Publicidade

COMPUTERWORLD - O portal voz do mercado de TI e Comunicação

A central de whitepapers de tecnologia da COMPUTERWORLD

Tecnologia

Colocation é chave para expandir data center

Especialistas afirmam que esse é o meio mais rápido e menos custoso que constuir um novo ambiente dentro de casa.

John Edwards, da Computerworld/US

12 de julho de 2011 - 07h30
página 1 de 1

Brian Burch, diretor sênior mundial de infraestrutura da Kemet, sabia que o momento de fazer mudanças drásticas em seu data center. O centro de processamento da companhia não dava garantias de que as aplicações críticas teriam alta disponibilidade e que o site ofereceria continuidade dos negócios em caso de algum incidente. Era preciso fazer melhorias. 

Limitações de espaço e localização fizeram com que o data center da fabricante de componentes eletrônicos não pudesse ser atualizado de acordo com as necessidades identificadas para obter ganhos de performance. Então Burch encontrou no ano passado outra saída: o colocation, modalidade na qual o cliente entrega os ativos e aluga espaço em site de um terceiro

Quando um data center não consegue mais carregar nos ombros a TI, ou quando se torna necessário estabelecer um site secundário para garantir a continuidades dos negócios ou dar suporte à rede, uma importante decisão tem de ser tomada.

Para algumas companhias, a solução mais óbvia é ampliar as operações para outro data center e isso significa realizar parceria com um fornecedor de colocation. Se você está considerando essa opção, é preciso, segundo especialistas, considerar alguns pontos.

"É necessário para fazer uma análise do tipo: comprar ou construir?", diz Jeff Paschke, analista sênior da Tier1 Research. A razão número um para considerar o colocation é financeira, aponta. "Você quer ir até o board e pedir 50 milhões de dólares em capex para construir outro data center?", questiona Paschke. "Se a resposta é não, a alternativa é buscar um fornecedor e usar opex", afirma.

Tempo e dinheiro são necessários para construir um data center tradicional, "por isso, menos companhias estão decidindo construir seus próprios data centers", afirma Lynda Stadtmueller, analista de data center e tecnologia da empresa de pesquisas Frost & Sullivan.

Especialmente para companhias que possuem aplicações sensíveis que exigem presença interna, há uma tendência para passar serviços para as mãos de um provedor de hospedagem ou investir no colocation em vez de partir para a construção de data centers próprios, explica.

A Frost & Sullivan conduziu no ano passado um estudo que mostra que o espaço total de data centers utilizado pelas empresas aumentará quase 15% ao ano até 2013. No entanto, a percentagem desse espaço que a própria empresa possui versus leasing de outro fornecedor vai diminuir de 70% para 64% no mesmo período.

Já a empresa de pesquisa Info-Tech Research Group afirma que cerca de 64% das organizações possuem algum tipo de serviço de colocation, incluindo hosting. Entretanto, segundo levantamento realizado em 2010 com 78 clientes da companhia, 77% delas não terceirizam todos os serviços do data center.

Expansão externa
A maioria das organizações começa a pensar na expansão do data center logo que o espaço físico e os recursos de suporte dão indícios de esgotamento, afirma Stadtmueller. "Uma vez que você identifica que está começando a ficar sem espaço ou quer atualizar um aplicativo, busca fora de casa formas para aumentar a capacidade do servidor”, pontua.

Às vezes, a demanda por expansão surge de uma necessidade dos negócios. Por exemplo, quando um novo comando quer capacidade extra o mais rápido possível, ou o suficiente para que precise aumentar a capacidade energética. Aliás, energia é geralmente o fator decisivo em muitos data centers. Isso significa que as empresas ficam sem opções de energia muito antes de ficar sem espaço.

Para algumas companhias, a ideia de construir um segundo data center surge, muitas vezes, de um desejo de criar, aumentar ou reduzir os custos de uma estratégia de continuidade de negócios. "No nosso caso, o novo site chegou para melhorar o tempo de resposta em situações de falha no data center principal", diz Burch.

