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Tecnologia

Dinossauros, sim. Mas em boa forma

Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD

30 de outubro de 2006 - 19h04
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Vida longa ao legado
Atualmente 50% dos negócios fechados no Brasil pela CA estão relacionados a mainframes. Na Compuware, metade da receita também é procedente da tecnologia. Embora não cite números, a IBM comenta que esse mercado é igualmente importante para suas operações no País. Mas quais são as principais fontes de receitas desses fornecedores?

Algumas das respostas podem ser facilmente encontradas naquelas companhias que acreditam que manter os sistemas legados ainda é de vital importância para suas operações. O Banco do Brasil é um bom exemplo disso e conta com apoio de fornecedores externos para fazer valer sua premissa: de que os sistemas legados não são um fardo, mas ferramentas capazes de trazer diferenciais competitivos. “O legado será um diferencial competitivo se melhorar os negócios da empresa e permitir a integração com as novas aplicações. O lema é inovar a partir do investimento anterior”, comenta Glória Guimarães, diretora de TI do banco.

Segundo a executiva, hoje o BB mantém uma capacidade de 109 mil MIPS no mainframe, destinada a processar, por mês, 1,7 bilhão de transações de clientes. Como migrar para outro tipo de plataforma não está nos planos do banco por enquanto, a instituição tem trabalhado para extrair o melhor dos sistemas atuais e integrá-los com novas estruturas. “Adotamos o conceito de data center multiplataforma, no qual as tecnologias mais modernas – como J2EE e Web Container, entre outras – são executadas em ambiente distribuído e as mais tradicionais, como o Cobol, rodam em ambiente mainframe”, comenta.

O Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) é outro órgão público que não pensa em se desfazer totalmente dos legados com migrações, mas tem recorrido à estratégia sob demanda para aliviar as pressões por custos. A instituição possui um mainframe Z/OS390 e adota a modalidade de licenças de software WLC (Work Load Charge), sendo que o pagamento é feito por “tasks” e não mais por MIPS. “A modalidade trouxe uma redução de 52,5 milhões de reais em três anos”, comenta Antônio Sérgio Cangiano, diretor de TI do Serpro.

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Na mesma linha, Glória Guimarães, do BB, comenta que custos e dependência com os fornecedores são aspectos que preocupam em relação aos mainframes. “Mas mesmo assim não vamos acabar com os sistemas legados, embora seja necessário melhorar a gestão dos gastos”, ressalta.

E o futuro?
Apesar de o mercado continuar aquecido, é inegável que as oportunidades em mainframes não são as mesmas de outrora, especialmente quando o debate recai sobre hardware. No mundo, em 1999, foram vendidos 24 mil mainframes, volume que caiu para 12 mil no ano seguinte. Em 2005 esse volume foi reduzido a um quinto, com 4,6 mil equipamentos comercializados. “No fim da década de 90 a demanda foi justificada principalmente com o bug do milênio, com as empresas tentando preparar sua estrutura. Como tudo aquilo que se comentou na época não aconteceu, tem havido uma queda gradual”, comenta Roveri, da IDC.

Ivair Rodrigues, da consultoria IT Data, aponta a intensificação do movimento de migração para plataformas baixas especialmente no segmento de manufatura, mas não acredita em movimentos muito agressivos nesse sentido. “Não necessariamente o número de mainframes vai cair, mas o volume de empresas que optam pelo downsizing – migração para plataformas baixas –, com exceção dos bancos, vai com certeza aumentar”, ressalta.

O executivo da IDC também aposta na intensificação das migrações e acredita que o lado positivo do movimento poderá ser percebido inclusive pelos usuários que continuarem optando pelos próprios mainframes. “Haverá crescimento significativo no mercado de equipamentos x86 e essa competição vai trazer uma redução de preços nos mainframes. A linha Z9 da IBM é um exemplo disso. Quem ganha com essas mudanças são os próprios usuários.”

Não há como negar, obviamente, que pelo lado dos fornecedores a dependência mencionada por boa parte dos usuários de mainframes é benéfica – embora não seja sinônimo necessariamente de negócios garantidos por vários anos. Como não são poucos os fornecedores que ainda apóiam a totalidade ou boa parte de seus negócios nos mainframes, inovação e uma afinação maior das propostas com os interesses e o bolso do cliente podem trazer resultados significativos. E contratos ainda mais duradouros.

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