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Tecnologia

Aumenta fatia de faturamento de empresas de TI na América Latina

Região aumenta a representatividade nos negócios dos grandes conglomerados de TI ao quebrar barreira dos 2% da receita global e ganha mais peso nas decisões.

Fabio Barros, do COMPUTERWORLD

26 de novembro de 2008 - 07h00
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Durante os últimos anos era muito comum ouvir das empresas multinacionais que a América Latina representava entre 1,5% e 2% de seus negócios globais. Mas isto está mudando.

Várias divulgações de resultados ao longo deste ano mostraram que o centro de gravidade – ou o dinheiro – começa a se deslocar, e os países emergentes respondem por boa parte deste movimento.

Antes da crise, o amadurecimento de determinados mercados e a necessidade de as empresas buscarem novas fontes de crescimento justificavam a guinada. Com a crise, a expectativa é que países como os Estados Unidos e representantes da União Européia reduzam seus investimentos. Assim, aumenta a possibilidade de que a participação da região cresça ainda mais.

“A crise deve atingir mais fortemente países que tenham dependência direta da economia norte-americana, como o México e a Costa Rica. Por outro lado, o Brasil tem crescido fortemente e a Argentina, nos últimos anos, tem crescido mais que o Brasil”, avalia Tom Conlan, vice-presidente de operações da Sybase para a América Latina, região que, junto com a Ásia-Pacífico, representa 15% do faturamento da companhia.

Os números variam, mas em todos os casos, mostram evoluções em relação aos anos anteriores.

No caso da EMC, que tem 46% de suas vendas feitas fora dos Estados Unidos, a América Latina surgiu no terceiro trimestre de 2008 como a região de maior crescimento no mundo: 24%. “Boa parte de nosso crescimento por aqui se deve à necessidade de as empresas consolidarem seus ativos de TI. Foi o que aconteceu com o setor de telecomunicações, que teve um crescimento desordenado durante muitos anos”, explica Leon Taiman, diretor sênior para as áreas de telco, mídia e entretenimento da EMC América Latina.

Investimentos
Mas nem só o crescimento desordenado faz os resultados na região. Uma pesquisa divulgada no final de outubro pela IBM mostra que empresas multinacionais estão aumentando seus investimentos em países emergentes, com especial foco na África e, claro, na América Latina.

O estudo aponta que a América Latina recebeu 12% dos postos de trabalho globais criados por projetos de expansão e investimentos estrangeiros em 2007, o que representou um aumento de 6% em relação ao ano anterior. México, Colômbia e Nicarágua foram os países da região que percentualmente mais receberam postos de trabalho originados dos aportes internacionais, enquanto Brasil e Chile mantiveram suas posições como importantes destinos de investimentos.

E para onde vão estes investimentos? O estudo apontou que a indústria melhor posicionada é a de equipamentos de transporte, apresentando 200 mil postos de trabalho.

O México foi o principal destino neste setor, com a criação de aproximadamente 26 mil novos empregos, como resultado do investimento pesado de empresas chinesas, norte-americanas e alemãs. A indústria de eletrônicos, com 190 mil vagas, e a de tecnologia da informação e comunicações, com 180 mil, ficaram em segundo e terceiro lugar na classificação global. 

A pesquisa diz que a América Latina é funcionalmente inclinada para produção, com mais de 80% dos postos de trabalho criados a partir de investimentos nessa área. Isto é reflexo da alta concentração das atividades de produção nos dois principais países da região, Brasil e México, que representam mais de 90% dos empregos criados. Em contrapartida, o Chile e a Costa Rica são relativamente mais orientados a serviços, com cerca de 50% dos empregos criados nesse segmento.

Reflexos
O crescimento que alavanca resultados das multinacionais não se dá somente nos investimentos. Quando se fala em internet, uma pesquisa realizada pela Cisco aponta que a região terá a maior taxa de crescimento de tráfego até o ano de 2012, com um aumento projetado de 61% em 5 anos.

A previsão é do estudo Visual Networking Index (VNI) e são indicativo de que, por aqui, os investimentos em estrutura IP devem alavancar ainda mais os resultados de fornecedores que atuam no setor.

Comparado com outras regiões do mundo, o tráfego IP está crescendo mais rápido na América Latina, seguida da Europa Oriental e Ásia-Pacífico, devido principalmente ao rápido aumento da penetração da internet nos lares e a chegada das conexões de alta velocidade no âmbito educativo e empresarial. O relatório prevê que o tráfego IP no segmento de consumidores finais, na América Latina, ultrapasse os 32 exabytes mensais até 2012.

Embora a maior parte do consumo atual de tráfego em IP seja em dados, o tráfego vinculado à IPTV (televisão sobre Internet) e ao VoD (Vídeo sob Demanda) aumentará rapidamente, com uma taxa de crescimento na região de mais de 68%.

Já o tráfego de dados móveis será duplicado a cada ano, entre 2008 e 2012.  Neste ponto, a América Latina voltará a ser a região com o maior crescimento, chegando a 199%, partindo de zero petabytes a cada 30 dias em 2006 e chegando progressivamente a 271 petabytes mensais em 2012. 

Outra área em que a América Latina liderará o crescimento é a de web, e-mail e dados, uma categoria geral que inclui navegação, mensagens instantâneas, transferência de arquivos de dados e outros aplicativos.

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