Tecnologia
Os sistemas operacionais tradicionais estão com os dias contados?
O blogueiro da Infoworld Neil McAllister comenta sobre a nova filosofia de programação que vai deixar irrelevante os tradicionais SOs.
Por Infoworld/EUA
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A primeira versão beta do Chrome foi
anunciada no início de setembro.
O navegador do Google é apenas o primeiro
exemplo da nova filosofia no desenvolvimento de aplicações. Esta nova
estratégia pode mudar a maneira de ser da TI como nós sempre a vimos. O ponto
central deste novo credo: aplicações são tudo; o sistema operacional é
irrelevante.
Usuários, não administradores
A instalação e a atualização do Chrome passam longe do modelo tradicional de
sistema operacional.
Para começar, o navegador do Google não se
instala dentro da pasta de aplicações. Ao contrário, ele se instala no
diretório principal do usuário. Assim, os usuários não precisam de privilégios
administrativos para instalá-lo.
Além disso, o Chrome instala um serviço em
background, o Google Updater, que procura silenciosamente por atualizações
enquanto o usuário navega. Se encontra, faz o download e instala
automaticamente, sem notificar o usuário do que está fazendo.
A lógica por trás disso é que um navegador
completamente atualizado é a melhor defesa contra malware e ataques via web. Em
vez de ensinar os usuários, o Google simplesmente faz isso para eles.
Mas em um ambiente de TI corporativo, com
normas organizadas, o modelo do Chrome tem implicações importantes. E o Chrome
é apenas uma das novas aplicações que, discretamente, está subvertendo os
papéis tradicionais em TI.
Uma única interface gráfica para tudo
Veja o Adobe AIR.
A plataforma AIR usa não apenas um instalador
diferente, mas também um widget para download completamente diferente da janela
tradicional do navegador de download. O usuário já nota pela aparência de que
não se trata do procedimento de instalação tradicional em sistema operacional.
Ao iniciar o AIR, você não vê menus, botões
e outras características tradicionais das aplicações em desktop. Você vê uma
interface de usuário (UI) construída com Flash, HTML e outras tecnologias da
web.
Já foi muito discutido como esse tipo de
estrutura simplifica para os desenvolvedores escreverem aplicações ricas para
internet (rich applicantions); mas os benefícios vão muito além.
Quando, em 1987, a Apple publicou o seu
guia de interface do Macintosh, a idéia era garantir que os usuários do Mac OS teriam
benefícios de ter uma aparência constante nos vários produtos. A prática
continua até hoje e é seguida pela Microsoft.
Mas as aplicações do AIR não se preocupam
com isso. Elas são parecidas com o que o designer quer, nem mais, nem menos.
Por definição, estas aplicações são neutras em sistema operacional – existem
além e com a mesma aparência rodando sobre a Apple, Microsoft ou outro
fabricante.
Território hostil?
As mudanças não são coincidência. Voltemos ao Chrome. Até agora, o navegador do
Google está disponível apenas para o Windows, mas ele não parece em nada com
uma aplicação tradicional para Windows. Não há ícones ou nome no alto da
janela, não há menu com opções. Existem tabs. Esta não é a visão da Microsoft,
mas a do Google.
E isto apenas na janela do Chrome. E o que
o Google vê dentro dessa janela? Aplicações – aplicações que não precisam ser
instaladas, não precisam se instalar no sistema operacional, nem de patches ou upgrades.
Dentro desta janela existe o mundo do Google; sem fornecedores de SO.
Não é a toa que grandes companhias de
software estão nervosas. "Muitas empresas estão usando o navegador e vendo
o navegador como uma maneira de progredir o seu próprio negócio, em vez de
criar um ecossistema. O navegador é um território hostil," disse o CEO da Sun Jonathan Schwartz.
Schwartz não está preocupado com o seu
sistema operacional, o Solaris. Ao contrário, ele está preocupado com este tipo
de nova aplicação roubando espaço do Java, o preferido dos fornecedores de SO.
Recentemente, a Sun lançou o JavaFX para
colocar o Java disponível para aplicações que a Adobe e o Google querem fazer. Segundo
Jeet
Kaul, vice-presidente de Java da Sun, "Você pode criar um tocador de
mídia, rodar no navegador e simplesmente arrastar para o desktop e ele vai se
tornar uma aplicação no desktop automaticamente. É o mesmo código, a mesma
aplicação."
O que esse tocador não é, no entanto, é uma
aplicação comum para Windows ou Mac OS X.
Novo rosto para TI
Se a tendência continuar, as conseqüências serão
profundas.
Para os desenvolvedores, pode significar a
liberdade no design de aplicações e o final da submissão aos fabricantes de
sistemas operacionais. Já para os consumidores, pode culminar em uma nova era
de computação em que os computadores robustos rodando aplicações binárias e
monolíticas saem de cena, dando espaço para novos dispositivos.
Para a área de TI, no entanto, o futuro está
nublado. A integração do SO com aplicações e servidores em rede significou a
base do sucesso da Microsoft nas empresas.
Se os usuários tiverem o poder de instalar
as suas próprias aplicações, com updates e patches automáticos, sem a interface
tradicional do SO, estas aplicações ficam fora do suprote e governança de TI
atuais.
Os sistemas operacionais podem se tornar irrelevantes em muito pouco tempo. O processo para isso já começou. A pergunte que fica é: estaremos prontos para isso?
E a insegurança....
Tudo lindo, fantástico, maravilhoso, para nós que lemos este tipo de publicação (nerds, ou quase ;> ) as questões de segurança são autoresolvidas, o perrengue é para o usuário comum, se tudo é browser e sempre aparece um gênio para tapear os scripts de segurança dos browsers... já viu o estrago na segurança das organizações......
Homero Ivan - 08 Jan 2009, 12h51
é o caminho
Precisamos sim :-) faz 3 meses que estou priorizando utilizar tudo via browser (documentos, email, todo lists, sistemas, ...)
Realmente o SO passou a ser irrelevante, bem como backup, updates das aplicações, ...
Tenho dificuldades em algumas webapp desenvolvidas com recursos exclusivos do IE (ex.: internet banking).
Alessandro - 07 Jan 2009, 09h26
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