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A Juniper nos próximos dez anos

Há dez anos a Juniper se transformou em uma alternativa à Cisco na área de roteamento. Agora, a empresa está desafiando a rival na área corporativa. No ano do décimo aniversário, Scott Kriens, CEO mundial da empresa, compartilha reflexões e projeções para esse mercado.

Por COMPUTERWORLD

25 de abril de 2006 - 01h45
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Há dez anos a Juniper se reposicionou para se transformar em uma alternativa à Cisco na área de serviços de roteamento. Agora, a empresa está desafiando sua eterna rival na área corporativa. No ano do décimo aniversário, Scott Kriens, CEO mundial da empresa, compartilha algumas reflexões e projeções para esse mercado.

NWW - Você conseguiu atingir todas as metas que estipulou nos últimos dez anos?

Kriens – Eu não podia imaginar que veria a bolha, a explosão e tudo o mais que nos deu a oportunidade de lançar a Juniper do modo como fizemos. Receitas de 2 bilhões de dólares, 4 mil funcionários e presença em 75 países é muito mais do que eu tinha em mente há dez anos.Sabia que tinha uma oportunidade, mas não sabia que conseguiríamos fazer tudo o que fizemos, no tempo em que fizemos.

NWW – Como o mercado de roteamento evoluiu nos últimos 10 anos e como essa evolução criou oportunidades para a Juniper?

Kriens – Uma das coisas que debatemos há dez anos era se chamaríamos isso de roteamento. Essa expressão surgiu em 1980 para converter protocolos entre máquinas IBM e Apple e não tinha nada a ver com serviços IP. Não tentamos mudar o mercado no primeiro dia, por isso chamamos esses equipamentos de roteadores. O que aconteceu é que essa infra-estrutura de serviços IP mudou o mundo para os provedores de serviços de todas as áreas. Hoje existe um conceito comum que é baseado em ter uma rede que sabe a fonte e o destino de todos os dados.

NWW – Quais são as conquistas das quais você mais se orgulha e quais são seus fracassos?

Kriens – Conquistas – Eu diria que a criação de uma cultura e das pessoas com quem tive a oportunidade de trabalhar – empregados, investidores, clientes, todos. Para mim, isso vai muito além de qualquer tecnologia que desenvolvemos ou faturamento que geramos.
Fracassos – Nosso maior desafio é manter essa cultura e essa paixão em todos os 4 mil funcionários em 75 países. Era muito mais fácil quando havia apenas 40 pessoas em uma sala. É difícil ficar conectado com cada colaborador e cada cliente. Eu não sei o quanto isso é realista ou não, mas não consigo mais chamar cada pessoa na empresa pelo primeiro nome.

NWW – Como você definiria sua estratégia para redes corporativas?

Kriens – Num nível maior é ser o melhor fornecedor de infra-estrutura para processamento de tráfego e para a entrega de serviços em redes virtuais. Essa oferta pode ser para empresas de qualquer segmento. Hoje, muitas empresas querem o mesmo nível de confiabilidade, segurança e escalabilidade que um grande provedor de serviços.

NWW – Há dez anos o jogo era basicamente em torno da velocidade. Agora o foco é a garantia da aplicação. Você vê a Juniper concorrendo mais com as Microsofts e as IBMs do mundo, já que a área corporativa hoje é muito mais orientada aos softwares e às aplicações?

Kriens – Não. Coloco um data center corporativo de um lado e um estúdio cinematográfico de outro. Nós queremos ser a cola que une os dois, a infra-estrutura inteligente que faz com que um desses elementos alcance o outro. Não queremos atuar no mercado de aplicações e não queremos estar no desktop ou no set-top-box da TV. Há uma oportunidade de mais de 20 bilhões de dólares na área de infra-estrutura inteligente e é isso que queremos.

NWW – Mas não há potencial para uma sobreposição onde a Juniper está atuando e onde essas outras empresas estão posicionadas?

Kriens – Potencialmente, sim. Mas eu chamaria isso de oportunidade para colaboração. Nossa premissa é de que os padrões abertos irão conduzir essa aceitação na próxima geração de TI. A beleza dos padrões abertos é que eles criam uma visão muito clara de onde as empresas estão posicionadas. Sempre há um ou mais jogadores que não admitem isso porque não é do interesse de seus acionistas. Mas isso não ajuda a atender bem ao cliente.

NWW – Parece que há um forte movimento na área corporativa e de provedora de serviços na direção de arquitetura orientada a serviços. Você pensa em ter um produto ou presença no roteamento baseado em mensagens, como a Cisco já anunciou?

Kriens – Por enquanto não queremos ser a aplicação e não queremos ser o dispositivo para clientes.

NWW – O CEO da Cisco, John Chambers, afirmou que a empresa tem concorrentes em áreas específicas mas não tem um concorrente estratégico na área corporativa. Qual sua opinião sobre isso?

Kriens – Seria bom se isso fosse verdade. Qual o percentual de usuários hoje que já converteram sua infra-estrutura de redes para uma base simples de multisserviços IP, com segurança integrada e desempenho de aplicações? O número não está longe de zero. Se isso for verdade, é difícil acreditar que as oportunidades passaram por nós. Há muito o que ser feito. É difícil acreditar que estamos disputando um jogo que já acabou.

NWW – Então quais são os fatores de sucesso para você atingir esse mercado?

Kriens – Foco. A chave para nosso sucesso é nos manter focados na pessoa que tem o dispositivo na mão. E o que não vamos fazer é presumir que porque existem oportunidades lá fora essa é uma razão automática para estarmos liderando esse mercado. Ninguém tirou a IBM do mercado de mainframes e acredito que nunca tirará. Também não vejo a Apple tirar a Microsoft do mercado de desktop. Estamos focados em infra-estrutura inteligente e a história mostra que é muito difícil atacar ou eliminar empresas com foco que tem a oportunidade de se posicionar corretamente.

NWW – Como você vê a Juniper daqui a 10 anos, no seu vigésimo aniversário?

Kriens – Eu espero que estejamos ainda por aqui, posicionados na porta da frente.

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