Silverlight: 6 fatores que vão decidir o destino da tecnologia

(http://computerworld.uol.com.br/tecnologia/2008/05/12/desenvolvimento-seis-pontos-para-o-silverlight-vencer)
Por Computerworld, EUA
Publicada em 12 de maio de 2008 - 07h30
Atualizada em 20 de janeiro de 2009 - 10h01

A batalha contra o Flash da Adobe vai definir qual tecnologia vai ser dominar o mercado de RIA (rich internet applications).

Desde a liberação da versão anterior, no ano passado, o Silverlight tem sido alardeado como o “Flash killer” da Microsoft – pronto para desafiar o Flash da Adobe (e ferramentas de desenvolvimento Flex associadas) no espaço multimídia online.

A versão beta do Silverlight 2 (liberado em março) mostrou que a Microsoft, na verdade, tem uma chance de desafiar a extremamente popular plataforma da Adobe. Mas a adoção do Silverlight por desenvolvedores ainda precisa decolar. Na realidade, de acordo com muitos observadores, não se trata apenas de superar, ou simplesmente alcançar, a tecnologia Flash.

Segundo analistas da indústria e desenvolvedores web familiarizados com ambas as plataformas, as chances do Silverlight na arena de desenvolvimento de rich internet applications (RIA) ao entrar no seu segundo ano de existência.

1. Tecnologia da Microsoft na web
Em primeiro lugar, o Silverlight foi concebido para levar o modelo de programação do Windows Presentation Foundation (WPF) aos aplicativos web e, com isso, à grande comunidade de desenvolvedores .Net.

Entre as soluções da Adobe e da Microsoft “não existe uma guerra de recursos, já que cada plataforma pode apregoar algumas vantagens. O Silverlight tem mais a ver com levar o ecossistema de desenvolvedores da Microsoft para a web”, diz Al Hilwa, analista da empresa de pesquisa de mercado IDC.

“Ele permite que a tecnologia da Microsoft tenha uma história de mídia rica para a web. Antes não tinha, agora tem”, explica Jesse Warden, que desenvolve profissionalmente em Flash desde 1998. “Isso significa que eles podem utilizar e usar como interface em grande parte de sua tecnologia”, observa Warden, que também começou a trabalhar com o Silverlight.

Greg DeMichillie, analista da Directions on Microsoft, descreve o Silverlight 1.0 como “limitadamente focado em vídeo. A verdadeira ação tem início com a segunda versão”. Atualmente em beta e com liberação prevista para este ano, o Silverlight 2 deverá seguir mais o tipo de programação GUI “hard core” que a plataforma Flex da Adobe oferece. Vai explorar as tecnologias para desenvolver outros pontos fortes da Microsoft: Visual Studio, C# e .Net Framework.

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“O Visual Studio é o máximo”, elogia Warden. “Eu me pergunto por que o plug-in Eclipse para o Flex Builder não tem algum recurso fantástico do Visual Studio.”

“Tudo indica que o Silverlight 2 será um rival poderoso do Flash e do Flex em um curto prazo. Então a guerra será em torno de onipresença, corações e mentes de desenvolvedores e controle da web”, antecipa Michael Cote, analista da RedMonk.

2. O eterno apelo do desenvolvimento em Flash
Hoje, a Adobe é a líder. Mas o Flash, embora tenha evoluído tecnicamente ao longo dos anos, ainda é um tanto “peculiar” da perspectiva de desenvolvimento pesado, na opinião de Hilwa.

Entretanto, o Flash continua a seduzir a maioria dos web designers e animadores, mesmo com os aprimoramentos que chegaram com a nova versão do Silverlight.

“A versão 1 do Silverlight era OK. A versão 2, definitivamente, é ótima, em especial comparada ao estágio em que se encontra o Flash Player 9”, observa Warden. “De qualquer forma, continuarei com o Flex e o Flash. São mais divertidos e há mais dinheiro a ganhar.”

3. Suporte multiplataforma mais amplo
“Estou sempre esperando que a .Net CLR [Common Language Runtime] seja algo sensacional. Mas, sem sólido suporte multiplataforma de runtime e ferramentas, os benefícios da CLR são limitados a desenvolvedores Windows”, diz Cote. “Se houver um bom recurso multiplataforma e até open source em termos de runtimes e ferramentas, novos desenvolvedores também irão se interessar.”

