Tecnologia
SOA: incessante busca por agilidade
Ainda em fase embrionária no Brasil, a adoção de SOA é muito discutida por executivos de TI, que precisam entender que é impossível começar um projeto dessa dimensão sem antes instaurar uma política de governança
Por Fernanda K. Ângelo
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Para reafirmar sua velha e contínua busca por mais agilidade e produtividade, o mercado criou mais um paradigma daquilo que seria a estrutura ideal por trás dos sistemas de TI nas grandes organizações. A bola da vez é a arquitetura orientada a serviços, ou SOA, que promete transformar redes rígidas em sistemas flexíveis, com aplicativos capazes de compilar componentes de TI distintos para atender às demandas de negócio.
Em suma, SOA prevê o reuso de componentes para o desenvolvimento de diferentes serviços e, conseqüentemente, a eliminação do retrabalho e o aumento da produtividade. Um modelo cuja força motriz está na unificação da plataforma tecnológica de desenvolvimento de aplicações.
"Com SOA, apesar das funcionalidades particulares de um determinado produto, aquele criado com base no original manterá suas características básicas", explica Aminadab Nunes, diretor de tecnologia da Ci&T. De acordo com o Gartner Group, SOA vai desviar o foco atual em ferramentas e suítes de produtos para ofertas modulares que, mesmo sendo de fabricantes distintos, poderão ser combinadas por um integrador de sistemas.
Linguagem comum
Para Gustavo Gattass Ayub, consultor sênior de sistemas da Sybase no Brasil,
SOA surgiu para, mais do que reduzir custos, resolver problemas como a busca por mais agilidade das equipes de TI. Segundo ele, SOA tem o objetivo de padronizar o desenvolvimento. "Mais do que apenas reduzir custos, deverá resolver problemas como a busca por mais agilidade das equipes de TI. Não é a cura para todos os males, mas deve colaborar significativamente para um desenvolvimento mais ágil", sugere o consultor.
As constantes mudanças no mundo dos negócios exigem uma enorme capacidade de ajuste da área de tecnologia. E, como as empresas atualmente adotam arquiteturas muito complexas, usadas por inúmeros profissionais, TI muitas vezes se torna um impeditivo para o negócio. "Em um mercado muito competitivo e sujeito a regulamentações, o ciclo de implementação com duração de um ano passa a ser inviável, e o problema está exatamente na arquitetura que as empresas utilizam para desenvolver partes de seus sistemas", comenta Ayub. "Com SOA, a partir do entendimento do negócio, os profissionais de TI vão criar partes de sistemas capazes de facilmente se integrar com as demais", completa.
Marcos Pupo, gerente-geral da BEA Systems, explica que SOA não é uma tecnologia, mas uma estratégia de TI em que tecnologia é apenas um dos pilares de sustentação, juntamente com a adoção das melhores práticas e de pessoas capacitadas.
O executivo acredita que a disseminação de SOA implicará uma mudança no perfil dos profissionais de TI. "Vamos observar um aumento de poder nas mãos dos analistas de negócios e tecnologia", prevê. Com a adoção do novo modelo para o desenvolvimento de aplicações e sistemas, o analista, que hoje tem a tarefa de entender as necessidades de negócios e transmiti-las para a equipe de TI, passará a analisar, baseado naquilo que já existe, o quê e como pode ser reutilizado. "O desenvolvimento não pode mais ser departamental. O analista não vai mais apenas passar a solicitação para TI", defende o executivo da BEA. "As equipes demandarão pessoas que conheçam os negócios, que tenham uma visão horizontal da empresa", afirma Pupo.
Especialistas do Gartner dizem que SOA permitirá aos profissionais se concentrarem em questões de negócios, às pessoas de TI se concentrarem em tecnologia e, ambos os grupos colaborem entre si.
Aminadab Nunes, diretor de tecnologia da Ci&T, prevê que, como a maioria das empresas já decidiu pela infra-estrutura com suporte para aplicações escritas em J2EE ou .Net, a tendência é que essas linguagens sejam parte do padrão das aplicações baseadas em SOA.
