Tecnologia
Robô rastejante recria passos dos primeiros animais que pisaram em terra
Salamandras, que habitaram a Terra há 165 milhões de ano, dão pistas para entender como evoluiu a locomoção terrestre.
Por Peter Moon especial para o IDG Now!
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Salamandras são bichos muito antigos. Elas já se contorciam e serpenteavam pelo chão há 165 milhões de anos bem no meio da era dos dinossauros. Mas sua origem é ainda mais remota. As salamandras são descendentes diretas dos primeiros vertebrados que saíram do oceano para se aventurar em terra firme.
Isso aconteceu no período Devoniano, há longínquos 350 milhões de anos. É por estas e outras que não existe no mundo candidato melhor para estudar se a meta é entender como evoluiu a locomoção terrestre.
>Fotos: veja o robô rastejante
Num feliz casamento entre biologia e robótica, neurocientistas da EPFL - Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça, e da Universidade de Bordeaux, na França, construíram uma salamandra robótica - e muito simpática! -, informa a revista americana Science . A danadinha mede 85 centímetros "do focinho a ponta da cauda".
Vídeos:
> Veja como se movimenta uma salamandra viva
> Agora, veja o movimento da salamandra robô.
Não satisfeitos em fazê-la rastejar, os pesquisadores criaram um ser artificial anfíbio. Além de andar, ela nada com desenvoltura pelas águas geladas do lago Léman, que banha a cidade suíça de Lausanne.
A criatura amarela e quadrúpede demonstrou que os robôs podem ser empregados para testar e verificar conceitos biológicos.
Os pesquisadores criaram um modelo teórico do funcionamento da coluna vertebral das salamandras para analisar questões fundamentais relacionadas ao movimento dos animais como, por exemplo, quais foram as modificações exigidas na coluna que tornaram possível a locomoção evoluir da água para a terra?
Construída a salamandra robô, seus movimentos foram estimulados a partir de simples sinais elétricos, como aqueles emitidos pelo cérebro para a coluna, só que disparados sem fio desde um laptop acionado pelos cientistas. Os sinais foram suficientes para fazer o robô mudar a sua velocidade e direção, assim como alterar seu movimento, de andar para serpentear para nadar (veja o vídeo).
“Usamos o robô para mostrar que o nosso modelo reflete de fato a realidade. Os movimentos gerados são muito parecidos com aqueles de uma salamandra de verdade”, explica o líder da pesquisa no EPFL, o professor Auke Ijspeert.
Segundo ele, o objetivo da pesquisa é, em última instância, adquirir uma melhor compreensão dos circuitos sofisticados que operam a coluna vertebral do ser humano. Se os controles que são enviados do cérebro para a coluna puderem ser identificados, talvez seja possível um dia estimular estes mesmos impulsos elétricos em pacientes com lesões na coluna, fazendo-os voltar a ter sensibilidade e, quem sabe?, andar.
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