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Fábrica de semicondutores no Brasil? Possível, mas inviável

Governo transforma o Ceitec em empresa pública e dá um importante passo para a produção de semicondutores no Brasil, mas o sonho ainda está longe de se concretizar

Por Rodrigo Caetano, do COMPUTERWORLD

04 de setembro de 2008 - 07h00
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A chegada de uma fábrica de semicondutores no Brasil foi dada como certa na época da escolha do padrão de TV digital no País. Ao optar pelo modelo japonês (ISDB), o governo usou como justificativa a promessa de construção de uma fábrica por empresas nipônicas, mas isso não chegou nem perto de acontecer.

No último capítulo da novela semicondutores, o Senado aprovou a transformação para empresa pública do Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), apontada como o embrião da fábrica de semicondutores brasileira. O centro prometeu, inclusive, uma fábrica de semicondutores no Brasil em 2009.

Falta de infra-estrutura e alta carga tributária são apontados como os principais entraves para o Brasil receber o investimento para criação dessas fábricas, que gira em torno de 6 bilhões de dólares.

A ansiedade em torno do tema se justifica facilmente. Bilionário, o mercado de semicondutores pode ser considerado um dos mais atrativos entre todos os setores. E há mais do que retornos financeiros.

Essa indústria gera ganhos em cascata para diversos segmentos da economia. “A mão-de-obra em uma fábrica de semicondutores é altamente qualificada. São profissionais que precisam ser os melhores em suas áreas, abrangendo desde físicos e matemáticos até biólogos”, explica Roberto Brandão, gerente de tecnologia da AMD.

Além disso, a indústria de eletroeletrônicos, só no primeiro semestre de 2008, importou mais de 2 bilhões de dólares de semicondutores, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).

Com a expectativa da Abinee é 18% de crescimento em 2008 para a indústria de telecom e de 14% de crescimento para a de informática, é possível ter uma idéia do tamanho desse mercado só no Brasil.

Mesmo considerando os ganhos que o País teria e a aparente vontade do governo, o Brasil ainda precisa trilhar um longo caminho para realizar o sonho. E resolver todos os entraves neste governo, ou mesmo no próximo, não é uma aposta factível.

Problemas estruturais
“É uma vergonha não termos uma fábrica de semicondutores, mas perdemos o momento”, afirma Julio Gomes de Almeida, consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). “É uma iniciativa que colocaria o Brasil no centro de uma indústria de ponta, que estamos de fora”, completa.

A questão tributária, segundo ele, é o menor obstáculo . “O que ainda é muito caro é o ICMS sobre o investimento, mas os estados podem conceder incentivos que equiparam as condições brasileiras com as de outros países”, afirma. O maior problema, na realidade, está mesmo na infra-estrutura.

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