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Tecnologia

VPN IP vai muito além do lugar comum

Serviços de comunicação de dados em VPN IP apresentam diferenciais tecnológicos frente a demais soluções do mercado e fogem da premissa simples do “preço baixo” para conquistar clientes.

02 de janeiro de 2004 - 10h09
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Luciana Coen

Os serviços de dados continuarão a apresentar queda de preços em 2003. A conclusão vem de pesquisa com as maiores operadoras do país feita pelo Yankee Group. Entre os motivos que continuam pressionando para baixo os preços de linhas dedicadas, Frame Relay e VPN IP, estão o excesso de capacidade de infra-estrutura e o elevado número de competidores no mercado. Segundo a analista sênior de telecomunicações Andréa Rivas, do Yankee Group, “algumas consolidações ainda serão feitas no próximo ano”. Embora empresas
como a Pegasus tenham sido compradas, ela acredita que ainda há muitas companhias no mercado e a tendência é que aconteçam algumas fusões em 2003.


Outro fator apontado na pesquisa é o fato de que muitos provedoras de serviços de dados estão tentando abocanhar uma fatia do mercado corporativo oferecendo serviços de telefonia (voz) a preços bastante competitivos. Quem sai ganhando com isso são as empresas clientes, que contam com mais opções em seus portfólios de prestadoras. Essa movimentação do mercado, aliada ao fato do serviço de dados ter ganho status de commodity, acaba forçando ainda mais os preços para baixo.


Segundo a pesquisa, no caso especifico de serviços de linhas dedicadas, o grau de competição ainda é o mais alto. “
Como não há muito o que oferecer além do próprio serviço, a competição acaba sendo por preços mesmo”, analisa Andréa Rivas. Entre os serviços de Frame Relay, é possível conseguir agregar um pouco mais de ofertas, por meio de SLAs (Service Level Agreements, acordos de nível de serviços), mas a competição ainda fica restrita a preços.


As exceções neste mercado são os serviços de VPN IP. Exatamente por ser mais novo e ter grande potencial de diferenciação,
como classes de serviços e rapidez na configuração de rede, a pressão por preços acaba não sendo tão grandes neste caso. “Exatamente por esta característica, há dois perfis de políticas de preços entre as operadoras: algumas jogam o preço de VPN IP para baixo, justamente para ganhar mercado. Outras, elevam os preços justamente porque a VPN IP, atualmente, oferece maiores vantagens técnicas”, explica Andréa Rivas.


Em 2003, houve uma queda de preços de cerca de 17% das VPNs IP, em relação ao ano passado. A previsão de queda para 2004 em relação a 2003 é de 10%, segundo a pesquisa do Yankee. Para Andréa,  VPN IP ainda é considerada uma tecnologia nova.


No caso de linhas dedicadas, os preços caíram 30% em 2002, em relação a 2001, enquanto o Frame Relay caiu 18% em 2002, se comparado ao ano anterior. Em 2002 ainda não havia oferta de VPN IP no Brasil. Em 2003, linhas dedicadas sofreram queda de preço considerada ainda bastante forte: 18%. Frame Relay caiu, em média, 13%.
Para o ano que vem, as operadoras se dividiram no caso de serviços de linhas dedicadas. Algumas sinalizaram já terem alcançado o piso, indicando queda de preços de apenas 2%. Outro grupo indicou queda entre 10% e 15%, acreditando que ainda há pressão do mercado em relação a preços. “Concordamos com o segundo grupo. Acreditamos em uma queda de preços de cerca de 15% ainda no próximo ano”, analisa Andréa Rivas. Frame Relay deve cair cerca de 12%, segundo a pesquisa.


Do ponto de vista das operadoras, o que pode aliviar a questão da queda de preços contínua é um cenário de possível crescimento econômico.
Para a analista do Yankee Group, o grande desafio dos provedores de serviços de dados será não entrar no jogo de guerra de preços e sim tentar diferenciar as ofertas com inovações em serviços. “Não achamos uma boa idéia entrar com preços mais baixos para competir diretamente com Frame Relay”, afirma Andréa Rivas. Para a analista, a vantagem da VPN IP é muito mais técnica do que de baixo custo. Uma das grandes vantagens está na conectividade internacional. Muitas empresas têm cobrado praticamente a mesma coisa para ligar um ponto de VPN IP do Rio de Janeiro a São Paulo, ou do Rio de Janeiro a qualquer outra capital da América Latina.

 

Troca vantojosa

Uma das características que levou Solange Barbosa de Almeida, gerente da área de compras e administração do Cinemark, a iniciar a implantação de redes VPN IP entre os complexos de cinemas da empresa, foi a facilidade de implementação de novos pontos. A Cinemark possui 30 complexos de cinema, com 272 salas em 14 cidades brasileiras. Até o primeiro semestre deste ano, apenas sete lojas tinham comunicação de dados, por meio do protocolo X.25. “Trocamos o X.25 por VPN IP e a rede está muito mais estável”, afirma Solange de Almeida. A nova solução de conectividade via VPN, implantada pela integradora NetMicro, reduziu os custos mensais de comunicação em 60%. Embora a rede VPN IP tenha sido implementada em internet pública, e não com link dedicado, a administração é feita externamente, pela NetMicro, responsável pelos equipamentos e manutenção da rede.


Até o fim do ano que vem, as 30 lojas da rede estarão interligadas via VPN IP, além das quatro novas lojas que serão inauguradas em 2004. Outras vantagens da nova tecnologia, segundo Solange de Almeida, é a administração centralizada e economias de custos com viagens de técnicos a distância. Um dos planos para o futuro na rede Cinemark é contar com a tecnologia VPN IP para vender bilhetes via rede, por meio de pontos espalhados pela cidade em grandes centros comerciais.


A Ale Combustíveis, distribuidora mineira ligada ao grupo Asamar, também implementou VPN IP em parte de sua rede, que inclui filiais e postos-escola, com a integradora SonicWall. Segundo Marcus Jentzsch, analista de TI da empresa, o melhor para ligar essas pequenas filiais era usar o protocolo IP em cima de internet, sem link dedicado. Mas a empresa está estudando a migração dos oito pontos principais, que atualmente estão ligados por meio de Frame Relay, para VPN IP. “Temos propostas que irão nos trazer uma economia de um terço do preço em cima de Frame Relay”, explica Marcus Jentzsch.


Na pesquisa do Yankee Group, a média de preços de VPN IP tem sido bem mais baixa que Frame Relay.
Para ligar dois sites com banda de 128 Kbytes na região metropolitana de São Paulo, a média de preço mensal deste último é de US$ 720. No mesmo caso, o preço regular de VPN IP está em US$ 520 por mês.

 

Por dentro da VPN IP

Há alguns tipos de VPN IP no mercado. Todas usam o protocolo IP (Internet Protocol). A grande diferença está na quantidade de serviços contratados pela empresa usuária.

 

. VPN IP baseada na rede da operadora (network-based IP VPN) – totalmente

gerenciada por um provedor de serviços (uma operadora, por exemplo).

A tecnologia (ou lógica) fica na rede operadora. No cliente, coloca-se

um roteador simples.

 

. VPN IP com gestão de CPEs (Managed CPE-based IP VPN) – o provedor

de serviços instala e gerencia os CPEs (Customer Premises Equipments,

elementos de rede que ficam nas instalações do cliente) e a conectividade.

 

. VPN IP solução in-house – a empresa adquire equipamentos de um fabricante

e a conectividade da operadora, implantando e gerenciando sua VPN.

Fonte: Yankee Group

|Computerworld - Edição 398 - 19/11/2003|

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