Telecom
Redes Mesh tornam-se peça-chave da mobilidade
Criada como um novo recurso de comunicação para as tropas do exército norte-americano, a rede Mesh chega ao mercado como peça-chave na expansão das redes sem fio.
Por Ana Paula Oliveira, do Computerworld
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Um dos poucos consensos mundiais da atualidade é de que o advento de novas tecnologias serve principalmente para melhorar as condições do dia-a-dia de milhares de pessoas ao redor do globo. Apesar da finalidade louvável, essa não é, na maioria das vezes, o objetivo principal para a criação de novas soluções. Esse foi o caso da internet, cujo primeiro esboço foi desenvolvido pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos durante a Guerra Fria (décadas de 60, 70 e meados de 80) para evitar o vazamento de informações estratégicas armazenadas em seus servidores.
Seguindo o mesmo exemplo, na década de 90, a Darpa (Defense Advanced Projects Agency), agência de pesquisas das forças armadas dos Estados Unidos, começou a estudar uma tecnologia para facilitar a comunicação no campo de batalha, eliminando a necessidade de um ponto central de rede, de forma que todos os elementos das tropas (helicópteros, tanques, além dos próprios soldados) pudessem trocar informações diretamente, em tempo real e lógico, sem a necessidade de fios. É assim que surge o conceito das redes Mesh – do termo malha, em inglês – que de uma simples pesquisa passou ao uso prático durante a ainda inacabada Guerra do Iraque.
Deixando de lado o uso questionável da tecnologia, na prática, as redes Mesh já chegaram ao mercado prometendo revolucionar as comunicações wireless. A principal razão é que essas redes usam uma topologia de conexões redundantes entre os nós, criando uma malha capaz de se autoconfigurar e auto-reinstalar. Ou seja, em caso de queda de um ponto qualquer, a comunicação é assumida pelos outros nós de forma automática.
Essa capacidade de comunicação por múltiplos nós acaba criando rotas alternativas automáticas, evitando pontos de congestionamento na rede e obstáculos de linha de visada.
Além disso, em uma rede Mesh pura, cada dispositivo, incluindo notebooks, PDAs e smartphones, pode enviar tráfego diretamente para outro. Tudo isso, somado às características de uma rede sem fio, como banda larga, suporte IP fim a fim, transmissão de voz, dados e vídeo, recursos para posicionamento geográfico sem a utilização de GPS e suporte para dispositivos em mobilidade total, em velocidades de até 400 Km por hora.
Até agora, essa configuração se mostrou extremamente atrativa para a integração em banda larga de municípios, coordenada por prefeituras, universidades com campus em extensas áreas abertas, empresas de pesquisa e desenvolvimento e pólos petroquímicos e de exploração marítima.
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