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Tecnologia

Indústria aprimora protagonistas do BYOD

Smartphones, tablets e notes rompem as barreiras corporativas, mexem com a TI e modificam o cenário. Novos recursos entram em cena para ajudar a tarefa do CIO.

Déborah Oliveira

04 de julho de 2012 - 07h30
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A geração “i” deu a largada para a consumerização. O iPhone liderou o movimento, que ganhou reforço com o surgimento de outros dispositivos móveis igualmente atraentes que reúnem características como tela sensível a toque, milhares de aplicativos, performance aprimorada e recursos na nuvem, para citar apenas algumas.

O mundo escorreu para a palma das mãos e fez as pessoas mergulharem em um universo de pequenas polegadas. Se existisse uma nova categoria de reabilitação, seria para curar o vício da mobilidade. Fato é que os smartphones, tablets e notebooks, facilitadores do dia a dia pessoal, passaram também a ser objeto de desejo no ambiente corporativo. A invasão dos equipamentos no trabalho foi inevitável.

Eles entraram, em um primeiro momento, pelas portas dos fundos e hoje são bem-vindos à maioria dos negócios. Estudo global da Avanade, realizado pela Wakefield Research, mostra que os dispositivos mais populares usados nas 600 empresas de pequeno e grande portes entrevistadas, incluindo as brasileiras, são, nessa ordem, smartphones com o sistema operacional Android, aparelhos BlackBerry e notebooks da Apple.

A indústria transformou-se e tem criado mecanismos para auxiliar organizações a abraçar o fenômeno com segurança, garantindo facilidade no gerenciamento e aliviando o peso nos ombros dos CIOs. Os protagonistas do movimento foram aditivados com recursos e ganharam apoio da TI.

A Dell tem reformulado o portfólio em razão da consumerização. “A nova força de trabalho, na maioria jovem, puxou a demanda por dispositivos móveis pessoais na empresa. O movimento tem ainda papel de retenção de talentos, porque promove satisfação e produtividade”, avalia Henrique Sei, diretor de Vendas de Soluções da Dell Brasil.

Carlos Rabello, gerente de Soluções Corporativas para Usuário Final da Dell Brasil, diz que a fabricante se preocupou em montar um leque de soluções para dar suporte a equipamentos e serviços para lidar com um ambiente heterogêneo de plataformas móveis.

“A linha de notebooks XPS, equipamento de alto desempenho, ganhou segurança e serviços profissionais”, assinala. O ultrabook XPS 13, lançado em março, é um dos resultados desse trabalho.

Outro é o tablet Latitude ST, que oferece produtividade com mobilidade e ajuda a TI a administrar o dispositivo como qualquer outro PC, diz. Entre os benefícios estão gerenciamento e suporte remoto a usuários e segurança física do equipamento e dos dados corporativos por meio de criptografia. “Nos preocupamos em eliminar os problemas do administrador de TI de manter tudo sob controle”, assinala.

A VMware entende que a virtualização é peça-chave no cenário. “Queremos libertar o usuário da mesa e passamos a fazer isso com o desktop virtual”, comenta André Andriolli, gerente de Engenharia de Sistemas da VMware.

O VMware Horizon Mobile foi a evolução dessa ideia. Trata-se de um portal que abriga um grupo de serviços que usa a virtualização para isolar, em um mesmo aparelho, os mundos pessoal e profissional, permitindo o compartilhamento de acesso a aplicações e arquivos. “O destaque é a capacidade de realizar a segurança e o gerenciamento de usuários e não mais de dispositivos”, garante.

A companhia estabeleceu alianças para oferecê-lo. Uma das primeiras foi com a Telefônica na Espanha, que lançou, em fevereiro deste ano, o Dual Persona. Ele permite ao usuário contar com duas linhas em um mesmo aparelho, a pessoal e a corporativa. O Samsung Galaxy S II e o Galaxy Tab 10.1 e 8.9 são os primeiros a suportar o serviço lá fora. A Verizon e a LG Electronics também entraram na onda e firmaram parceria com a VMware para contar com o serviço.

Andriolli diz que o Horizon deverá desembarcar em solo nacional no segundo semestre do ano. “Estamos conversando com operadoras e empresas que querem oferecer o benefício da separação dos ambientes corporativo e pessoal para seus funcionários”, adianta.

Tecnologia de virtualização de consumerização voltada ao Workshifting [trabalho flexível]. Essa é a proposta da Citrix, para afiar a estratégia no segmento. A companhia tem apostado em virtualização de desktops para lidar com o ingresso de dispositivos móveis pessoais nas empresas.

“Quando o profissional acessa informações da companhia a partir de plataformas móveis não oferecidas pela organização, a segurança tem de ser garantida. Com virtualização, o celular ou o tablet passa a ser um terminal burro, que trafega imagem”, detalha Marcelo Landi, gerente-geral da Citrix no Brasil.

