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Cezar Taurion é gerente de Novas Tecnologias Aplicadas da IBM Brasil.

O real e atual mundo da Web 2.0

Web 2.0 é inevitável. A nova geração digital ao entrar no mercado de trabalho vai estar tão acostumada a estes conceitos que nem saberá trabalhar sem eles. Por Cezar Taurion

24 de outubro de 2007 - 23h51
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O tema Web 2.0 está bem aquecido no mercado, mas acredito que ainda não está bem compreendido. A Web 2.0 é uma evolução do paradigma Web 1.0, com seus sites estáticos e e-mails, e não pode e nem deve ser descrito pelas suas evoluções tecnológicas, mas pelos seus conceitos e atributos, estes sim, potencializados pelas tecnologias.

Para entender melhor as idéias básicas que fundamentam os conceitos da Web 2.0 vale repetir aqui algumas frases que descrevem muito bem estes conceitos. A primeira é de Thomas Power, guru do movimento de social networking e chairman da Ecademy que disse: “O valor está nas conexões”. Também o Forrester Research definiu muito bem o conceito de social computing: “É o local em que a tecnologia gera energia em comunidades, não instituições”.  

Creio que agora fique mais fácil listar alguns dos atributos que caracterizam a Web 2.0, como o referente ao usuário ser o responsável por gerar conteúdo (vejam Wikipedia e YouTube) e a existência de mecanismos de auto-organização – as comunidades de Open Source e o Wikipedia são exemplos, em que não existe anarquia, mas processos de governança que foram criados pelas próprias comunidades. Duas outras características que podemos listar são a intensa interação entre os pares da comunidade (Flickr ou Orkut), e o alto compartilhamento, transparência e colaboração - vide os projetos Open Source).

Mas porque as empresas devem prestar atenção à Web 2.0? Ao contrário do que muitos ainda pensam - que blogs, Orkut e YouTube são meras curiosidades que interessam apenas a crianças e adolescentes – estamos falando de claros sinais de mudanças nos comportamentos pessoais, que vão afetar de forma profunda as relações sociais e, conseqüentemente, as empresas. Estes sinais já estão por toda parte. Só não enxerga quem não quer ver.

Vejam estas pesquisas da KnowledgeStorm: “mais de 93%  dos compradores de tecnologia consideram a informação que ele obtém online como de maior (49%) ou igual (45%) valor ao conteúdo que recebem através de outros meios, como publicações ou eventos”. Ou esta: “55% dos compradores de tecnologia disseram que conteúdo de blogs já o influenciaram em suas decisões de compra”. E o que dizer desta: “57% dos compradores de tecnologia apontam os blogs como de igual ou maior credibilidade que os meios tradicionais de mídia, como publicações da indústria, white papers e mesmo relatórios de analistas”.  Mais claro impossível.

Portanto, estamos falando de algo muito mais profundo que curiosidades e brincadeiras tecnológicas de crianças e adolescentes. Que tal uma pergunta instigante? Em quanto tempo as empresas deixarão de ser as entidades que ditam preços, níveis de serviço e configurações de produtos em cima de clientes subservientes? Estes clientes cada vez mais informados e conectados exigirão uma conversação de mão dupla. Exigirão sugerir e colaborar na criação do produto ou serviço. A empresa está preparada para este choque cultural? Ouvi em um seminário uma frase que sintetiza muito bem este ponto: “sua companhia é uma empresa de dentro para fora em um mundo de fora para dentro”.

Quebrar a barreira do modelo em que a empresa é que determinava o que os clientes deveriam ter não é fácil, principalmente quando uma grande parcela dos seus executivos e gestores não são nascidos na geração digital, mas vieram do mundo analógico. Para muitos executivos estranhos ao mundo digital um blog corporativo ainda é uma ameaça, um risco. E wiki é uma palavra estranha que não tem espaço na organização.

A conclusão? Web 2.0 é inevitável. Não adianta lutar contra. Lembram-se do início da internet, quando muitas empresas não aceitavam que seus funcionários acessassem a web dos escritórios? E proibiam emails? Pois é. Impedir a entrada de blogs, wikis e social computing softwares será inútil. Vão entrar queiramos ou não. A nova geração digital ao entrar no mercado de trabalho vai estar tão acostumada a estes conceitos que nem saberá trabalhar sem eles.

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