Tecnologia
Economia instável nos EUA e pressão da Intel prejudicam AMD
Analistas dizem que novos produtos não dão fôlego para que fabricante enfrente rival e a economia instável nos Estados Unidos.
Por Computerworld, EUA
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Apesar de ter anunciado o lançamento de alguns novos produtos no mês passado, a AMD não tem sido capaz de suportar os golpes da Intel e da instabilidade econômica.
A fabricante de chips anunciou na última segunda-feira (07/04) que vai cortar 10% de sua força de trabalho, ou cerca de 1.600 funcionários, até o terceiro trimestre deste ano com o objetivo de cortar custos. Além disso, a companhia está revendo suas expectativas de resultados para o primeiro trimestre deste ano, para atender “à queda nas expectativas de vendas em todos os segmentos de negócios”.
É um golpe duro para uma empresa que parecia ter encontrado seu caminho depois dos erros cometidos em 2007. No ano passado, a AMD enfrentou atraso no lançamento de produtos, problemas financeiros e a perda de participação de mercado.
Ao mesmo tempo, a Intel está esquentando suas turbinas com o lançamento de chips quad-core e uma família de processadores de 45 nanômetros – todas à frente da AMD.
“Não é um período feliz para a AMD. Eles estão em um mercado em que tudo depende da economia norte-americana. Se você está tentando pagar a prestação de sua casa ou a escola de seus filhos, a última coisa em que você pensar é em um novo notebook. Além disso, eles vêm sendo pressionados pelo ressurgimento da Intel no mercado de servidores. Estes dois fatores combinados representam muita pressão”, avalia Charles King, analista da Pund-IT.
Jim McGregor, analista da In-Stat, acredita que a AMD pode estar no caminho da recuperação após o lançamento de seus produtos em março. Ele lembra que estes novos produtos não tiveram a chance de fazer caixa – ainda. “É bom vê-los lançando novos produtos, mas ninguém ganha mercado tão rapidamente. Eles não tiveram impacto no mercado por alguns trimestres e ainda têm algumas questões a resolver”, afirma o analista.
Para McGregor, a pior coisa que a AMD fez ao longo do ano passado foi se manter em silêncio, o que criou desconfiança em relação à sua visão e credibilidade. “Eles precisam reconstruir ambos. Devem reconstruir credibilidade sendo capazes de seguir seu cronograma de lançamentos e mostrar que seu gerenciamento tem visão sobre o que a indústria está fazendo e como eles podem suportá-la em diferentes mercados”, afirma.
Há cerca de uma semana, Richard Gordon, analista do Gartner, disse que o setor de semicondutores está em queda em todo o mundo e que não vê sinais de melhora em curto prazo. O segmento cresceu apenas 3,8% em 2007 o que, para uma indústria acostumada a crescimentos na casa dos dois dígitos, não foi uma boa notícia.
“As altas taxas de crescimento dos anos 90 estão no passado agora. Não vejo nada no horizonte que possa repetir este crescimento em um futuro próximo. Estamos falando de longo prazo, ou para sempre”, profetiza Gordon.
McGregor afirma não acreditar que a indústria de chips esteja tão mal, apesar dos contínuos problemas da AMD. Ele afirma que há uma série de equipamentos populares no mercado e interesse suficiente neles para que a indústria de processadores continue a crescer.
“Sim, há algumas quedas, mas o crescimento na área de eletrônicos ainda parece bastante positivo. O crescimento de dois dígitos não será mais tão fácil, mas ainda existem muitos aparelhos e novos mercados”, afirma McGregor.
Dan Olds, analista do Gabriel Consulting Group, disse que há mais preocupações em torno da situação da AMD em particular do que em relação à indústria como um todo.
“Eu perdi um pouco da fé na AMD. Eu me tornei um grande fã quando eles lançaram o Opteron e agora espero que eles reencontrem seu caminho. A pior parte é que eles devem bater a Intel, ou vão se tornar a segunda opção de baixo preço para baixo desempenho”, diz.
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