Na realidade, o conselho de Warden para que a Adobe continue fazendo com que seu sistema Flex seja competitivo com o Silverlight coincide com a visão de Cote sobre o que a Microsoft deve fazer em relação a futuras iterações do Silverlight: “Mantenha forte a mentalidade open source e acompanhe o suporte ao Linux”.

4. Interesse além dos desenvolveres tradicionais
Segundo Warden, a demanda atual por desenvolvimento em Silverlight na sua área é “extremamente baixa”. Um desenvolvedor ocupado recebe “um trabalho por dia para Flash” contra “um a cada quatro meses para Silverlight”, compara. “A maior parte do trabalho para Silverlight acontece porque a empresa é parceira da Microsoft”, revela.

De qualquer modo, os analistas estão observando um interesse significativo em desenvolver sobre esta plataforma, mesmo entre os que não são programadores. “Muitas pessoas que conheço na comunidade de design estão dando uma boa olhada nela”, afirma Hilwa.

DeMichillie vislumbra a possibilidade de o Silverlight fazer avanços na corporação. Pode ser um mercado no qual a Microsoft tem vantagem sobre a Adobe. “A pergunta interessante é quando – e se – as corporações vão recorrer a tecnologias RIA [rich Internet application] para aplicações internas. A Microsoft, claramente, tem presença mais forte junto a desenvolvedores corporativos. Neste momento, o desenvolvimento RIA é predominantemente destinado a web sites públicos”, explica DeMichillie.

5. AJAX, etc
O Silverlight enfrenta não só o Flash, mas também outras tecnologias web amadurecidas e firmemente estabelecidas.

“Sem dúvida, o Silverlight é uma ameaça ao Flash e ao Flex, mas não concorre com outras tecnologias de desenvolvimento, uma vez que empresas como Google e Yahoo dependem da web ser primordialmente baseada em HTML/AJAX para disponibilizar anúncios e outros serviços”, diz Cote. “Uma nova camada de interface com o usuário executando sobre a web poderia ser uma inconveniência para serviços que estão acostumados com a natureza da web.”

Um mix de Java, HTML e outras tecnologias provavelmente vai impor o desafio maior ao Silverligh, acredita  Warden. “Será interessante ver se o pessoal de .Net faz o mesmo que o pessoal de Java está fazendo. A maior parte de .Net que vejo na web é coisa simples HTML/CSS/JavaScript e AJAX”, diz ele em referência a Asynchronous JavaScript e XML.

6. Coexistência no mercado
Instalado em mais de 90% dos PCs conectados à internet, o Flash continuará sendo a opção padrão da maioria dos desenvolvedores web. Por enquanto.

“O Flash Player é onipresente e para todo desenvolvedor isso é fato consumado. Se quiser vencer, o Silverlight também precisa transmitir esta percepção”, diz Warden. “Os usuários não se importam com o que instalam, eles só se importam se o que estão vendo é relevante e interessante.”

Warden acredita que a Microsoft está muito empenhada em ver o Silverlight ter êxito, seja como for. “O volume de dinheiro, tempo e talento que lhe é dedicado me impede de achar que ele não será bem-sucedido de alguma forma.”

Mas a Microsoft terá de usar seu poder de convencimento para fazer um grande número de usuários instalar o Silverlight. DeMichillie estima que o Silverlight precisa estar instalado em 80% dos PCs conectados à internet para que a plataforma se saia bem no mercado e junto aos desenvolvedores, contra o Flash. “A Microsoft sabe que isso é um pré-requisito e está disposta a gastar dinheiro para fazer negócios high-profile, como o que fechou com a NBC para a cobertura das Olimpíadas.”

DeMichillie prevê que, um dia, o Silverlight acabará superando o domínio do Flash, mas acrescenta: “O mercado para estas plataformas se encontra em um estágio muito inicial, portanto, não é um jogo em que um vai fracassar e o outro vai vencer. Até mesmo em um prazo mais longo, acho a coexistência mais provável do que um vencedor abocanhando tudo”.


Howard Wen – Computerworld, EUA