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Tecnologia

Saiba como tirar proveito do MPLS

Os serviços de redes de grande cobertura (WAN) são vitais às corporações com operações dispersas. Para elas, o multi-protocol label switching (MPLS) é uma boa pedida.

Por COMPUTERWORLD

17 de maio de 2007 - 07h35
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A menos que você mantenha uma grande distância da infra-estrutura de TI da empresa, já ouviu falar nos benefícios de serviços baseados em multi-protocol label switching. O MPLS possibilita integrar voz, vídeo e dados em uma plataforma comum que fornece qualidade de serviços (QoS), aprimora a performance e a disponibilidade e oferece uma variedade de serviços de interconexão de LAN (redes locais) e VPN (redes privadas virtuais).

Além disso, MPLS provê uma gama escalável de serviços: ao contrário de frame relay, projetado originalmente para operar a velocidades abaixo de T3 (45 Mbits), ou ATM, cuja largura de banda mínima era T1 (1,5 Mbits), serviços baseados em MPLS escalam de largura de banda baixa a muito alta (não há limite superior definido).

Levantamento recente realizado pela Nemertes Research indica que a percepção favorável à estrutura quase dobrou entre 2004 e 2006, com mais de 50% dos participantes dizendo que estavam usando ou planejavam usar serviços baseados em MPLS ao final de 2006. Ao mesmo tempo, o interesse por serviços como frame relay e ATM está caindo drasticamente.

Assim, reunimos neste artigo um teste que você pode fazer para descobrir se MPLS é a opção certa para sua rede e um guia em três etapas para migrar para MPLS.

Migração em três passos
O primeiro passo na hora de definir uma migração para MPLS é avaliar as demandas de rede da companhia. Com esse diagnóstico em mãos ficará muito mais fácil a tarefa de mudança da infra-estrutura.

A lista básica de verificação contempla 7 pontos:
1. Número de sites e largura de banda necessária para cada um.

2. Dispositivos e configurações de dispositivos.

3. Aplicações. Quantas a companhia tem? Quais são? Com que freqüência são usadas e por quem?

4. Características das aplicações. Descreva as características de rede de cada aplicação. Elas são insensíveis a latência? Ou interativas? Em cenários de uso típicos, quanta largura de banda consomem? Como isso varia por hora/semana/mês/ano?

5. Outras redes. Inclua aplicações que possam estar em outras redes, especialmente vídeo e voz. Você vai querer documentar seu uso atual e planejado de voz, vídeo e conferência.

6. Planos futuros. Os requisitos de capacidade de rede podem mudar drasticamente quando aquela nova aplicação de gestão entrar em produção em 2009. Assim, inclua aplicações futuras em sua análise.

7. Documente o melhor possível suas garantias de disponibilidade e serviço atuais. Você precisará delas para criar SLAs (acordos de nível de serviço) com seus fornecedores.

De posse desse raio-x é hora de passar para a prática e sair em busca de propostas. Na elaboração de uma RFP (request for proposal), alguns pontos-chave são específicos de serviços baseados em MPLS, incluindo timing, tipos de serviços e interfaces rede-rede.

A antecedência com que a empresa deve iniciar este processo depende do número de sites, do número de geografias e do estado inicial de sua infra-estrutura. Mas qualquer RFP abrangente deve ser iniciada no mínimo seis meses antes da ativação do circuito desejado – analistas do mercado indicam que oito meses é o tempo ideal.

Quanto a tipos de serviço e acesso, existem muitas variedades disponíveis. Da perspectiva do usuário, a distinção maior está nas tecnologias de acesso: os serviços são fornecidos através de conexões de cobre ou ópticas? E quanto a opções wireless? A operadora está fornecendo Ethernet nativo, IP ou serviços legados como frame relay e ATM? Usuários remotos podem ser conectados via VPNs?

Para se preservar e evitar dores-de-cabeça com essas questões, é bom pedir aos provedores detalhes de cada serviço proposto, incluindo as especificações em que se baseiam e o equipamento que estão usando.

