Tecnologia
Fábrica de semicondutores no Brasil? Possível, mas inviável
Por Rodrigo Caetano, do COMPUTERWORLD
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Fabricar um semicondutor exige três grandes passos, explica Brandão, da AMD. O primeiro é obter e dar forma ao silício cristalino,
principal matéria prima dos chips. O segundo é, em cima do silício, construir
os processadores. Esta é a etapa mais importante e complexa. Por último, vem a
parte de encapsulamento e conexões elétricas.
O processo é extremamente complicado por conta da miniaturização dos componentes necessários. “Qualquer grão de areia ganha a dimensão de uma enorme rocha”, explica o gerente da AMD. Por esse motivo, uma fábrica de chips precisa de um ambiente especial. Em alguns casos, o processo de corte do silício é feito dentro d’água, que, necessariamente, precisa ser extremamente limpa.
Além deste ambiente, a fábrica precisa produzir em larga escala. Isso porque os investimentos necessários são altíssimos. “Para começar a produzir, demanda cerca de 6 bilhões de dólares de investimentos e sem contar a parte da mão-de-obra”, explica Brandão. Ou seja, mais do que ter a tecnologia, um país precisa oferecer uma série de condições para se tornar atrativo a essa indústria.
Ninguém está disposto a investir essa quantidade de dinheiro
sem ter certeza do retorno. “Não dá para pensar em instalar uma
fábrica de semicondutores no Brasil. Não há infra-estrutura. Não é só
instalar a planta, precisa de gente para produzir insumos, de fabricantes de
roupas especiais, produtos de limpeza, precisa melhorar a logística”, alerta
Henrique Miguel, coordenador geral de microeletrônica da Secretaria de
Políticas de Informática do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).
Ambiente favorável
A solução, segundo ele, é começar a criar um
ecossistema favorável a atração de investimentos nessa área.
Nesse sentido, o
governo agiu bem ao transformar em empresa pública o Ceitec. A empresa terá
sede em Porto Alegre (RS) e ficará vinculada ao MCT. Segundo Miguel, o Ceitec é
parte de um esforço para criar um ambiente favorável à indústria de chips. “Já
foi tentado isso no passado, mas sem sucesso”, disse o coordenador.
Com capacidade de produzir de 200 a 300 lâminas por semana
com tecnologia CMOS (complementary metal-oxide-semiconductor) e em 0,6
micrômetros, a fábrica vai funcionar como uma formadora de mão-de-obra
especializada e suprir algumas necessidades do mercado interno.
Por mais que
ainda esteja bem longe das plantas de empresas como a AMD e a Intel, o Ceitec
pode ser considerado uma iniciativa importante para a inclusão do Brasil no
mapa da alta tecnologia.
“É um novo horizonte. Em outros países também foi assim, começando de baixo”, afirma Miguel. “Com o Ceitec vamos produzir quantidades e tipos de semicondutores que não seriam viáveis em fábricas maiores”, comemora Humberto Barbato, presidente da Abinee. A tecnologia disponível atualmente permite produzir diversos tipos de chips, mas não chega ao patamar necessário para a fabricação de memórias e processadores, explica Miguel.
Com o Ceitec, espera-se que, aos poucos, o Brasil passe a ter toda uma indústria em torno da empresa pública. Dessa forma, o País passaria a chamar atenção dos grandes fabricantes e, daqui a alguns anos, ter condições de se candidatar a entrar de fato no mercado. Resta saber se não vão surgir obstáculos novos durante o processo.
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