Tecnologia
Fábrica de semicondutores no Brasil? Possível, mas inviável
Governo transforma o Ceitec em empresa pública e dá um importante passo para a produção de semicondutores no Brasil, mas o sonho ainda está longe de se concretizar
Por Rodrigo Caetano, do COMPUTERWORLD
A chegada de uma fábrica de semicondutores no Brasil foi dada como certa na época da escolha do padrão de TV digital no País. Ao optar pelo modelo japonês (ISDB), o governo usou como justificativa a promessa de construção de uma fábrica por empresas nipônicas, mas isso não chegou nem perto de acontecer.
No último capítulo da novela semicondutores, o Senado aprovou a
transformação para empresa pública do Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica
Avançada (Ceitec), apontada como o embrião da fábrica de semicondutores
brasileira. O centro prometeu, inclusive, uma fábrica de semicondutores no Brasil em 2009.
Falta de infra-estrutura e alta carga tributária são
apontados como os principais entraves para o Brasil receber o investimento para criação dessas fábricas, que gira em torno de 6 bilhões de dólares.
A ansiedade em torno do tema se justifica facilmente. Bilionário, o mercado de semicondutores pode ser considerado um dos mais atrativos entre todos os setores. E há mais do que retornos financeiros.
Essa indústria gera ganhos em cascata para diversos segmentos da economia. “A mão-de-obra em uma fábrica de semicondutores é altamente qualificada. São profissionais que precisam ser os melhores em suas áreas, abrangendo desde físicos e matemáticos até biólogos”, explica Roberto Brandão, gerente de tecnologia da AMD.
Além disso, a indústria de eletroeletrônicos, só no primeiro
semestre de 2008, importou mais de 2 bilhões de dólares de semicondutores,
segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica
(Abinee).
Com a expectativa da Abinee é 18% de crescimento em 2008 para a indústria de telecom e de 14% de crescimento para a de informática, é possível ter uma idéia do tamanho desse mercado só no Brasil.
Mesmo considerando os ganhos que o País teria e a aparente
vontade do governo, o Brasil ainda precisa
trilhar um longo caminho para realizar o sonho. E resolver todos os entraves
neste governo, ou mesmo no próximo, não é uma aposta factível.
Problemas estruturais
“É uma vergonha não termos uma fábrica de semicondutores,
mas perdemos o momento”, afirma Julio Gomes de Almeida, consultor do Instituto
de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). “É uma iniciativa que
colocaria o Brasil no centro de uma indústria de ponta, que estamos de fora”,
completa.
A questão tributária, segundo ele, é o menor obstáculo . “O que ainda é muito caro é o ICMS sobre o investimento, mas
os estados podem conceder incentivos que equiparam as condições brasileiras com
as de outros países”, afirma. O maior problema, na realidade, está mesmo na
infra-estrutura.