Governança é imprescindível
Apesar de todo o frenesi que SOA vem causando no mercado, os especialistas em TI afirmam que sem governança, a nova estratégia de desenvolvimento não vai a lugar nenhum. O Gartner alerta: "Alcançar os benefícios prometidos pelo SOA exige uma política de governança bastante disciplinada". Pupo, da BEA, concorda ao dizer que a prática é uma questão crítica a partir do momento em que SOA envolve as diversas áreas da companhia. "Com SOA, as demandas de TI passam a ser, mais do que nunca, demandas compartilhadas. Os custos não são mais somente de TI", afirma. "A nova arquitetura exige um planejamento de longo prazo."
Nunes, da Ci&T, lembra que muitas organizações não fazem sequer a gestão de seu portfólio, daí a dificuldade para evitar retrabalhos, por exemplo. "Falta governança não só em TI, mas na própria arquitetura corporativa", dispara. "Por tratar-se de uma arquitetura, de um padrão, SOA pressupõe a revisão de processos, mentalidade, treinamento de pessoas e desenvolvimento de novos sistemas", diz Nunes.
Médio a longo prazo
Um estudo realizado pelo Gartner aponta que a crescente popularidade do SOA tem feito fornecedores de softwares se movimentarem, trazendo para o mercado novas tecnologias, soluções e mesmo diretrizes. As previsões do instituto dão conta que em 2010, mais de 50% das grandes empresas terão estabelecido um portfólio de sistemas sob o padrão SOA em busca de uma plataforma unificada de negócios.
Outro levantamento, este encomendado pela BEA Systems para a InfoWorld, ouviu cerca de mil empresas nos Estados Unidos para saber até que ponto SOA faz parte de seus projetos futuros de TI. Ao responder à pergunta: "Com respeito a SOA, em que estágio a sua empresa está atualmente?" Apenas 28% dos entrevistados disseram já estar implementando SOA. Desses, somente 35% o fazem por toda a empresa. O estudo ainda indica que 20% das empresas avaliam ou consideram a nova arquitetura, enquanto 21% afirmam não ter planos relacionados à SOA e outros 31% ainda nem pararam para pensar na questão.
É verdade que o SOA ainda passa por um estágio embrionário, especialmente no Brasil. Mesmo assim, fabricantes já adeqüam suas ferramentas à arquitetura e, embora cada um dê a sua definição para a arquitetura e vejam seu desenvolvimento de maneiras distintas, todos eles são unânimes ao dizer tratar-se de algo que não ficará apenas no papel. "A ampla adoção do SOA interessa para todo mundo", assegura Bolonha, da Borland. "A tecnologia envolvida é simples. Tem tendência de virar padrão", prevê Marcos Pupo, da BEA. "Todos estão posicionando suas linhas de produtos para dar suporte a SOA. Não tem mais volta", reforça Ayub, da Sybase.
Resta saber quando os profissionais de TI poderão, de fato, contar com um padrão para o desenvolvimento de aplicativos. Ou, mais simples: quando SOA será realidade nas empresas de todo o mundo.
Siglas parecidas, significados distintos
Nem bem o mercado aderiu ou entendeu exatamente o que significa SOA (Service-oriented Arquitechture), e já surgiu o Soba (Service-oriented Business Application). É interessante saber que, embora relacionadas, as siglas representam coisas diferentes.
Embora diferenciar um termo do outro seja mesmo difícil - ambos são usados para descrever infra-estruturas de desenvolvimento de aplicativos -, a idéia é que Soba pode ser desenvolvido sobre SOA ou qualquer outro modelo ou padrão de infra-estrutura.
Desde que criou a sigla, cerca de dois anos atrás, Charles Abrams, um diretor de pesquisas do Gartner, posiciona Soba como a última encarnação das soluções cliente/servidor - ERP, CRM, entre outras. "Um Soba é um aplicativo cliente/servidor desenvolvido corretamente, criado com base nos padrões dos web services", explica.
Segundo o modelo do Gartner, Soba varia desde uma simples interface XML baseada em um aplicativo atual até uma baseada na mais sofisticada infra-estrutura que ainda possa aparecer. Suas variantes incluem componentes para desenvolvimento de soluções para os mercados horizontal e vertical; suítes corporativas modulares de fabricantes como Oracle e SAP; e Sobas construídos a partir de múltiplos serviços desenvolvidos internamente.
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