Tecnologia
Dificuldade de gestão inibe crescimento de WLAN
Redes locais sem fio exigem adoção do gerenciamento centralizado, tarefa nada fácil devido à falta de ferramentas certas. Realidade tende a mudar à medida que WLANs sejam incorporadas por redes tradicionais.
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COMPUTERWORLD*
Criar uma pequena rede local sem fio (wireless LAN, ou WLAN) é fácil: basta montar um ou dois pontos de acesso e depois configurar os usuários clientes. Mas os CIOs que implementam sistemas wireless como parte da infra-estrutura de LAN de suas empresas descobrem rapidamente que gerenciá-los é mais difícil do que uma rede cabeada por causa de preocupação com desempenho e segurança, e problemas específicos das redes sem fio, como gerenciamento de tráfego e sinal de rádio. Antes de adotar uma WLAN é preciso garantir que os sistemas de gerenciamento certos sejam implantados.
A segurança insuficiente vista nos primórdios do hardware wireless fez com que a maioria dos CIOs montasse suas WLANs sob a forma de segmentos independentes fora da rede principal. Essa abordagem funciona bem para LANs limitadas, mas não em uma implementação corporativa. No final, serão tantas conexões sem fio que não fará sentido mantê-las separadas, diz Warren Wilson, diretor de práticas da Summit Strategies, empresa de pesquisa e análise de mercados emergentes de tecnologia.
À medida que a segurança é aprimorada e são liberados padrões de segurança melhores como 802.11i e Wi-Fi Protected Access (WPA) 2, os executivos de TI devem expandir suas estratégias wireless para além da segurança, incluindo gerenciamento centralizado, observa Chris Kozup, analista sênior do Meta Group. Esta abordagem deverá permitir a implementação de WLANs como parte da rede geral de uma empresa, não como um segmento separado em uma zona desmilitarizada.
A integração de segmentos de redes locais sem fio corporativas exige vários componentes. As ferramentas de gerenciamento de LAN tradicionais lidam com grande parte da carga estabelecimento de políticas para usuários, monitoria e análise de rede, manutenção de hardware (instalação de firmware e atualizações de segurança), controle de acesso à rede, aplicações anexadas e armazenamento de dados e gerenciamento de chaves de autenticação e validação do usuário.
As WLANs, porém, também têm necessidades exclusivas. Sinais de rádio para redes locais sem fio, por exemplo, têm de ser gerenciados para garantir cobertura apropriada, impedindo tanto lacunas quanto áreas de sobreposição. As WLANs exigem gerenciamento dinâmico de acesso do usuário: ao contrário de uma LAN cabeada, na qual o número de conexões possíveis é regulado pelo número de tomadas, um ponto de acesso sem fio pode variar desde conexão nenhuma a centenas de conexões à medida que as pessoas o utilizam.
O software de gerenciamento de wireless LAN tem que detectar esses picos e deslocar usuários para outros pontos de acesso próximos para distribuir a carga ou restringir o acesso apenas a usuários com alta prioridade. O software de gerenciamento de WLAN também deve fechar uma porta sem fio se um usuário não autorizado tenta acessar a rede e gerenciar o processo de transferência à medida que o usuário vai de um ponto de acesso a outro. Muitas ferramentas oferecem alguns desses recursos, mas, segundo analistas, só algumas ferramentas lidam bem com todos eles.
Colcha de retalhos
Na maioria dos casos, os CIOs precisam recorrer a dois fornecedores para gerenciar suas redes centralmente: um fornecedor para as WLANs e outro para a rede local cabeada e serviços de diretório que armazenam perfis dos usuários. É uma estratégia arriscada, tendo em vista que as pequenas empresas de gerenciamento de WLAN fecham as portas com alguma regularidade.
Cerca de 70% dos fornecedores não vão mais existir em sua forma atual daqui a dois anos, prevê William Clark, diretor de pesquisa do Gartner. Alguns vão acabar por completo e outros vão sofrer um processo de fusão ou aquisição. Portanto, os CIOs têm que se esforçar ao máximo para avaliar a tecnologia do fornecedor, sua base de clientes e o suporte da indústria, na esperança de que a tecnologia sobreviva numa possível fusão ou aquisição mesmo que o fornecedor desapareça.
Os analistas concordam, porém, que os CIOs não têm outra escolha a não ser correr esse risco. Os fornecedores de gerenciamento de LAN tradicionais simplesmente não têm as ferramentas certas, e, se alguém for esperar até que eles tenham, vai demorar a colher os benefícios de conectar forças de trabalho móveis a sistemas de informação empresariais.
Os analistas dizem que os pequenos fornecedores incluindo Airespace, AirMagnet, AirWave, Aruba, Cognio, Legra Systems, Roving Planet, Trapeze Networks e Wavelink oferecem ferramentas de gerenciamento de WLANs melhores do que as dos concorrentes tradicionais, tanto grandes quanto pequenos.
Mas, entre os fornecedores de gerenciamento de LAN tradicionais bem estabelecidos, Cisco Systems e Computer Associates (CA) destacam-se por disponibilizar as melhores ferramentas sem fio e, segundo os analistas, essas ferramentas serão aprimoradas significativamente ainda neste ano.
A HP se apóia essencialmente na Wavelink para fornecer plug-ins para seu software OpenView, ao mesmo tempo que adquire alguns fornecedores menores e capitaliza suas próprias capacidades. A IBM Tivoli ainda está tentando descobrir como ir daqui para lá, diz Wilson, da Summit Strategies. As funções wireless não são centrais para os negócios da IBM, HP e CA, observa Clark, do Gartner, acrescentando que isso se deve ao fato de o mercado ainda ser pequeno.
Infelizmente, os CIOs têm que avaliar vários fornecedores para ver quais pacotes de ferramentas de gerenciamento funcionam melhor para seus ambientes específicos. Não existe uma ferramenta só para todos os cenários, afirma Doug Lane, gerente de marketing de serviços gerenciados na Vanguard Managed Solutions, que implementa redes distribuídas cabeadas e wireless em cerca de 40 mil locais para diversas empresas nos Estados Unidos.
Os varejistas, por exemplo, precisam primordialmente de gerenciamento de configuração e gerenciamento de qualidade de serviços (QoS), já que suas atividades de rede e base de usuários são razoavelmente estáticas, mas também precisam de tempo de resposta rápido para autorizações de cartão de crédito, relatório de estoque e assim por diante.
Campi universitários e hospitais necessitam de ferramentas mais complexas, com melhor suporte a deslocamento, já que, em geral, eles têm tipos distintos de usuários, com privilégios de acesso diferentes, e suas forças de trabalho são muito mais móveis. Se uma corporação utiliza voz sobre WLANs, todas essas questões se tornam críticas, ressalta Lane.
Nos próximos anos, analistas esperam que as ferramentas de gerenciamento de LAN tradicionais incorporem cada vez mais funcionalidade sem fio, facilitando para as empresas escolher um fornecedor. Ainda assim, eles admitem, muitas empresas vão continuar convocando fornecedores especializados para lidar com necessidades de negócio exclusivas, não incluídas nos pacotes mais abrangentes.
E muitas outras já terão adotado a estratégia de dois fornecedores e assim permanecerão, em vez exterminar um sistema que funciona. Não importa qual rumo os clientes tomem, está claro que o gerenciamento corporativo será tão necessário para WLANs quanto é para as redes cabeadas.
CIO Magazine, EUA
|Computerworld - Edição 418 - 06/10/2004|
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