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Telecom

Convergência na vida real

Lucent e Alcatel juntam forças para conseguir atender mercados de telefonia fixa e móvel e brigar em pé de igualdade com a agressividade das fabricantes asiáticas.

Por Ana Paula Oliveira

02 de maio de 2006 - 18h07
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Depois de muita negociação, a Alcatel e Lucent chegaram a um acordo e, no início de abril, anunciaram a fusão de suas operações. Com faturamento na casa dos 25 bilhões de dólares (21 bilhões de euros) no fim de 2005, a união das duas empresas confirma a estratégia reinante no setor -  a convergência já está na porta da frente esperando para entrar em cena. Os mais rápidos a entender a mensagem sairão na frente.

Conforme os termos do acordo, os acionistas da Lucent receberão 0,1952 de uma ADS (American Depositary Share) referente às ações ordinárias da Alcatel para cada ação da Lucent que eles possuírem. Depois da fusão, os acionistas da Alcatel receberão em torno de 60% da nova empresa, enquanto os acionistas da Lucent receberão 40%. A sede ficará em Paris e será comandada por Patrícia Russo, CEO da Lucent.

A nova empresa, ainda sem nome definido, terá forte presença em todos os continentes. Cerca de metade das vendas da Alcatel em 2005 foram realizadas na Europa, enquanto dois terços do que foi comercializado pela Lucent  teve como destino principal a América do Norte. Juntas, elas possuem 35% do mercado na Europa, 34% na América do Norte e 31% no resto do mundo.

Na visão de vários analistas, a lógica dessa parceria é certeira. “Enquanto a Alcatel é muito forte em telefonia fixa e banda larga, a Lucent cobre muito bem as redes wireless, os sistemas de terceira geração e a oferta de WiMAX”, pontua Brendan Conroy, analista de telecom sênior da consultoria IDC.

Além disso, o movimento também mostra a preocupação das fornecedoras tradicionais do setor com a voracidade de fabricantes asiáticas como ZTE e Huawei, que estão entrando com força total em outras regiões do globo.

“Empresas como a ZTE e a Huawei são famosas por sua política de preços agressiva. Agora que estão juntas, Alcatel e Lucent conseguem ter uma sinergia de custos na área de serviços e, principalmente ganhos de escala na produção de equipamentos, o que pode resultar em mais competitividade”, avalia Kristin Crispin, analista de tecnologias de informação e comunicações da Frost & Sullivan Brasil.

Em mercados como o Brasil, por exemplo, a união das empresas cobrirá todo o mercado de telefonia móvel, sem nenhuma exceção. A Lucent já é a maior fornecedora de infra-estrutura para a Vivo, enquanto a Alcatel, por sua vez, tem a TIM, Claro, Oi, Brasil Telecom GSM e até a própria Vivo (na área de rádio) em sua carteira. Ou seja, a base móvel está fechada. Na telefonia fixa a situação não é diferente.

Diante desse cenário, a concorrência precisará de muita agilidade para segurar a força das duas empresas. A Cisco, uma das mais agressivas na política de parcerias e aquisições até agora não dá sinais de intimidação. Em comunicado enviado à imprensa, a empresa “acredita que está no lugar certo e na hora certa para se beneficiar dessa transformação no mercado, que só vem validar a arquitetura de redes IP da companhia”.

Nokia e Motorola são marcas fortes, principalmente na área de consumo, com a venda de celulares. A Ericsson, por sua vez, é tradicional na Europa e se fortaleceu com a aquisição da Marconi. A Siemens decidiu focar esforços apenas em infra-estrutura, mas conta ainda com excelentes clientes em seu portfólio. Analistas concordam que a Nortel é uma das que mais pode ser prejudicada com essa união. A saída seria uma parceria com uma das asiáticas ou até mesmo, na análise da Infonetics, com a Siemens, criando uma “gigante na área de voz sobre IP”. Simulações a parte, é clara a sensação de que já chegamos, na prática, à tão esperada era da convergência. Agora é só esperar para ver quais serão os próximos movimentos nesse intrincado tabuleiro de xadrez.

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