Tecnologia
Vida e morte em RFID
Acompanhe a trajetória de Chippy, uma das 100 milhões de etiquetas RFID que serão consumidas em 5 anos no aeroporto internacional McCarran, em Las Vegas, para controle de bagagens.
Por COMPUTERWORLD
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Lidar diariamente com 68 mil malas, em um país paranóico como os Estados Unidos pós-11 de setembro, é o desafio que justifica um investimento de 125 milhões de dólares. Esse é o montante que o aeroporto internacional McCarran, em Las Vegas, planeja dedicar à adoção de chips RFID (identificação por radiofreqüência) em etiquetas de bagagem. A meta é cumprir as exigências de fiscalização de segurança. "Pelo projeto vamos comprar 100 milhões de etiquetas RFID nos próximos cinco anos", conta Samuel Ingalls, diretor assistente de sistemas de informação para aviação do aeroporto.
Conheça a seguir a história de Chippy, uma dessas etiquetas.
Projetando Chippy
O design de uma etiqueta RFID depende do uso que será feito dele, explica John Shoemaker, vice-presidente de desenvolvimento comercial de soluções de transporte e aviação da Symbol Technologies. "No processo de fabricação do chip, o design arquitetural e a aplicação têm de estar claros", conta o executivo.
Assim, o McCarran escolheu uma arquitetura desenvolvida pela Matrics, que foi adquirida pela Symbol no ano passado. Chippy será uma etiqueta UHF Classe 0, que é somente de leitura e opera na faixa de 900 MHz. Ingalls optou por este design porque as etiquetas RFID só de leitura oferecem níveis altos de segurança, não requerem bateria ou linha de mira e podem ser lidas à distância de até 7,62 m. Além disso, as etiquetas passivas são mais baratas - custam apenas 20 centavos de dólar cada - do que as movidas à bateria, que ficam entre 20 e 100 dólares.
Nasce um chip
Chippy, igual a todos os seus "irmãos" semicondutores, iniciou a vida como areia. A Symbol contrata fábricas na China, no Japão e em Taiwan para produzir chips de silício. Para a iniciativa do McCarran, a Symbol escolheu a Taiwan Semiconductor Manufacturing (TSMC), um dos maiores fabricantes do mundo.
Quando os semicondutores estão concluídos, a TSMC os envia às instalações da Symbol, na Califórnia, para receberem a antena necessária para sinalização, com um adesivo. Todo o processo finalizado, Chippy nasce, medindo 2 polegadas por 4 polegadas.
O passo seguinte é enviar Chippy a um fabricante de etiquetas, onde o bloco é incorporado a uma etiqueta de papel tradicional. "A menos que você a abra e veja a antena, nunca saberá que ela está lá", alerta Shoemaker.
Chippy ganha um emprego
Quando finalizadas, as etiquetas estão prontas para serem enviadas ao aeroporto. Ingalls conta que deixa para a Symbol os detalhes intrincados de incorporar os chips RFID às etiquetas. Chippy chega para seu dia de trabalho em Las Vegas como parte de um rolo de 175 etiquetas. "Montamos um cronograma com a Symbol para que elas sejam fornecidas regularmente nos próximos anos", informa Ingalls.
O executivo e sua equipe gerenciam todas as redes do aeroporto - check-in e manuseio de bagagem - centralização que facilita a implantação da tecnologia RFID. Em linhas gerais, Ingalls irá distribuir as novas etiquetas de bagagem, impressoras, leitoras RFID e o restante do equipamento para as companhias aéreas, os encarregados das bagagens e outros usuários envolvidos.
Quando os passageiros chegam ao terminal, colocam a bagagem na balança, como sempre; o funcionário, então, verifica a mala, imprime uma etiqueta RFID e a cola. O chip só de leitura na etiqueta contém duas informações importantes, genéricas - o código do aeroporto com três letras (neste caso, LAS) e um identificador com 10 dígitos pré-impresso. De acordo com Ingalls, isso é crucial para a privacidade dos passageiros.