Análises mostraram que o novo ambiente possibilitaria diminuição no tempo de recuperação de 72 horas ou mais para um intervalo de cinco minutos a 18 horas, dependendo da categoria do sistema. O custo anual do novo local seria o mesmo que continuar o contrato com o provedor atual de recuperação de desastres.

Diante dessas possibilidades, Burch optou pelo colocation. Agora, a empresa conta com "um ambiente de teste de desenvolvimento com um ciclo de renovação de três anos", diz o executivo. "Basicamente, temos um novo data center com novos equipamentos e linhas de comunicação com mudança zero no orçamento”, pontua.

“Um mês após o novo data center entrar em operação, realizamos um teste de recuperação dos sistemas anteriormente abrangidos pelo antigo fornecedor de disaster recovery", diz Burch. "Nós recuperamos todos os sistemas de destino em menos de dez horas", afirma. Ele observa que antes o tempo necessário para realizar a mesma operação era de 72 horas ou mais.

Para maximizar o valor do novo data center no quesito continuidade dos negócios, Burch e sua equipe decidiram implementar o espaço há uma distância considerável da sede da empresa. "Sentimos que tínhamos de ir pelo menos 100 quilômetros de distância para evitar desastres que resultam em problemas na rede elétrica, como grandes tempestades", diz o executivo.

Deixando um pouco de lado a continuidade de negócios, Burch diz que o novo data center foi projetado ainda para cumprir com outro objetivo fundamental: servir como centro de testes e de desenvolvimento que possa operar de forma independente da instalação principal. "Cerca de 95% do hardware que temos por lá está sendo usado para testes e desenvolvimento de nossas aplicações", assinala.

Respostas rápidas

Outra motivação para a criação de um novo data center é a possibilidade de aumentar a resposta das aplicações para os funcionários regionais, clientes e outros usuários finais. Organizações que executam aplicações sensíveis normalmente optam por colocar seus aplicativos mais próximos dos usuários finais para melhorar o tempo de resposta. Ao dividir um data center em dois ou mais, é possível atender de forma eficiente aos usuários distribuídos em uma ampla região ou até mesmo em vários continentes.

A LexisNexis, que realiza pesquisas jurídicas e serviços de fluxo de trabalho, optou em 2009 por passar seus serviços para um data center em Scottsdale, Arizona. O objetivo era servir os clientes de forma mais eficiente a partir de um local que é relativamente imune a tempestades, terremotos e outros desastres naturais.

"Queríamos um fornecedor localizado na região oeste dos EUA", lembra Terry Williams, vice-presidente de tecnologia da companhia. "Localização foi fator determinante para a nossa decisão." A empresa, diz, já conta com um data center na cidade de Dayton, onde está situada.

Não surpreendentemente, a disponibilidade e o desempenho da rede do data center foram pontos essenciais para que LexisNexis batesse o martelo. "O importante para nós é a conectividade de rede", diz Williams.

Williams diz que ao recorrer a um provedor de colocation, baseado em Phoenix, não seria necessário que a equipe interna realizasse instalações ou serviços associados. "Nós esperávamos que o fornecedor oferecesse todos os serviços que um data center interno teria em termos de backup, geradores, bem como conectividade de rede", diz.

Burch afirma, por sua vez, que ao optar por um provedor de colocation (o escolhido nesse caso foi a Columbia) foi possível observar uma implementação mais rápida e menos onerosa. "Toda a configuração foi entregue em dois meses.”

No entanto, encontrar um provedor de colocation adequado pode ser tão desafiador quanto implementar um site adicional tradicional. A LexisNexis depois de verificar que fazer mudanças no prédio que gostaria que fosse instalado o site secundário não seria rentável começou a procurar um provedor de colocation. "Consumimos seis meses para localizar um site e nós olhamos cerca de 30 locais diferentes e fornecedores - foi uma pesquisa muito extensa", diz Williams.

O espaço ideal
Paschke, da Tier1, explica que a recessão econômica e a escassez de crédito diminuíram a procura por espaços em data centers externos. Esse cenário desacelerou a procura por fornecedores do modelo, mas também indicou que as empresas colocaram seus próprios planos de expansão em espera. Hoje, se os clientes optam por fornecedores de colocation é porque buscam por um espaço no data center que eles próprios não possuem.

