investimento de cerca de R$ 250 mil, o certificado ganha um novo sentido nas mãos da instituição de ensino. “Nosso objetivo foi gerar um modelo que possa ser replicável por pequenas organizações que queiram, por exemplo, atuar no mercado externo”, explica Guilherme Marcondes, gerente de projetos e consultoria do Inatel. O executivo explica que o modelo desenvolvido pela instituição será utilizado em sua área de desenvolvimento de software, mas também transferido para utilização por outras companhias. “Ele atende aos requisitos do nível 2, só que de forma mais enxuta”, diz, lembrando que o mesmo será feito com o nível 3, já em estudo. O projeto de certificação, aliás, é de longo prazo, e prevê a conquista do nível 5 – mais alto da escala – nos próximos oito anos. “Agora buscamos o mercado com o certificado nas mãos e tem sido muito mais fácil bater na porta de potenciais clientes”, ressalta Marcondes.

Opinião do Leitor
Não há comentários para essa notícia
Publicidade
Publicidade
As mais lidas
60 melhores empresas de TI e Telecom para trabalhar

A elite do RH de TI e Telecom no Brasil

Computerworld e Instituto GPTW apresentam as Melhores Empresas de TI e Telecom para Trabalhar 2009.

Veja o Especial

Confira o ranking:

  1. Chemtech
  2. Kaizen
  3. Microsoft
  4. Cisco do Brasil
  5. Google Brasil
Veja o ranking completo com as 60 empresas

SLIDE SHOWS

coluna tv
Newsletters
Assine a Computerworld