Tecnologia
Cezar Taurion é gerente de Novas Tecnologias Aplicadas da IBM Brasil.
Mainframes mais vivos que nunca
Hoje os mainframes são máquinas que apresentam uma relação custo-benefício muito atraente. Por que não aproveitar a oportunidade e reciclar algumas idéias preconcebidas e errôneas sobre estes sistemas? Por Cezar Taurion
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Em conversas com CIOs e outros profissionais de TI, tenho observado que muitos não têm uma visão atualizada dos mainframes e que ainda pensam nestas máquinas como aqueles computadores imensos e muito caros. Infelizmente, isto era verdade, mas muita mudança vem ocorrendo com estas máquinas. Nos últimos quinze anos, o seu custo já caiu dezenas de vezes e o custo por usuário tende a ser entre duas a três vezes menor do que o encontrado em sistemas menores. O resultado é que hoje os mainframes são máquinas que apresentam uma relação custo-benefício muito atraente. E por que não aproveitar a oportunidade e reciclar algumas das idéias preconcebidas e errôneas sobre estes sistemas?
Alguns números demonstram a importância dos mainframes para o mundo da computação:
a) Mais de 80% de todas as transações eletrônicas globais são processadas em mainframes;
b) Mais de 95% de todos os dados dos sistemas financeiros e de seguros mundiais são processados por mainframes;
c) O valor do portfólio mundial de aplicações em mainframes é estimado em mais de um trilhão de dólares;
d) Estima-se que existam de 150 a 175 bilhões de linhas de código Cobol;
e) CICS processa mais de 30 bilhões de transações por dia, representando um valor de negócios equivalente a um trilhão de dólares por semana e
f) Mais de 900 mil profissionais têm seu salário pago pelas atividades de manutenção e desenvolvimento de aplicações Cobol/CICS.
Mas, além dos sistemas legados, onde mais os mainframes podem ser utilizados, uma vez que essas máquinas são de grande importância para as empresas, pois são seus sistemas que as mantêm no ar?
Uma aplicação que vem despertando muito interesse é o uso destes computadores como consolidadores de sistemas Linux. Muitas empresas utilizam os recursos de virtualização dos mainframes para centralizar nestas máquinas centenas de pequenos servidores Linux espalhados pela corporação, o que reduz sensivelmente os custos de gerenciamento deste ambiente excessivamente distribuído.
Existe também um novo posicionamento estratégico para os mainframes: ser hub do modelo SOA (Services Oriented Architecture). O mainframe está tecnologicamente muito bem aparelhado (em termos de segurança, confiabilidade, disponibilidade, capacidade de processamento e I/O e recursos de virtualização), para se tornar um elo entre a infra-estrutura e a computação colaborativa, cerne do modelo de negócios sob demanda.
Com os recursos de Linux, Java e SOA, não é mais necessário mudar de plataforma para modernizar as aplicações legadas que rodam hoje nos mainframes. O investimento no conceito de SOA (aplicações como serviços), explorando a imensa base de aplicativos que suportam praticamente todos os processos de negócios de muitas empresas, como bancos e empresas públicas, destacará a potencialidade e valor dos sistemas dos mainframes.
Toda esta evolução significa que estes sistemas, que apareceram pela primeira vez há mais de 40 anos, continuam tendo um papel importante e as declarações de que o mainframe está morto, não refletem mais a realidade.
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