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Tecnologia

Dell muda para ficar igual à concorrência

Novas estratégias aproximam fabricante dos concorrentes; Michael Dell defende que é possível fazer o mesmo de maneira diferente.

Por Fabio Barros, do COMPUTERWORLD

13 de agosto de 2008 - 07h00
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Aos olhos do mercado a Dell está cada vez mais parecida com a IBM e com a HP. Nos últimos anos, a empresa abandonou o modelo de venda exclusivamente direta que a notabilizou, criou uma área de serviços e entrou no mercado corporativo. Tudo o que Michael Dell sempre deixou de lado.

Reconduzido ao cargo de CEO da companhia em fevereiro de 2007, Dell reuniu-se no final de julho deste ano com um grupo de jornalistas latino-americanos e europeus e demonstrou estar bastante otimista.

“Se vocês observarem as cinco áreas que elegemos como estratégicas para este ano, verão que estamos crescendo em todas elas”, diz. As áreas são pequenas e médias empresas, mercado corporativo, notebooks, mercados emergentes e usuários finais.

Nem mesmo uma eventual recessão no mercado norte-americano parece preocupar o executivo, que comemora dados da IDC, segundo os quais a Dell cresceu mais de 20% nos últimos três trimestres no mercado norte-americano.

> A Dell anuncia política de canais no Brasil durante o mês de agosto de 2008

No restante do mundo, os números parecem confirmar que o modelo tradicional não tem sido tão ruim para a fabricante: ainda segundo a IDC, no período encerrado em junho deste ano a Dell alcançou nos BRICs (Brasil, Rússia, India e China) crescimento anual de 58% em vendas e de 73% em unidades. Não por acaso, a Dell encerrou o último ano fiscal com 50% de suas vendas feitas fora dos Estados Unidos, e o número deve continuar crescendo.

Para Dell, o mercado global apresenta hoje grandes oportunidades na área de processamento de informações e é preciso saber aproveitá-las. “Não seria uma boa estratégia dizer que somos mais parecidos com a IBM ou com a Apple. Na prática, fazemos a mesma coisa que os outros, só que diferente. Nós vendemos muito mais equipamentos que a IBM, por exemplo”, provoca.

Mesmo na área de serviços, o executivo parece não temer seus competidores, mesmo com a compra da EDS pela HP. “A EDS tinha apenas 3% de um mercado que é muito pulverizado. Hoje, nossa área de serviços fatura 7 bilhões de dólares e vamos continuar crescendo, mas sempre com foco em equipamentos. Nossos serviços vão por um caminho diferente, pensados para ambientes de computação em nuvem”, revela.

Ainda assim, Michael Dell não descarta futuras aquisições, reconhecendo haver a possibilidade de a empresa comprar outras nas áreas de software e, claro, serviços.

“De todo modo, as maiores aquisições que temos feito são de nossas próprias ações. Somos hoje a companhia de TI que detém a maior porcentagem de suas próprias ações: 11%”, disse, sem revelar quanto deste total estaria com sua família.

Para Dell, usar a receita de terceiros com seus próprios ingredientes tem funcionado, pelo menos por enquanto.

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