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Tecnologia

Cezar Taurion é gerente de Novas Tecnologias Aplicadas da IBM Brasil.

O papel da inovação nas estratégias competitivas

Muitas vezes as inovações ocorrem por uma questão de sobrevivência. O aparecimento de novas tecnologias, por exemplo, pode acabar de um momento para o outro com negócios já estabelecidos. Por Cézar Taurion

28 de agosto de 2006 - 18h55
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Recente pesquisa efetuada pela IBM, denominada CEO Study, com mais de 750 entrevistas, indicou que a maioria dos executivos (65%) pretende fazer mudanças significativas nos seus negócios nos próximos três anos.  As causas deste crescente processo de mudanças e inovação decorrem, entre outros fatores, da globalização (novos concorrentes com outros modelos de negócios e patamares de custo), além da rápida e contínua evolução da tecnologia.

Além disso, as crescentes pressões competitivas levam à necessidade de inovar, não apenas em produtos e serviços, mas principalmente em modelos de negócio. E mudar o modelo de negócio de uma empresa de uma indústria afeta a dinâmica de toda a indústria, gerando um efeito contínuo de inovação.

Mas, o que distingue uma empresa voltada para inovação? Em primeiro lugar, as mudanças nos conceitos e nas culturas internas. Por exemplo, a colaboração externa através do ecossistema é fundamental no processo de inovação. Esta aparece por meio de sugestão de funcionários, clientes e parceiros de negócio. Não é mais monopólio do setor de pesquisa e desenvolvimento.

Na indústria farmacêutica, por exemplo, esta rede de inovação externa é essencial. Hoje pequenos laboratórios de biotecnologia com apenas 3% do total dos gastos em P&D da indústria detêm 67% do total das drogas em testes clínicos! Claramente vemos que tentar fazer dentro de casa, mesmo que você seja um gigantesco conglomerado farmacêutico, já não é o mais adequado.

Não é fácil inovar, pois inovar significa mudar, quebrar o status quo. Muitas vezes as inovações ocorrem por uma questão de sobrevivência. O aparecimento de novas tecnologias pode acabar de um momento para o outro com negócios já estabelecidos. O aparecimento do MP3 e internet afetou radicalmente a cadeia de valor da indústria fonográfica. As câmeras digitais destruíram o valor dos filmes e câmaras analógicas e de sua indústria.

Interessante observar que neste processo de inovação, conceitos arraigados deixam de existir. Processos e competências consideradas fundamentais passam a ser feitas fora de casa. Um exemplo, a fabricação. Será que fabricar um produto é competência essencial da empresa? E logística? Não pode ser feita por alguém mais especializado e eficiente?

A pesquisa também mostrou que a integração entre tecnologia e os negócios é fundamental para inovação. As rápidas e dramáticas mudanças tecnológicas causam impacto significativo nos negócios. A tecnologia aumenta a velocidade e a amplitude das mudanças sociais. A tecnologia é a impulsionadora de inovações em praticamente todos os segmentos de indústria. Na automobilística, por exemplo, estima-se que nos próximos anos 90% das inovações nos automóveis virão de software e eletrônica embarcada nos veículos e não mais da mecânica pura.

E já detectamos um fenômeno que chamamos de Social Computing (estrutura social na qual a tecnologia dá poder a comunidades e não a instituições), que começa a afetar o mundo e a sociedade. Vejamos casos dos ataques terroristas em Londres, ano passado. O material usado pela BBC nas suas transmissões foi fornecido pelos cidadãos com fotos tiradas por seus celulares e enviados por e-mail. Um diretor da BBC já afirmou que a BBC estava deixando de ser broadcaster para ser facilitadora de noticias.

A criação de comunidades virtuais impulsionadas por sistemas como Orkut, Myspace e Linkedin também criam novas regras de comportamento e influenciam seus membros muito mais que as tradicionais campanhas publicitárias. O uso de mecanismos de busca e sites de pesquisas de preços que permitem avaliar produtos e comparar preços também mudam a balança do poder na relação consumidor-vendedor.

Enfim, inovação já começa fazer parte do DNA corporativo, não apenas para a empresa se manter competitiva, mas também por questão de sobrevivência.

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