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Cezar Taurion é gerente de Novas Tecnologias Aplicadas da IBM Brasil.

Web 2.0 em 2008: mais do que moda

Vamos começar a entender que Web 2.0 é mais que curiosidade e veremos algumas empresas colocando iniciativas deste tipo em seus orçamentos. Por Cezar Taurion

12 de fevereiro de 2008 - 13h14
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Outro dia estava almoçando com alguns amigos quando me perguntaram como eu via as perspectivas da Web 2.0 para 2008. O resultado foi que o almoço extrapolou em muito o tempo regulamentar.

Para começar, vimos que não havia nenhum consenso quanto a uma simples definição de o que é Web 2.0 Aliás, no ano passado participei de diversos eventos sobre o assunto e os seus enfoques eram bem diferentes: para uns Web 2.0 é apenas uma ferramenta de marketing, para estreitar relacionamentos com clientes.

Outros se concentravam nos temas tecnológicos, como aplicações mashup, Ajax e RSS. E ainda havia os adeptos do social computing e suas implicações sociais. Bem, na verdade Web 2.0 é tudo isso. Podemos resumir Web 2.0 como comunidade, colaboração e conteúdo!
 
E porque este tema está tão na moda? Está claro que estamos saindo da sociedade industrial e entrando a passos rápidos em uma nova sociedade, a sociedade do conhecimento, acarretando com isso mudanças significativas nos modelos econômicos, estilo de vida e trabalho. Um exemplo é a substituição das hierarquias organizacionais, típicas do modelo industrial por organizações horizontalizadas.

Outro exemplo é a flexibilidade do trabalho cada vez mais remoto e sem horários rígidos. Tem uma frase de Akio Morita, co-fundador da Sony que é emblemática deste novo modelo: “posso dizer a um operário que esteja na fábrica às 7 horas e seja produtivo. Mas será que posso dizer a um engenheiro ou pesquisador para ser criativo e ter uma boa idéia às 7 horas da manhã?”.

O que a Web 2.0 pode potencializar? Basicamente dois aspectos inerentes a nós, seres humanos: somos, por natureza, sociais e visuais.

As tecnologias de Social Computing vão transformar os conceitos de gestão do conhecimento hoje centrados em repositórios quase estáticos para algo mais intuitivo, com informação compartilhada dinâmicamente. Acredito que Knowledge Management vai deixar de ser um exercício acadêmico (muitos falam e poucos implementam na prática) para se tornar parte do mundo real, com as pessoas usando e trocando suas opiniões, experiências e conhecimentos. Estão aí para isso os blogs, os wikis, as tags, os podcasts, as redes sociais.

A criação de comunidades vai potencializar a clássica frase (vista em filmes que abordam o mundo do cinema, em Hollywood): “Não é o que você sabe que importa. É quem você conhece (It´s not what you know that matters, it´s who you know)”.

Explorando a potencialidade das redes sociais e das comunidades podemos acelerar e muito o ritmo de inovações. Para resolver um determinado problema apenas uma pequena parcela das pessoas que mais poderão contribuir para resolvê-lo trabalha diretamente para você ou para sua empresa. A criação de comunidades potencializa este imenso “caldo cultural” e sua inteligência coletiva.

Outro apelo da Web 2.0 é a potencialização dos aspectos visuais por meio das tecnologias da chamada Internet 3D e dos “virtual worlds”, como o Second Life e o World of Warcraft. Neste item incluo as aplicações mashup e suas possibilidade de entregar ao usuário não apenas textos, mas também vídeos, fotos e gráficos. Devemos citar também as “tag clouds” que condensam muitas palavras em poucas, mostrando as mais freqüentes em fontes maiores. E não podemos deixar de lado os mundos virtuais, com seu potencial de criar experiências interativas próximas do mundo real.

Muito bem, mas e 2008? Acredito que daremos alguns passos na direção certa. Em 2007 vi muita curiosidade e pouquíssima ação. Quantas empresas têm blogs oficiais? Quantos executivos acessam redes sociais? Quem usa wiki dentro da sua empresa?

Muitos executivos ainda acham que um blog é perda de tempo e risco de segurança. Second Life e YouTube são bobagens e redes sociais, como Orkut, são coisas de adolescentes, e que um executivo sênior não vai perder tempo acessando. A mudança é essencialmente cultural. Houve muita reação contrária aos primeiros filmes falados. E eles ainda estão aí!

Algumas previsões: vamos começar a entender que Web 2.0 é mais que curiosidade e veremos algumas empresas colocando iniciativas deste tipo em seus orçamentos. Aplicações mashup vão deixar de ser extraterrenas e muitas serão implementadas. São fáceis de serem construídas.

Veremos também vários executivos (incluindo aí presidentes e diretores) começando blogs corporativos, primeiramente internos, restritos aos funcionários, mas abrindo pouco a pouco ao mercado. E o termo Enterprise 2.0 começará a aparecer, como a versão empresarial da Web 2.0. Enfim, em dezembro de 2008 vamos checar quão perto cheguei.

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