Outra recomendação é tentar manter todas as localidades da companhia na rede de uma única operadora (com a possível exceção de ter múltiplas operadoras linkando a sites críticos para redundância).

Perguntar sobre as estratégias para NNI (interfaces rede-rede) de suas operadoras também é de bom tom, principalmente porque poucos fornecedores oferecem SLAs de ponta-a-ponta fora de suas estruturas. Quanto mais você sabe, maior a eficácia com que pode gerenciar conexões entre operadoras.

O monitoramento contínuo deve ser uma preocupação (e objeto de uma reserva financeira). A questão fundamental é: “sua operadora vai assegurar-lhe que o fornecedor vai monitorar tudo que você precisa?” Pode-se confiar nas respostas, mas não custa nada verificar se o discurso é aplicado no dia-a-dia – você vai querer suas próprias ferramentas para manter a operadora honesta.

Avalie, também, as opções de backup. Por fim, não esqueça de certificar-se quanto à qualidade de serviço e garantias de nível de serviço. A maioria dos fornecedores tenta esquivar-se destes detalhes – não permita que isso aconteça.

A hora de implementar
Depois de receber respostas para a RFP, cabe à área de TI arregaçar as mangas e mergulhar nos detalhes. Primeiro é preciso peneirar as respostas até chegar a uma pequena lista de duas ou três operadoras capazes de satisfazer os requisitos da companhia e, junto com elas, elaborar acordos que atendam às metas técnicas, financeiras e operacionais.

A área de TI deve levar em conta o fato de que a utilização mudará à medida que a largura de banda se tornar disponível e que isso poderá afetar termos e condições do contrato, em especial um compromisso de faturamento mínimo anual.

Abstenha-se do compromisso de comprar volumes específicos de determinados tipos de serviço, como voz, em favor de compromissos combinados gerais.
A recomendação é traçar planos para enfocar os seguintes aspectos:

- Mapeamento dos requisitos de aplicações para a classe de serviço apropriada. Os técnicos da operadora não vão entender, necessariamente, que a aplicação de ERP da empresa é de missão crítica e demanda desempenho em tempo real. Em colaboração com eles, a área de tecnologia precisa definir e orçar uma rede que ofereça os serviços adequados para as aplicações atuais e planejadas.

- Suporte contratual à estratégia para o futuro. Se a corporação pretende migrar para VoIP (voz sobre IP), vai querer ter a garantia de que o contrato não a penalizará por fazê-lo. Mais especificamente, se for preciso aumentar a largura de banda para acomodar tráfego de voz e vídeo, certifique-se de que os circuitos de acesso possam agüentar a carga e que o contrato não inclui cláusulas que tornem as ampliações proibitivas em termos de custos.

- Planejamento e expansão de capacidade. A análise dos termos e condições sob os quais as operadoras vão expandir a rede da empresa, seja acrescentando novos sites ou aumentando a largura de banda de sites existentes, não pode ser esquecida. Nem quanto vai custar e quanto vai demorar.

Também é aconselhável fazer o máximo possível deste trabalho de “pré-design” antes de assinar o contrato e certificar-se de que a companhia entendeu exatamente o compromisso que está assumindo. Quem seguir as sugestões aqui mencionadas deve ter um processo de ativação do serviço razoavelmente direto, até mesmo sem problemas.

Prova dos nove
MPLS é a escolha certa para você? Responda o teste e descubra se a opção é a mais adequada para sua rede

1. A convergência faz parte dos seus planos ou você já está envolvido em uma iniciativa de convergência?

2. Sua organização é altamente distribuída e tem muitos sites com pequena a média largura de banda?

3. Sua organização é global?

4. Sua organização vê a tecnologia como um diferenciador competitivo?

Resposta
Se você respondeu “sim” a três ou mais perguntas, é quase certo que vai querer seguir em frente com uma requisição de proposta para MPLS. Se respondeu “sim” a duas, deveria cogitá-la seriamente.

Opinião do Leitor
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