Tecnologia
Pentágono testa tecnologia de asas variáveis em supersônico não-tripulado
São Paulo - A Asa Voadora Oblíqua é o primeiro supersônico não-tripulado com asas de geometria variável que varrerá os céus do planeta.
Por Peter Moon especial para o IDG Now!
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Ingredientes: pegue um jato supersônico de última geração, demita o piloto e ponha um robô no seu lugar. A seguir arranque a cauda e o leme, e jogue tudo fora. Não esqueça de desaparafusar as asas do corpo da fuselagem.
Complete o querosene do tanque e programe o avião para decolar. Aí é só ficar olhando ele alçar vôo e ficar balançando as asinhas de um lado para outro. Se você acha que este repórter que vos escreve está com graça ou então andou bebendo algo que não devia, está enganado.
Mas que os engenheiros da gigante aerospacial Northrop Grumman, responsáveis por este avião não-tripulado, devem ter um parafuso a menos, lá isso devem. Não só eles como também os militares de alta patente da DARPA, a agência de pesquisa do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, donos de um bolso com dezenas de bilhões de dólares.
É que eles resolveram em 2006 bancar a pesquisa de uma aeronave absolutamente extraordinária, a Asa Voadora Oblíqua (ou oblique flying wing - OFW), o primeiro supersônico não-tripulado com asas de geometria variável que varrerá os céus do planeta.
O objetivo do Pentágono com a sua Asa Voadora Oblíqua é, em primeiro lugar, testar a sua viabilidade. Em caso afirmativo, a nova tecnologia poderá vir a ser aplicada em aviões de combate.
> Veja as fotos do avião
As vantagens em tese são consideráveis. Dependendo da velocidade, as asas variam sua angulação com relação à direção do vôo, reduzindo o arrasto da aeronave e aumentado sua eficiência aerodinâmica, o que se traduz por maior velocidade e autonomia com menor consumo de combustível.
Assim, em baixas velocidades o ângulo das asas é mais aberto, quase perpendicular em relação à fuselagem, como nos aviões tradicionais, o que favorece a estabilidade do vôo. Submetida às altas velocidades, no entanto, as asas giram para assumir um ângulo mais fechado, como as lâminas de uma tesoura que se fecha, reduzindo o arrasto supersônico.
A primeira fase do projeto, orçada em US$ 10,3 milhões, visa a tirar um projeto da prancheta até o fim de 2007. A partir daí será construído um avião experimental, com teste de vôo estão previsto para 2010 ou 2011.
“O que visualizamos é um avião-X. Assim como o X-1 ou o X-29, a Asa Voadora Oblíqua irá demonstrar uma tecnologia que só pode ser provada em vôo”, explica Thomas Beutner, gerente do programa da Asa Oblíqua na DARPA.
Beutner se refere à enorme linhagem de aviões secretos da Nasa, como X-1, que em 1947 fez de Chuck Yeager o primeiro homem a romper a barreira do som – como foi celebrizado no filme Os Eleitos (The Right Stuff, 1983).
Por falar em Nasa, a primeira experiência da agência espacial americana com asas oblíquas aconteceu em 1976, com um pequeno aeromodelo teleguiado.
Provado o conceito, ele evoluiu entre 1979 e 1982 para testes de vôo com o avião experimental AD-1. Além de tripulado, ele possuía fuselagem e cauda convencionais, mas asas oblíquas que rodavam até 60 graus com relação ao corpo da aeronave.
Atualmente, a Nasa desenvolve um novo projeto com asas mórficas, quase mutantes, ponta-pé inicial de um conceito que pode revolucionar a aviação ao longo deste século.
Para quem não sabe a DARPA, a mãe da Asa Voadora Oblíqua, é a mesma agência que financiou nos anos 60 uma rede de computadores projetada para sobreviver incólume à III Guerra Mundial, e que acabou virando a internet nossa de todos os dias.
E que ninguém duvide do arsenal tecnológico da Northrop Grumman. Criadora do superbombardeiro B-2 e do mais novo interceptador da Força Aérea dos EUA, o Joint Strike Fighter F-35, a empresa desenvolve neste instante o sucessor do telescópio espacial Hubble. Batizado de James Webb Space Telescope, entra em órbita em 2013.
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