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Tecnologia

Biometria: tecnologia começa a virar realidade nas empresas

Aos poucos essa tecnologia conquista o seu espaço no mercado, com aplicações desenhadas para diferentes perfis e necessidades corporativas.

Mary Brandel, CSO (EUA)

30 de junho de 2010 - 07h05
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Nos próximos anos, o mercado deve acompanhar uma explosão no uso de biometria. A expectativa é a de que empresas dos mais diversos setores adotem tecnologias que identificam as pessoas a partir de traços físicos ou comportamentais, com o intuito de incrementar os recursos de validação de usuários e os de segurança da informação.

As versões mais convencionais da tecnologia biométrica usam informações provenientes da impressão digital, topografia facial (relevo do rosto), estrutura da íris, desenho das mãos, mapa das veias sanguíneas, análise da voz e reconhecimento da grafia e de digitação. Mas em seu estágio mais avançado, chegam a  interpretar padrões de movimento – forma de caminhar, por exemplo –, odor e  até o formato das orelhas.

As vantagens da verificação de identidade com base na coleta e processamento de dados biométricos, quando comparadas às tecnologias tradicionais de identificação como o uso de senhas, cartões magnéticos e PINs, não são poucas. A biometria não só exige que o usuário esteja fisicamente presente no local de validação, como dispensa o uso de dispositivos auxiliares e a lembrança de senhas. Dan Miller, analista sênior e fundador da empresa californiana Opus Research Biometrics (especializada no reconhecimento de voz) vai direto ao ponto: os sistemas tradicionais de verificação usam como base o que o usuário tem ou sabe. Na biometria a questão passa a ser “quem a pessoa é”.

Atualmente, há uma extensa variedade de  situações em que o uso de técnicas de identificação biométrica já é possível, segundo Maxine Most,  diretora da empresa de inteligência de mercado Acuity, para quem a maior expansão do setor deve ocorrer entre 2009 e 2017. Período no qual  os sistemas biométricos deverão alcançar um faturamento anual de 11 bilhões ao ano, com um ritmo médio de crescimento anual de 19,69%.

No setor público, segundo Maxine, uma das principais utilidades das soluções biométricas  hoje tem sido como parte do sistema para gerenciamento de fronteiras. Já no mercado privado, o grande vetor do crescimento está relacionado à disponibilidade cada vez maior de  celulares equipados com recursos para compartilhamento de  informações, requisição e pagamento de serviços e emissão de tíquetes como notas fiscais e ingressos eletrônicos.
"Tudo isso vai demandar soluções biométricas", afirma Maxine,  “não apenas para conectar dispositivos, mas também para a execução de operações de alto risco e/ou transações de valor elevado". Ela lembra ainda que já existem no mercado uma série de celulares com algum item de aferição biométrica.
Outro exemplo claro, segundo a especialista, é o uso da biometria para restringir o acesso a prontuários médicos.

Pesquisa recente realizada pela Unisys, revela que o exponencial crescimento no furto de identidade e as novas regulamentações que demandam mais segurança em situações de identificação individual serão os grandes impulsionadores do mercado de biometria no mundo. Por outro lado, a diretora da Acuity reconhece que o avanço desse mercado foi atrasado, ao longo dos últimos anos, por conta de um emprego inadequado das soluções,  de limitações tecnológicas e eventuais violações de direitos civis e de privacidade.

Outro fator que deve ser solucionado pelos fornecedores de soluções biométricas – e que deve colaborar para a disseminação das tecnologias – é a melhoria no preço e na confiabilidade dos dispositivos utilizados para captura, que já começam a ser implementados em computadores, smartphones, equipamentos de ponto de venda, caixas eletrônicos, veículos e até em eletrodomésticos.

Para responder a essa possível demanda, a própria indústria de soluções biométricas começa a se movimentar. O setor, que sempre esteve fragmentado na mão de uma série de empresas especializadas,  vive uma fase de consolidação. E a explicação para isso é óbvia: os fornecedores querem estar preparados para a oferta de soluções completas.  Algumas empresas já estão em um movimento acelerado, como a L-1 Identity Solutions, companhia norte-americana fundada em 2006 e que atua com soluções voltadas a evitar o furto de identidade e combater o terrorismo.

Recentemente, o grupo incorporou a fornecedora de sistemas de identificação baseada em impressão digital Viisage Systems que, por sua vez, pouco antes tinha absorvido a Iridian, reconhecida pela oferta de uma tecnologia para reconhecimento de íris.

Barreiras à implementação
Do lado das empresas que avaliam a utilização de soluções biométricas, os gestores de TI responsáveis pelos projetos precisam estar preparados para enfrentar alguns obstáculos. O primeiro deles é conseguir o tempo e o dinheiro necessários para cadastrar e credenciar os usuários. “Existe uma oposição natural à possibilidade de criação de uma extensa base de dados pessoais centralizada”, avisa Maxine, da Acuity. Ainda de acordo com ela, a saída encontrada por alguns departamentos de tecnologia para reverter essa situação é utilizar a identificação anônima; adotar a criptografia para o envio de informações; e modelos de armazenamento distribuído.

Ant Allen, analista do Gartner, afirma que essa aversão ao uso da biometria também pode ter origem em questões culturais. No Japão, por exemplo, a identificação de impressões digitais não é 100% aceita, pois parte da população do país rejeita a possibilidade de contato físico com os dispositivos. Como solução, a rede bancária daquele país optou pelo mapeamento das veias da mão nos caixas automáticos.
O respeito à privacidade também representa outra origem dos problemas com projetos de biometria. Allen cita como exemplo o uso de tecnologias para reconhecimento da retina e da íris. “Essas soluções podem revelar a existência de patologias que as pessoas não têm o desejo de tornar públicas”, pontua o analista do Gartner.

A usabilidade é outro fator bastante relevante. Allen diz que, no caso da identificação por meio de impressão digital, sempre existe uma parcela da população que esbarra em problemas de leitura do sistema, devido ao tipo de pele. “A introdução de soluções alternativas para essas pessoas pode ser interpretada como discriminatória”, ressalta o especialista. Ele cita o caso de um cliente para o qual teve de encontrar uma solução que atendesse a seis usuários dentro de um grupo de aproximadamente mil pessoas.

Em termos de uso, o registro do mapa da íris desponta como a solução que gera menos problemas após a implementação. Mesmo assim, nem sempre é possível obter uma imagem de qualidade, explica  Allen. “Eu, por exemplo, tenho pálbebras pesadas. Para poder registrar a íris tenho de afastá-las com os dedos”, exemplifica o especialista. “Funcionar, funciona. Mas é inconveniente”, completa.



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