Telecom
Operadoras de celular devem depor em CPI
Presidente da CPI do Tráfico de Armas vai colher depoimento das operadoras sobre bloqueio de celulares nas regiões dos presídios. Anatel isenta teles de responsabilidade sobre o assunto.
Por COMPUTERWORLD*
Integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Armas deverão se reunir ainda nesta semana com a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Ellen Gracie, para discutir a formação de uma "força-tarefa judiciária" com o objetivo de enfrentar o crime organizado.
A informação é do deputado Moroni Torgan (PFL-CE), que preside a Comissão e acrescentou que na maioria das vezes o juiz designado para atuar nesses casos é amedrontado e perseguido pelos "comandantes do crime, o que prejudica as ações".
Torgan disse ainda que a Comissão pretende tomar depoimentos de responsáveis pelas operadoras de telefonia celular, a fim de verificar se existe alguma forma de bloquear as faixas nas áreas dos presídios. Na opinião dele, não adianta bloquear algumas faixas de ondas e deixar outras, porque os líderes do crime organizado encontram as faixas livres para comandar ataques e o tráfico dentro dos presídios.
A segunda-feira (15/05) foi de grande debate sobre a responsabilidade de bloquear os telefones celulares na área dos presídios, em meio a onda de ataques de violência que assolou o Estado de São Paulo e algumas outras regiões do País. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) divulgou uma nota informando que a Norma de Uso de Bloqueador de Sinais de Radiocomunicações, existe desde setembro de 2002, e estabelece as condições de uso dos bloqueadores destinados a restringir o acesso em estabelecimento penitenciário. Ao mesmo tempo, ressaltou que “a aquisição e instalação de sistemas bloqueadores não são de competência da Agência, nem das prestadoras de serviço móvel”.
No último final de semana, tanto o secretário de Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, quanto o secretário de Segurança Pública do Estado, Saulo de Castro, atribuíram às operadoras a responsabilidade sobre o bloqueio de sinal. O diretor do Deic, Godofredo Bittencourt, chegou inclusive a dizer que os celulares são mais perigosos do que as armas nos presídios.
A divulgação da nota da Anatel veio após uma reunião entre representantes das operadoras Tim, Vivo e Claro, e da Associação Nacional das Operadoras de Telefonia Celular (Acel) com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Em reunião conduzida na capital paulista, as partes chegaram a uma conclusão sobre como evitar a comunicação nos presídios, mas não forneceram detalhes à imprensa.
A maior parte dos sistemas de bloqueio do uso de celulares em presídios e casas de detenção do País está obsoleta, informou o Departamento Penitenciário Nacional (Depen). Segundo um levantamento do órgão, os Estados que adotam bloqueadores de celular são Espírito Santo (uma penitenciária), Rio de Janeiro (cinco penitenciárias), São Paulo (oito penitenciárias) e Bahia.
Celulares congestionados
Com as informações desencontradas sobre ataques, cresceu também o tráfego de chamadas das redes móveis, o que chegou a causar congestionamento das linhas. A ocorrência foi registrada pelas operadoras Vivo e Tim no final da tarde de segunda-feira.
Ainda em relação à comunicação sobre os ataques realizados pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), em São Paulo, a Polícia Militar informou que a internet foi a responsável pelo pânico que se alastrou em São Paulo na segunda-feira. De acordo com o coronel da Polícia Militar de São Paulo, Eliseu Eclair Teixeira Borges, e-mails falsos e comunidades online, como o Orkut, foram responsáveis pelo pânico entre a população paulistana.


