Tecnologia
Cezar Taurion é diretor de novas tecnologias aplicadas da IBM Brasil
CIO como inovador
Quem realmente dá início às inovações nas empresas? Infelizmente, não são os CIOs e nem os CTOs.
Há algumas semanas conversei com um amigo, executivo de TI de uma empresa, sobre quem realmente inicia as inovações tecnológicas nas organizações. A conclusão que chegamos? Infelizmente não são os CIOs e nem os CTOs. São os funcionários individualmente. De maneira geral nós, como pessoas físicas, adotamos novas tecnologias e depois as levamos para dentro do trabalho.
Alguns exemplos? Os smartphones, como os Blackberrys e iPhones, começaram a serem usados por nós individualmente e agora as empresas estão começando a criar projetos piloto para usá-los internamente. Os primeiros web sites (lembram-se?) não começaram nas empresas, mas por pessoas fisicas. O mesmo aconteceu com mensagem instântanea, videos online, redes sociais e inúmeros outros exemplos. Há vinte anos atrás o mesmo ocorreu com os PCs... A maioria das empresas olhava estes bichos como “eletrodomésticos” mais sofisticados e só depois que se tornaram comuns nas residências é que as empresas começaram a adotá-los...
Por que isto acontece? Bem, são várias as razões, que vão desde a necessidade de manter o ambiente estável e seguro (uma nova tecnologia perturba a estabilidade e cria novos desafios de segurança) a um arcabouço mental e burocrático que bloqueia a aceitação de inovações. A áea de TI, para garantir segurança e estabilidade, precisa manter o controle do portfólio tecnológico e portanto cria regras e procedimentos que restringem experimentações inibindo as tentativas de inovação.
Por outro lado, fica claro que novas tecnologias podem gerar novas oportunidades de negócio. A entrada no mercado de trabalho da geração digital vai adicionar mais uma pressão pelo uso de tecnologias inovadoras. É uma geração acostumada a experimentar novas tecnologias que prefere um PlayStation a um PC e também que usa redes sociais, twitter entre outros.
A chegada de novos modelos computacionais como Cloud Computing e a disseminação crescente e rápida do Open Source e SaaS trazem novos desafios para as áreas de TI. Começa a ficar cada vez mais fácil para os usuários construirem uma aplicação Web: basta adquirir um servidor virtual em uma nuvem, pagando com cartão de crédito e usar aplicativos já prontos, como serviços, ou mesmo, desenvolver um aplicativo mashup em uma linguagem de fácil uso como PHP ou Python, tudo isso sem recorrer ao burocrático departamento de TI. Aliás, algumas estimativas do Gartner mostram dados curiosos: em 2013 apenas 40% dos envolvidos com desenvolvimento de código PHP serão desenvolvedores profissionais. A maioria, 60%, será de hobistas e desenvolvedores “amadores”.
A questão é como conciliar a necessidade de estabilidade e segurança do ambiente de TI da empresa com a demanda por inovações que vão gerar mais negócios?
Uma resposta é a a adoção de uma arquitetura de TI mais flexivel, aberta a inovações, baseada em SOA. A proposta será de criar uma arquitetura que disponibilize ferramentas que deixem o usuário criar e configurar suas próprias soluções, ao invés de ficarem esperando pelas soluções prontas geradas por TI. O uso de mashups, por exemplo, é um caminho nesta direção. Podemos imaginar em um novo modelo de pensar para TI.
Em vez de criar sistemas, prover meios para os usuários criarem suas próprias soluções. Em vez de determinar como os usuários devem usar as tecnologias, assegurar-se que elas são flexíveis o suficiente. Em vez de ser o inovador, ser o vetor que permite a inovação, criando mecanismos que incentivem isso. Um exemplo? Implementar proativamente uma nuvem computacional que permita aos desenvolvedores e usuários criarem novas soluções de forma rápida e barata. Antes que eles usem nuvens lá fora! TI não pescaria mais para os usuários, mas sim forneceria as varas e as iscas.
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