Tecnologia
Integração: mundo IP fala com protocolo de início de seção
O protocolo de iniciação de seção, ou simplesmente SIP, é o padrão que vem sendo adotado globalmente para as comunicações unificadas.
Por Flávia Yuri, do COMPUTERWORLD
Acrônimo em inglês para protocolo de iniciação de seção, o SIP foi o padrão escolhido pela indústria de telecomunicações e de TI para comunicações IP. O SIP possibilita a integração de diferentes dispositivos, softwares de comunicações, além de outros protocolos de transporte e segurança.
A primeira especificação para o padrão foi criada em 1999 e a segunda versão, que está em uso atualmente, foi liberada em 2005, mas sua adoção em massa teve início há cerca de dois anos. “De dois anos para cá, os clientes passaram a exigir a padronização das soluções IP”, afirma Gisele Bona, gerente de marketing e novas tecnologias da Avaya do Brasil.
Criado para o uso com comunicações IP, o SIP tornou-se o padrão para os sistemas de comunicação unificada por permitir a integração de recursos multimídia. O padrão pode ser usado com diferentes protocolos de transporte no mundo IP (UTP, TCP, SCTC), com protocolos de segurança e diversos softwares de comunicação. Isso possibilita que ele identifique e faça a conexão com celulares, e-mails, chats e telefones IP, independentemente da plataforma embarcada nesses aplicativos.
Em linhas gerais, o SIP funciona como um protocolo peer-to-peer que constrói uma base IP, a partir da qual novas funcionalidades e aplicativos podem ser agregados. “O SIP ganhou a disputa contra outros protocolos de comunicação por propiciar maior capilaridade”, afirma Marcelo Ehalt, diretor de engenharia da Cisco. Para o executivo, o pulo do gato do SIP é o fato de ele trabalhar com modelo distribuído de inteligência, sem necessidade de ter um núcleo, o que possibilita a aderência do padrão a diferentes tecnologias.
Alguns dos principais facilitadores da capacidade de integração do SIP são o fato de o padrão ser totalmente aberto e o modelo de funcionamento dos seus elementos básicos, o SIP User Agent e o Proxy Server.
O primeiro é o responsável pela comunicação do SIP com qualquer software de dispositivo, seja ele o do PDA, o de telefonia IP ou um gateway de voz. O Proxy Server é o responsável por estabelecer e gerenciar as conexões SIP. É ele quem faz o roteamento das chamadas para o meio que deve recebê-las (e-mail, telefone, celular ou chat) e estabelece a conexão.
A facilidade de desenvolvimento e a aderência do padrão fizeram com que o SIP tomasse o lugar até mesmo de tecnologias mais maduras, como o H323. “Para se ter uma idéia, a Avaya tem cerca de 700 funcionalidades para o padrão H323, enquanto para o SIP temos cerca de 80”, diz Gisele Bona, da Avaya. Mas o protocolo SIP não deve ficar atrás das demais tecnologias, em número de funcionalidades, por muito tempo. “Todos os dias diversas extensões são criadas para o protocolo”, diz Ehalt, da Cisco.
SIP na prática
Na prática, o uso do SIP nas soluções de comunicações IP permite a substituição do número do telefone celular, o número do telefone IP, o endereço no comunicador instantâneo e o endereço de e-mail por um único domínio pessoal. “O padrão possibilita que a pessoa seja enxergada por essa identificação, independentemente da forma como esteja conectado”, afirma Gisele Bona, da Avaya.
Por esse motivo, o padrão é peça-chave em sistemas de comunicação unificada. Graças ao SIP, nesses sistemas o celular é integrado à rede IP da companhia de forma que seja possível o roteamento de chamadas para o aparelho móvel e o uso do telefone celular como uma extensão do ramal da empresa.
Ainda são poucos os modelos de celulares compatíveis com o padrão, mas é consenso na indústria que esse quadro deve mudar em pouco tempo. “Os fabricantes de celulares e smartphones não terão como deixar o SIP de fora, sob risco de serem protelados no ambiente corporativo”, afirma Ehalt, da Cisco. Entre as marcas que possuem hoje modelos com SIP estão Nokia, HP e HTC.
De acordo com Gisele Bona, um dos principais diferenciais do SIP é o fato de o protocolo possibilitar a inserção de informações de contexto na conexão. Numa aplicação de call center, por exemplo, quando o cliente clica numa funcionalidade para mandar um e-mail ou entrar em chat com a companhia, é possível saber por onde ele navegou no site e ter um histórico das informações acessadas por ele. “O protocolo permite a inserção automática desse tipo de informação no cabeçalho da aplicação”, diz ela.
A demanda pela adoção do SIP em empresas como Avaya e Cisco, líderes no segmento de comunicação IP, dá um bom parâmetro de como a tecnologia está sendo disseminada no mercado. A partir deste ano, todas as soluções da Avaya estarão em conformidade com o padrão. “Nossa solução para pequenas e médias empresas, que até então não era compatível com SIP, foi lançada em março já preparada para conversar com o protocolo”, diz Gisele Bona, da Avaya. Na Cisco, todo o leque de soluções IP já fala a língua do SIP fluentemente.
O SIP e seus elementos básicos:
- SIP User Agent - é responsável pela comunicação do padrão com qualquer software de dispositivo, seja ele o do PDA, o de telefonia IP ou um gateway de voz.
- Proxy Server - responsável por estabelecer e gerenciar as conexões SIP.


