Mais maduros, pólos de desenvolvimento da região Sudeste descolam-se do ambiente acadêmico e ganham vida própria.
A região Sudeste concentra hoje quase 50% da população do País e cerca de 60% do PIB (produto Interno Bruto) nacional. É também a região com maior densidade demográfica – mais de 70 habitantes / km² - e a que tem o maior índice de urbanização, cerca de 90%. Estas características se refletem também em seus pólos de desenvolvimento de software.
As iniciativas existentes hoje no Sudeste não têm tanto foco na retenção de mão-de-obra, como no Nordeste, tampouco o objetivo de criar, por meio da especialização, um mercado até ali inexistente, como no Sul. A mão-de-obra existe, e deve permanecer por aqui, assim como o mercado, um dos mais dinâmicos do País.
Com este perfil, o que a região Sudeste busca é seu fortalecimento como mercado e pólo desenvolvedore neste sentido conta com a participação muito mais efetiva do mercado privado, sem dispensar uma forcinha do governo. Foi o caso do TecVitória, criado na capital do Espírito Santo em 1995, com o objetivo de incubar empresas de TI.
Mapa da Inovação no Brasil:
Software nordestino ganha espaço em outros mercado
Existem mais de 12 pólos de tecnologia do Sul do Brasil
“O foco era atender empresas do setor de metal-mecânica, muito fortes aqui na região funcionou”, conta Vinícius Barbosa, superintendente do TecVitória. Cinco anos depois, um grupo de empresários decidiu que o Estado deveria se recredenciar junto ao Softex e, em 2002, o centro começou a incubar empresas de software e a centralizar todas as outras iniciativas voltadas a este mercado.
Hoje, com 1,2 mil metros quadrados, o TecVitória concentra o Centro Softex Genesis, o Pólo de Desenvolvimento de Software de Vitória, o Parque Tecnológico da cidade, o Centro de Desenvolvimento de Software 3D (criado com investimento de 500 mil reais da prefeitura), o capítulo capixaba do PMI e o Centro de Desenvolvimento de Informática (CDI).
“Temos hoje 80 empresas associadas, estamos participação da reconstrução da Assespro/ES e nossa incubadora tem hoje sete empresas, sem contar outras sete já graduadas”, diz Barbosa.
O superintendente afirma que a convergência – física e de interesses – foi muito positiva para o processo de fortalecimento. Hoje, as empresas ligadas ao TecVitória movimentam cerca de 60 milhões de reais ao ano e empregam 3,2 mil profissionais, 95% deles com formação superior.
Investimentos
Em Petrópolis (RJ) a situação não é diferente. A iniciativa Petrópolis Tecnópolis reúne hoje 72 empresas de software com faturamento médio de 2 milhões de reais e entre 10 a 15 funcionários cada.
“No início queríamos trazer grandes empresas para cá, mas estavam todas em São Paulo. A estratégia migrou para trazer para cá áreas que não tivessem ligação direta com o cliente”, explica Ana Hofmann, gerente-executiva do Petrópolis Tecnópolis.
Com a nova estratégia, o centro conseguiu atrair áreas de desenvolvimento de algumas empresas (foram oito em 2005, cinco em 2006 e quatro em 2007), dando início a um ecossistema que hoje conta também com três incubadoras. “O importante é que as empresas percebam que temos um berço de articulação para o crescimento de empresas aqui”, defende Ana.
Ela reconhece que, em iniciativas deste tipo, a participação do poder público é fundamental. Em Petrópolis, por exemplo, as empresas de software pagam apenas 2% de ISS (Imposto sobre Serviços) e, em alguns casos, conseguem até 80% de descontos porque trocam serviços com a prefeitura.
O apoio vem também de outras esferas: o MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia) investiu 1,5 milhão de reais na criação de uma estrutura de fibra óptica, que estará disponível a partir de 2009.
Em Belo Horizonte, a receita parece ter encontrado seu formato ideal. “Aqui conseguimos conjugar os governos municipal e estadual, instituições de fomento, instituições representativas do setor e academia. Os projetos são discutidos em conjunto e as ações divididas entre todos. Nosso diferencial está em não termos ações isoladas”, revela Mauro Lambert, coordenador da Fumsoft (Sociedade Mineira de Software).
A iniciativa começou em 1999 e hoje a cidade concentra 90% dos profissionais de software de Minas Gerais. Ao todo, são 1,3 mil empresas de desenvolvimento, 55% delas em atividade há mais de cinco anos. Lambert lembra que, na maioria, tratam-se de micro e pequenas empresas: 60% delas faturam até 250 mil reais ao ano e possuem, no máximo, nove profissionais.
Não por acaso, Belo Horizonte gerou, em 2007, 7,2 mil empregos formais na área de software, o que significou um crescimento de 358% desde o ano 2000. Pelas contas de Lambert, se a cidade mantiver o ritmo de crescimento, ela deve se tornar a maior empregadora de profissionais de software já em 2009 (hoje é a segunda).
“Este crescimento vem da convergência de forças e do fato de estimularmos as empresas a desenvolver produtos de maior valor agregado. Hoje temos 43 empresas envolvidas em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação. É um movimento ara nichos futuros como RFID e hardwares especiais para funções específicas”, diz.
Em São Paulo, iniciativas mais antigas mudam suas estratégias para continuar atendendo ao mercado. É o caso de CPqD, que completa 32 anos este ano e, desde 1990, mantém um programa de desenvolvimento de software. “Temos hoje 600 pessoas envolvidas em desenvolvimento de software e mais cinco empresas instaladas em nossa planta”, conta Hélio Graciosa, presidente da companhia.
A vocação para pólo de desenvolvimento se reflete no modelo de negócios do centro, que tem hoje participação em dois centros de pesquisa, quatro empresas industriais e três companhias de serviços, além de outras duas incubadas no próprio centro.
“Este ano iniciamos um programa de spin-offs. Há três idéias sendo examinadas e outras quatro na fila. Em um ano, devemos ter pelo menos três novas empresas no mercado”, diz. O resultado da diversidade: em 2007, o CPqD faturou 14 milhões de reais e o objetivo para este ano é crescer 50%.