No check-in, este identificador com 10 dígitos é mapeado para o passageiro e para os sistemas de rastreio da companhia aérea. O identificador vincula a bagagem a informações importantes sobre destino, origem, conexões, vôos, status de segurança etc. As etiquetas continuam sendo impressas também com o código de barras tradicional para todos os sistemas que ainda utilizam tecnologia ótica legada. "Do ponto de vista de povoar informação no banco de dados, não difere muito do código de barras", observa o executivo.
Depois que o funcionário do balcão se assegura de que a etiqueta está "viva", usando uma leitora RFID, a bagagem é colocada na esteira e enviada para fiscalização de segurança. "Aqui a bagagem inicia uma longa e complexa jornada", diz Ingalls.
Chippy vai passear
Depois de 11 de setembro, aeroportos e empresas de aviação receberam determinações rígidas para fiscalização de bagagem em todo o mundo. Para atender às novas regulamentações, o McCarran está criando um sistema de segurança centralizado que terá seis instalações de fiscalização em dois níveis, com 6,4 km de esteiras. "É um sistema grande e complexo, dividido em nós de fiscalização", revela Ingalls.
Os nós de fiscalização requerem 70 conjuntos diferentes de leitora e antena para ler as etiquetas nas malas. Cada conjunto é formado por quatro antenas ao redor da moldura da esteira - acima, abaixo e em ambos os lados. "A redundância garante que a etiqueta será lida não importa para qual direção a antena esteja apontando."
As etiquetas RFID oferecem uma taxa de precisão de leitura de 99,8%, ao contrário das etiquetas com código de barra, que só apresentam aproximadamente 85%. Se uma mala estiver de cabeça para baixo ou virada de lado na esteira, por exemplo, a etiqueta com código de barra é praticamente inútil.
Quando Chippy entra nas instalações de segurança, insere a si mesmo no sistema através de uma leitora. Isso determina que a mala tem um identificador exclusivo e é válida. Depois que Chippy é comparado ao sistema, a bagagem prossegue na esteira para diversos pontos de controle. Em cada um, a etiqueta é lida e um registro da hora é gravado no banco de dados, criando uma trilha.
Quando a bagagem chega ao fim de sua check-list de segurança, é hora de embarcar. As leitoras de etiqueta ajudam a encaminhar a mala para um carrossel onde a lista de bagagem do vôo é criada. Este ponto de entrega é registrado no banco de dados Oracle para que os encarregados saibam que ela está pronta para embarcar e a companhia aérea possa rastrear o tempo médio que uma mala leva para passar por verificação.
Adeus Las Vegas
Para Chippy, este é o fim de sua utilidade no McCarran Airport. Mas Ingalls acredita que as companhias aéreas vão se beneficiar dos chips embutidos para ajudar os passageiros a rastrear suas malas e acelerar check-ins de viajantes freqüentes. O executivo também acha que a tecnologia RFID vai ajudar a reduzir o tempo mínimo de conexão necessário para que a bagagem seja transferida de um vôo para outro.
Além de velocidade e mais segurança, economia é outro dos benefícios da tecnologia RFID. Afinal, a perda ou retardo de bagagem custam às companhias aéreas a média de 100 dólares por passageiro.
As companhias aéreas que locam espaço no aeroporto também estão empenhadas em contar com a tecnologia para suas próprias operações. "Tentamos montar um sistema que é aberto do ponto de vista de padrões, flexível e escalável. No momento, a utilidade do chip cessa com o vôo, mas brevemente as companhias aéreas vão usar a etiqueta para as mais diversas aplicações", acredita Ingalls.
Depois que as malas deixam a capital mundial do jogo, o destino do Chippy é incerto. A etiqueta pode estar em um vôo para Xangai, Berlim ou São Paulo; a bagagem pode pertencer a um participante de uma convenção, a um apostador, a recém-casados... Quando os viajantes pegam suas malas no destino, Chippy provavelmente será retirado e jogado fora imediatamente. Ou pode permanecer em uma mala dentro de um armário escuro durante meses. Isso se Chippy não acabar em algum álbum de casamento.
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