Algumas empresas querem ter seus data centers secundários perto da instalação principal. Paschke chama essa movimentação de "server huggers" - pessoas que querem alcançar e tocar em seus servidores, mesmo que o objetivo na maioria dos data center seja automatizar grande parte do gerenciamento de sistemas. Se a sua principal instalação está em uma área de alta demanda, pode ser difícil encontrar um fornecedor de colocation nas proximidades.

Há mais fatores para avaliar quando a empresa busca migrar para colocation. Entre eles decidir antecipadamente a quantia que a companhia está disposta a pagar. Alguns clientes precisam de largura de banda para conquistar respostas imediatas e exigem rigorosos níveis de serviço.

Outras ainda optam por ter links de telecomunicações de vários provedores para fins de backup. Outros não estão tão preocupados com essas questões. "Algumas pessoas não se importam. Para elas, milissegundos não significam tanto assim", diz Jonathan Hjembo, analista sênior da TeleGeography Research.

Outras considerações incluem segurança [física e virtual] e infraestrutura de backup, incluindo energia, refrigeração, combate a incêndios e outros. Também é preciso discutir as necessidades futuras com aqueles que serão parceiros de colocation para certificar-se de que eles atenderão as necessidades desejadas. É preciso ainda efetuar uma análise financeira da companhia.

Pessoal e questões relacionadas

Williams, da LexisNexis, observa que uma das exigências de um data center secundário que tende a ser esquecida até o último momento, é encontrar pessoas qualificadas para atuar no local. Às vezes as empresas optam por usar a expertise de especialistas do fornecedor do colocation, mas outras simplesmente aluga o espaço dentro das instalações e opta por direcionar o time para executar as atividades do data center.

Williams afirma, no entanto, que um data center remoto tem necessidades de pessoal diferentes quando comparado com o site principal, estabelecido. Isso porque, o site secundário geralmente não tem muitas tarefas para serem administradas. Por isso, a contratação de funcionários tende a se concentrar em indivíduos com conhecimento técnico que podem facilmente se dividir entre várias tarefas.

Para a maioria das empresas, partir para o colocation é geralmente uma atividade mais fácil do que criar um site primário a partir do zero. Na maioria dos casos, plataformas e práticas estabelecidas podem ser replicadas no novo local. Kemet usou esse recurso.

"Para facilitar a transição, nós mudamos toda a infraestrutura de equipamentos em nosso data center primário", diz Burch. "Sincronizamos os dados que vão ser replicados para o novo local e realizamos alguns testes para nos certificar de que tudo estava caminhando da forma que deveria”, completa.

Outras preocupações

Planejar cuidadosamente e prestar atenção nos detalhes são ações essenciais para uma implementação bem-sucedida, diz Burch. "Acima de tudo, é preciso olhar com cuidado todos os fornecedores que vão estar envolvidos no novo data center e dedicar um tempo para avaliar pontos sobre recuperação de desastres", aconselha.

Burch também recomenda que as organizações não se esqueçam do data center principal no planejamento da nova instalação, especialmente se a companhia pretende usar o site secundário para fins de backup. "Desenhamos a nossa nova unidade em conjunto com a atualização de todos os equipamentos em nosso data center atual", diz ele. No data center remoto Kemet implementou equipamentos iguais ao do site principal.

Williams, da LexisNexis, acredita que encontrar um parceiro de colocation competente e confiável é primordial para o sucesso de um data center secundário, uma vez que o fornecedor será responsável por dar suporte aos serviços de infraestrutura, incluindo energia e refrigeração. "O importante é encontrar um parceiro que possa fornecer um bom nível de serviço. Você tem de sentir que é o único cliente daquele fornecedor”, finaliza.

Publicidade
As mais lidas
Especial - IT Leaders 2011

Cloud computing é difícil?

Cloud computing é difícil?

O ITBOARD materializa a nova plataforma de conversas do Século XXI. Concentra o diálogo sobre tecnologia e inovação movido a tweets de quem está imerso nesses assuntos. ENTRE NA CONVERSA

Publicidade
Newsletters
Assine a Computerworld