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Tecnologia

Cezar Taurion é diretor de novas tecnologias aplicadas da IBM Brasil

O Power Point

Sempre me questiono se os slides em PowerPoint são realmente a melhor forma de transmitir conhecimentos e ideias.

18 de janeiro de 2010 - 16h54
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Sempre me questiono se os slides em PowerPoint são realmente a melhor forma de transmitir conhecimentos e ideias. Seu uso está tão arraigado que praticamente não apresentamos nenhuma ideia se não tivermos um conjunto de slides desenhados em PP e exibidos em uma tela na parede. Algumas estimativas apontam que a sociedade gera e exibe trilhões de slides PPT a cada ano!

Por um lado, fazer slides em PP é muito fácil. Talvez esteja aí um dos problemas. Cai-se na tentação de fazermos slides que se tornam verdadeiras obras de arte, com bonitos efeitos visuais, mas sem conteúdo.

O nome original do PowerPoint era Presenter, que descreve exatamente para o que ele foi escrito: fazer apresentações. Não para dar aulas. É ótimo para uma apresentação de vendas, mas dificilmente gera uma boa aula. O fluxo de informações em uma apresentação PPT é one way, do apresentador para a audiência. Não existe espaço para interatividade.

Claro que muitas vezes esta linearidade é positiva como uma apresentação de vendas. Os objetivos destas apresentações são claras, mostrar uma ideia e persuadir a plateia de que ela é boa, sem deixar margem para questionamentos que atrapalham o ciclo de vendas. Mas, em aulas é terrível, pois não há interatividade. Uma aula em PPT dificilmente ajuda os estudantes a pensarem por si mesmos. Eles ouvem passivamente o que é falado e visualizado na tela.

O modelo de apresentação em PPT impõe a lógica e a organização de ideias do apresentador, que não necessariamente serão as mesmas dos alunos. Esta imposição é prejudicial ao processo de aprendizado. Não tenho dados científicos para comprovar minha intuição, mas assistir passivamente a uma aula em PPT deve gerar a mesma intensidade elétrica no cérebro que a gerada quando assistimos a um programa banal na TV.

Também por ser fácil, temos outro problema do mau uso PPT: excesso de slides. É fácil ceder a tentação de fazer mais uma figura, colocar mais textos explicativos. Aliás, muitas vezes estes textos estão lá principalmente para ajudar o palestrante e não para a plateia lê-los. Alguém que vê durante uma hora e meia uma apresentação com dezenas de slides cheios de figuras que se movem  e com muitos textos dificilmente conseguirá absorver seu conteúdo. Temos uma capacidade limitada de absorver informações e se excedermos esta capacidade o excesso será apenas ruído.

Outro mau uso é o excessivo número de bullets ou frases curtas que pretendem passar as ideias principais. Um case interessante foi a investigação feita pela agência espacial norte-americana NASA do acidente que vitimou um ônibus espacial. A investigação apontou como um dos culpados a apresentação em PPT feita pelos especialistas da NASA para descrever a situação e definir os procedimentos de emergência. O excesso de bullets aninhados acabou fazendo com que as causas principais não fossem devidamente destacadas e identificadas, e a tragédia acabou acontecendo.

E um do piores vícios das apresentações em PPT é o apresentador ler o texto dos slides. Ou ele não domina o assunto e está lendo para não ficar em um silêncio incômodo ou ele acredita que a plateia é constituída de analfabetos que não sabem ler. Jogo de cores inadequadas é outro erro comum. Às vezes vemos combinações que parecem fruto de daltonismo, porque as cores não combinam umas com as outras.

Enfim, mostrar muitos slides não vai transformar uma má apresentação em boa e não vai transformar um mau apresentador em um bom apresentador. O PPT é auxiliar da palestra e não o seu cerne. As ideias e a organização da apresentação é que fazem com que a palestra seja boa ou ruim. E, para aulas, ainda tenho muitas desconfianças se o PPT não deveria ser limitado ao mínimo necessário...

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