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Tecnologia

Bancos reabrem os cofres para TI

Lucas Callegari e Solange Calvo, da Computerworld

15 de junho de 2011 - 07h30
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Resistências na nuvem
O sócio-fundador da consultoria Sciere, Edson Fregni, esclarece as resistências que ainda ocorrem. “Não creio que essa técnica [cloud computing] seja uma alternativa para os sistemas transacionais de bancos. Primeiro, porque as nuvens públicas não oferecem a segurança requerida, e construir uma nuvem privada em nada se distingue de contratar (ou ter o próprio) serviço de hospedagem.”

A técnica de cloud prevê a fragmentação dos aplicativos e das bases de dados, prossegue o executivo, de forma que os fragmentos possam ser distribuídos pela rede, em muitos diferentes servidores espalhados pelo mundo. “O banco não consegue repartir sua base de dados. Ela precisa ser centralizada. E, então, não existem muitas vantagens em quebrar as demais camadas do aplicativo.”

Wilton Ruas, vice-presidente de Tecnologia & Inovação da Itautec, prefere destacar que o conceito de nuvem é recente. “Todos ainda o estudam, principalmente os bancos, em razão da preocupação com a segurança”, diz. “Pode ter algum uso efetivo e liberar custos de TI, mas para uso externo é algo polêmico. Falta confiança”. Segundo ele, a computação em nuvem precisa “alcançar a maturidade”, o que faria com que os bancos tivessem a percepção de que há no mercado uma solução “adequada e comprovada”.

Na opinião do diretor de Tecnologia da Febraban, Gustavo Roxo, está nas mãos dos fornecedores a responsabilidade de fomentar a adoção da nuvem entre os bancos. “Falta proposta de valor por parte deles, que deveriam oferecer serviços criativos e adequados à nossa realidade.” Ele dá o exemplo da gestão do gasto com a tecnologia, que deveria “ser transparente”.

O executivo destaca ainda a segurança como questão que deve ser melhor esclarecida, visto que os bancos ainda não têm a percepção exata do que está sendo oferecido atualmente. “Já há ofertas de cloud bastante seguras. Acontece que existe desconhecimento em relação ao que o mercado está oferecendo. Acredito que a partir de iniciativas pioneiras, a tendência será de mais clientes querendo usar.”

Mobilidade
Os dispositivos móveis estão redesenhando o cenário dos negócios em muitas corporações e também a forma tradicional de proteger dados corporativos. A sua aceitação é explosiva e inevitável. Não é diferente nos bancos. Segundo a Febraban, o mobile banking ainda engatinha, mas registrou aumento de 72% em 2010, com 2,2 milhões de contas. Foi a primeira vez que a entidade divulgou dados de mobile banking em separado do internet banking – a entidade aponta que a internet foi o canal utilizado em 12,9 bilhões de transações efetuadas pelos bancos no ano passado.

O Bradesco Celular, produto de mobile banking que está no ar desde 2000, já possui cadastrados 1, 2 milhão de usuários, de acordo com o vice-presidente executivo do Bradesco Laércio Albino Cezar. “Já temos 300 mil usuários cativos, os que usam ao menos uma vez o serviço a cada 90 dias”, diz e acrescenta que por meio dele são realizadas 161 mil transações por dia.

Somente em home broker, o Bradesco possui 900 mil clientes cadastrados, que realizam 18 mil transações por dia. “O mais importante é que desse montante, mais de 50% são efetivadas, ou seja, têm negócios fechados”, garante Cezar.

Na opinião do executivo, é vital para o banco estar em linha com as tecnologias emergentes e por essa razão são foco de investimentos. “Aos nossos clientes, oferecemos uma série de sites e vantagens como aplicações que podem ser baixadas na Apple Store online, para uso em smartphones e iPads. Até hoje, já foram realizados mais de 270 mil downloads.”

Para os especialistas, o aumento da importância dos dispositivos móveis se deve à melhoria da sua usabilidade. Além disso, houve considerável incremento de pessoas com acesso a esses produtos. Roxo informa, por exemplo, que a Febraban já definiu toda a arquitetura e os processos básicos para os bancos aplicarem o conceito de mobilie payment. No entanto, sua utilização ainda é pequena. “Os pagamentos móveis são mais presentes em mercados em desenvolvimento. Isso não aconteceu nos países desenvolvidos, onde a taxa de bancarização é muito superior”, explica.
O diretor de Tecnologia da Febraban diz que para os bancos, a mobilidade pode significar venda de serviços financeiros. “Cada vez mais, o cliente não quer ir ao banco. Quer o máximo de conveniência. O dispositivo móvel pode ampliar essa facilidade”, completa. Wilson Ruas, vice-presidente de Tecnologia & Inovação da Itautec, destaca a importância de os bancos se adaptarem à nova geração de clientes.

Nesse momento particular, o setor no Brasil vivencia o desafio de captar a população não bancarizada, bastante expressiva, de cerca de 50 milhões de pessoas. “Se as instituições não tiverem planejado e inovado, não vão obter sucesso nessa empreitada. Vão perder competitividade”, afirma Bisca. Segundo ele, as tendências em TI para os bancos são fundamentais para garantir a competitividade nos próximos anos. “Os assuntos estão muito ligados à business analytics, social business, computação em nuvem e também métodos de pagamento alternativos com mobilidade. O objetivo principal é o aumento da base de clientes de forma rentável e estruturada.”

Gastos com telecomunicações
Segundo pesquisa da Febraban, em 2010 os gastos com telecomunicações cresceram 15%, para 4,8 bilhões de reais. Esse valor representou 22% do total dos gastos e investimentos do setor em tecnologia no ano passado, atrás apenas do que foi direcionado para hardware, que teve um peso de 29%.

Segundo Roxo, a maior parte dos gastos com telecomunicações é com links de comunicação de dados e o aumento é explicado pela capilaridade crescente do setor financeiro. Além disso, há a correção dos contratos firmados com os fornecedores e os investimentos no aumento da banda utilizada pelos bancos.

“Para cada novo ponto de atendimento, é necessário um link de comunicação. A pesquisa apurou, por exemplo, que o número de agências e postos tradicionais cresceu 1%, o de postos eletrônicos subiu 9%, e o de correspondentes bancários aumentou 11%. Para cada novo ponto, há um novo link.”

Segundo o executivo da Febraban, geralmente os contratos dos bancos com seus fornecedores de serviços de telecomunicação preveem reajuste anual balizado pelo IGP-M. “Talvez, sete pontos percentuais dos 15% de crescimento em 2010 estejam relacionados aos reajustes contratuais. O aumento da banda de links existentes se deve à necessidade de atender à expansão dos bancos.

“Cresceu o número de clientes. Com isso, o banco terá de investir na ampliação de tecnologia para voz e dados”, informa. O executivo também destacou que contratar banda larga e infraestrutura de telecom continua muito caro no Brasil e que o ritmo de queda do custo da banda larga no País continua muito mais lento que o do aumento da demanda por conexão. Para ele, a infraestrutura nacional de telecom é uma das barreiras para a expansão do internet banking.

É importante destacar que já se pode afirmar que a relação dos bancos com os serviços de telecomunicações está “madura” e, atualmente, não se espera que as instituições mudem suas estratégias. “Entre 2000 e 2005, praticamente todos os bancos terceirizaram suas redes de comunicação. Hoje, ninguém mais discute estrategicamente se vale a pena ter sua própria gestão de telecomunicações ou terceirizar, porque todo mundo está terceirizado”, finaliza o diretor de Tecnologia da Febraban.

 

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