Tecnologia
Google inaugura mais um capítulo na guerra contra a Microsoft
São Paulo - Segundo especialistas, o Chrome tem potencial para impactar o mercado corporativo, mas Microsoft tem poder para contra atacar a altura.
Por Rodrigo Afonso, repórter do COMPUTERWORLD
O anúncio do Chrome, sistema operacional da Google, mal aconteceu, mas o mercado já especula sobre os possíveis impactos que o futuro lançamento pode causar nos mercados consumidor e corporativo, mesmo sabendo que eles não chegam às mãos dos usuários antes do segundo semestre do ano que vem.
O fato é que o Chrome representa a abertura de mais um capítulo na guerra entre a Google, empresa com poder de investimento e com reputação de inovadora, e a Microsoft, companhia bem estabelecida no mercado e que conta com uma base instalada e um portfólio de produtos muito grande para ser desprezada.
Para Robson Lelles, executivo especializado em marketing e TI da administradora de condomínios CIPA, a notícia vai fazer com que as grandes empresas de software desengavetem projetos e os coloquem imediatamente nos trilhos, a tempo de gerar respostas no mercado. “O Google tem todos os recursos para investir em inovação e deve mexer com a indústria de TI”, afirma.
O executivo acredita que o sistema coloca o mercado às portas da convergência real. Significa que as empresas não precisarão se contentar com as plataformas que conversam entre si, mas contarão com soluções que transcendem plataformas, criando um novo paradigma na computação.
Lelles faz uma analogia entre o Google de hoje, que resolveu focar na web, e a Microsoft dos anos 80, que priorizou em seus negócios o desenvolvimento de software e conseguiu impor padrões no mercado.
Roberto Marques, diretor da fábrica de softwares da Extend, vê a questão com cautela. Apesar de acreditar no potencial que o novo sistema tem de criar um novo paradigma no mercado, o executivo acredita que a Microsoft tem muita força com sua base instalada e ainda deve crescer muito com sua estratégia de atuação na web. “Sem dúvida, o potencial que o Chrome tem para entrar com força no mercado corporativo é grande, mas isso só acontece em um prazo bastante longo”, opina.
Marques acredita, no entanto, que a Microsoft vai contra atacar a altura. A empresa está para lançar o Windows 7, versão que teve boa receptividade no mercado ainda em suas versões de testes, e deve jogar pesado para manter seu mercado. “A companhia terá que adotar estratégias agressivas de mercado, como preços menores para realizar o processo de migração do Windows”.
A reação aos últimos movimentos do Google já ocorreu com o lançamento da plataforma Azure. A empresa também mostrou seu poder de competição no mercado corporativo com suas versões de ERP e CRM, que conquistaram uma parcela significativa de mercado.
Segundo os especialistas, as duas empresas têm o que é necessário para disputar o mercado: recursos financeiros e penetração, mas só o tempo será capaz de dizer quem vai prevalecer, se é que essa guerra terá um vencedor claro.
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