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TV digital: padrão americano abre mercados ao Brasil

Embaixador David Gross declara que os EUA estão interessados em comprar equipamentos produzidos no Brasil com o padrão ATSC. Segundo ele, disposição não é vista para os padrões europeu ou japonês.

Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD

17 de março de 2006 - 16h11
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Caso o Brasil optar pelo padrão norte-americano (ATSC) de TV digital e impulsionar a fabricação local de equipamentos, terá grandes oportunidades de exportar para os Estados Unidos e para os demais países que optaram por esta especificação, como Canadá e México. Isso foi o que afirmou nesta sexta-feira (17/03) o embaixador David Gross, do Escritório de Assuntos Econômicos e Comerciais dos Estados Unidos em uma videoconferência realizada com jornalistas brasileiros.

O embaixador enfatizou que quase a totalidade dos televisores comercializados nos Estados Unidos são importados, o que abre espaço para os países fabricantes de equipamentos compatíveis. "Essa é a chance de ganhar mercado. Temos um interesse particular de importar a partir do Brasil", aponta. "Caso o Brasil optar por qualquer outro dos padrões, não poderá exportar e terá que se contentar com o limitado mercado local". Gross declarou que uma lei aprovada recentemente nos Estados Unidos atesta que todas as transmissões de televisão terão padrão ATSC até 2009, enquanto que, a partir do ano que vem, os aparelhos de TV à venda no País precisarão ter especificações para este padrão.

Duas empresas já manifestaram interesse em investir no Brasil caso o País opte pelo padrão ATSC, segundo o embaixador. Entre elas estão a Harris Corporation, fabricante de eletrônicos norte-americana, e a LG Electronics. "Essas empresas têm um compromisso firme em investir igual ou até maior do que os outros grupos".

A respeito de investimentos para a criação de uma fábrica de semicondutores no País propriamente, entretanto, o embaixador foi discreto, mas não deixou de alfinetar os grupos adversários. "Tratam-se de iniciativas que devem ser tomadas por parte do setor privado, mas acredito que o padrão ATSC pode ser fundamental para incentivar os investimentos em virtude da abertura de mercado que pode proporcionar. Além disso, nas correspondências às quais tenho tido acesso entre os padrões europeu e japonês com o governo brasileiro, tenho visto propostas vazias para semicondutores". 

O embaixador não quis detalhar qual o andamento das conversas com o governo brasileiro, mas informou que o grupo norte-americano tem estado disponível para esclarecimentos. Gross também negou que os integrantes do padrão ATSC estejam mais distantes das negociações do que os dos padrões japonês e europeu."Vai vencer o grupo que fizer a melhor oferta para a população brasileira e não que fizer mais reuniões com o governo".

Questionado sobre a linha de financiamento para o padrão norte-americano, orçado em 250 milhões de dólares, Gross descartou qualquer ampliação, mesmo diante da oferta de 400 milhões de euros do grupo europeu. "A diferença está porque o padrão ATSC é mais barato por natureza. Até 2008 temos o objetivo nos Estados Unidos a baixar o preço do conversor para TV digital para 50 dólares. A queda de preço também poderá ser vista no Brasil".

Queda de braço

A data para o governo brasileiro divulgar a decisão sobre o padrão de TV digital estava marcada para o último dia 10 de março, embora já tenha circulado na mídia informações de que o grupo japonês teria vencido a disputa.

Na ocasião, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, declarou que os ministros que integram o Comitê de Desenvolvimento do Sistema Brasileiro de Televisão Digital decidiram ainda, em reunião na Casa Civil, pedir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva "um pequeno prazo para concluir os entendimentos finais sobre questões vinculadas à TV digital".

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