Para ampliar a experiência dos usuários móveis de virtualização, a Citrix avançou o potencial das tecnologias Citrix XenDesktop e Citrix XenApp com o Citrix HDX, que aumenta o desempenho e a eficiência em largura de banda em serviços como vídeo, áudio e gráficos 3D, assegura.

Smartphones e tablets em alta
Na Motorola Mobility, mobilidade corporativa ganhou tamanha importância que recentemente uma área foi criada para tratar o tema. Consumerização é um dos assuntos debatidos. “Queríamos atender a esse público adequadamente e percebemos que o setor buscava alguns requisitos nos smartphones e procuramos supri-los inserindo robustez no acesso à rede, certificados e criptografia”, lista Renato Arradi, gerente de Produto da Motorola Mobility.

Como exemplo, ele cita o RAZR, smartphone Android que conta com sistema nativo de encriptação, que garante proteção de dados em e-mails, contatos e calendário. Outro é o tablet Motorola Xoom 2, que possui o selo Business Ready, com ferramentas de produtividade e segurança, como suporte aos principais tipos de VPN e criptografia de dados, detalha Arradi. “O selo mostra que o aparelho está preparado para as tarefas corporativas”, avalia.

Na parte de gerenciamento, ele destaca a plataforma 3LM, fruto de uma aquisição. A solução de gestão de mobilidade para dispositivos Android suporta os requisitos de TI.

Assim como a Motorola Mobility, a Samsung apostou na criação de uma área para lidar com o tema. Batizada de Conteúdo e Mobilidade, ela busca melhorias em tablets, smartphones, computadores, smart TVs e ainda impressoras.
“Somente em 2010, investimos mais de 8 bilhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento e grande parte do montante em soluções móveis. Temos mais de 50 mil pessoas em todo o mundo focadas em P&D espalhadas por 26 centros, dois deles no Brasil”, afirma Hamilton Yoshida, diretor de Marketing Integrado da Samsung.

Todos os dispositivos móveis produzidos pela Samsung, seja o Galaxy SIII ou o Galaxy Tab, prossegue Yoshida, têm criptografia. “Temos trabalhado com a Google para estarmos à frente em proteção e velocidade para uso empresarial”, diz.

Proteção extra
Na opinião de Pat Gelsinger, presidente e Chief Operating Officer (COO) da EMC, as primeiras conversas sobre a consumerização começaram há cerca de cinco anos, quando era possível levar o notebook para a empresa, mas poucos o fizeram porque a TI controlava tudo. Antes disso, diz, o PC da IBM já havia inaugurado o movimento inverso da consumerização. “Eles foram feitos para os negócios e depois migraram para a casa das pessoas”, observa.

A RSA, braço de segurança da EMC, tem observado uma série de empresas, especialmente do setor financeiro, em busca de proteção da rede para lidar com o fenômeno. “Nosso desafio é criar soluções de ponta para identificar de maneira rápida malwares que podem invadir os dispositivos”, afirma Marcos Nehme, diretor da Divisão Técnica da RSA para a América Latina e Caribe.

“O RSA Adaptive Authentication garante segurança com uso de autenticação baseada em risco e detecção de fraudes online para canais web e mobile”, destaca.

A HP enxerga oportunidades com o fenômeno especialmente na área de rede. “Estamos empacotando o controle de acesso à rede para centralizar e unificar a gestão para que ela não seja afetada”, detalha Mike Nielson, diretor de Soluções e Marketing da HP Networking. 

A tecnologia HP Virtual Application Networks, explica, permite provisionar automaticamente a rede e os requisitos de segurança baseados em usuário e dispositivo. “É uma administração única”, diz. Outro destaque é o HP Intelligent Management Center, que centraliza a configuração de segurança de rede para consumerização em ambientes de diferentes fabricantes.

Gestão aprimorada
Mark Crofton, responsável por Mobilidade no Brasil e América Latina da SAP, afirma que a SAP está preparada para endereçar as questões da consumerização. Ele indica o Afaria, que auxilia no controle de BlackBerry, iPhone, iPad, Android e Windows. “O acesso a informações corporativas é permitido ou não a qualquer momento em questões de minuto”, explica. A tecnologia é instalada diretamente no dispositivo.

A experiência interna ajudou a IBM a desenhar uma estratégia de consumerização. Com mais de 80 mil dispositivos de propriedade dos funcionários gerenciados pela fabricante, identificou-se o caminho das pedras para construir um ambiente tecnológico e política adequados de uso, aponta Cezar Taurion, gerente de Novas Tecnologias Aplicadas da IBM Brasil.

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