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Cezar Taurion é gerente de Novas Tecnologias Aplicadas da IBM Brasil.

A TV morreu, viva a TV!

Com a internet e as tecnologias de IPTV cria-se um negócio totalmente diferente, compartilhando tempo e atenção do telespectador. Por Cezar Taurion.

06 de fevereiro de 2007 - 15h57
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Mudanças e transformações estão acontecendo em todos os setores. Agora começamos a ver a transformação de um negócio tradicional, que é a televisão como a conhecemos.  Seu modelo de negócios foi projetado para levar o mesmo programa a um milhão de pessoas. Este modelo de broadcast funciona muito bem na mídia de massa, mas é incapaz de levar um milhão de programas para cada pessoa...

Com a internet e as tecnologias de IPTV, este cenário muda. Cria-se um negócio totalmente diferente, baseado nos modelos da própria internet: mercados de nicho e personalizados. É claro que este novo modelo não vai eliminar a comunicação de massa, mas ambos vão conviver, compartilhando tempo e atenção do telespectador.

O resultado desta transformação será um desafio imenso para a indústria: com um conhecimento fantástico acumulado por dezenas de anos de sucesso com um mercado de massa, terá agora que descobrir e se posicionar em um novo negócio, com características muito diferenciadas. No mercado de nichos não existem campeões de audiência. A indústria está diante de uma demanda de inovações como nunca esteve antes.

O livro “The Long Tail”, de Chris Anderson, editor-chefe da Wired, aborda exatamente o mercado de nichos, antes negligenciado e que começa a se mostrar como uma força cultural e econômica que não pode ser ignorada. E está se tornando visível devido à internet e tecnologias como a IPTV.

Já estamos nos acostumando a pesquisar e assistir filmes e trechos de programas por meios não tradicionais, como o YouTube. Nele, resgatamos episódios de novelas e seriados da nossa adolescência. E já se delineia um novo negócio: nós começamos também a ser atores de novelas e de reality shows caseiros, gerando nossos próprios filmes e programas, ainda simples blogs, mas que se sofisticarão em poucos anos. As blognovelas já começam a aparecer aqui e ali.

Este fenômeno, muito bem apresentado no livro de Anderson, mostra que estamos caminhando para uma nova economia, baseada na abundância e gerada quando os gargalos que se interpõem entre a oferta e a demanda desaparecem, e tudo se torna disponível para todos.

Produzir um filme caseiro ou escrever um telejornal amador custa praticamente zero. Seu armazenamento, em bits, também tem custos ínfimos. E sua distribuição, por mecanismos como o YouTube, é gratuita. Assim, quando juntamos todas estas forças, temos a tempestade perfeita: uma transformação que vai afetar toda a dinâmica de uma indústria.

É uma mudança significativa. Na TV tradicional, temos poucos canais, as receitas vêem de propaganda e são concentradas nos horários nobres. Existem programas de grande sucesso (big hits) e seu valor é medido pelos níveis de audiência. No mundo digital, potencializado com a IPTV, não existirão restrições de canais. Não existirão limites para produção de conteúdo: toda a sociedade, em princípio, poderá gerar um. É um mundo onde os valores e os modelos serão totalmente diferentes. Uma pesquisa efetuada pela IBM entre executivos de redes de TV mundiais mostrou que duas das suas principais preocupações para os próximos anos são a concorrência dos atuais competidores (outras redes) e a competição futura com os portais de internet!

Hoje, temos de assistir ao programa no horário escolhido pela rede. Com o advento da IPTV e tecnologias como o DVR (Digital Video Recorder), acabamos com o componente tempo e podemos assistir ao programa quando quisermos. Também podemos eliminar as propagandas por completo. Podemos criar nossos próprios “canais virtuais”, selecionando de forma automática os programas que queremos assistir.

Estamos vivenciando os primeiros passos de uma mudança que vai acabar com a TV como nós a conhecemos. Existirão outros negócios chamados TVs, com outros modelos de indústria, convivendo com mercado de massa e de nicho. Um bom filme de ação pela frente. Emoções não faltarão!

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