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Exclusivo: CIO da Fifa detalha desafios de TI da Copa

Michael Kelly ressalta a importância dos parceiros de tecnologia para o sucesso da área durante o evento.

Por Alexandre Scaglia, do COMPUTERWORLD*

08 de junho de 2006 - 14h30
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Um mês. Esse foi o tempo disponível para que o time de tecnologia da Fifa preparasse aquela que é, provavelmente, uma das mais críticas redes de voz e dados já montadas. “Nesse tempo tivemos de colocar para funcionar uma infra-estrutura tão completa quanto a de uma companhia da lista Fortune 500”, resume Michael Kelly, CIO da Fifa.

Segundo o executivo, que falou com exclusividade ao COMPUTERWORLD em Munique, Alemanha, diante desse cenário é fundamental contar com o apoio dos parceiros. “Nosso patrocinadores de tecnologia – Avaya, Deustch Telekom, Toshiba e Yahoo –, bem como pelo menos mais outros 10 fornecedores contratados pontualmente, foram cruciais para o projeto”, conta Kelly, que também faz questão de destacar a importância dos voluntários alemães na operação de toda a infra-estrutura. “Somos uma equipe de mais de mil pessoas em TI e creio que pelo menos 50% sejam pessoas comuns, com alguma experiência em tecnologia.”

A infra-estrutura montada pela equipe comandada por Kelly é gigantesca (veja mais números aqui). Além dos 12 estádios da Copa, a rede sob responsabilidade da Avaya integra 12 hotéis oficiais da Fifa, os principais centros de imprensa e diversas outras localidades, onde estão disponíveis redes sem fio (nos estádios, os fotógrafos poderão enviar fotos para seus respectivos veículos diretamente do gramado), redes cabeadas e telefonia IP. Estimativas da Fifa apontam que durante os 32 dias da copa do mundo serão produzidos e trafegados cerca de 15 terabytes de dados, o equivalente a 100 milhões de livros.

“A parte mais complexa desse projeto é construir tal estrutura em tão pouco tempo e com a garantia de segurança e máxima disponibilidade”, diz Kelly. Além das informações jornalísticas e administrativas da Fifa, a rede será utilizada para todo o processo de credenciamento, autorização de trânsito pelas áreas sob responsabilidade de entidade e controle de ingressos. “O time de segurança trabalha há dois anos no planejamento e definição de requerimentos para o ambiente”, garante o executivo.

Apesar de todo o cuidado, são esperados diversos ataques de denial of service logo no primeiro dia da Copa, o que já acontecem em 2002 e em 2005, durante da Copa das Confederações. “Nós trabalhamos em silêncio, sem fazer alarde de nossos progressos. Mas nunca foi necessário fazer um report de falhas na rede”, declara Kelly. “Espero que continue assim.”

O que justifica a confiança do CIO, além das milhares de horas investidas em testes, é uma grande estrutura de redundância. “Há equipamentos sendo transportados de um lado para o outro o tempo todo e muitas pessoas estarão circulando por perto das áreas de tecnologia nos estádios. Logo, devemos estar sempre preparados para alguém desconectar um cabo por acidente. E estamos”, garante.

Para Kelly, a mais clara lição tirada do projeto é a importância de uma boa comunicação entre a equipe. “Oferecer as melhores condições de trabalho a todos, mesmo em uma iniciativa com tão pouco tempo para execução, também é crucial”, destaca.

Contrariando uma das regras de ouro da tecnologia – “não mexa em um aplicação que está funcionando” –, o time de TI da Fifa terá de desconectar diversos pontos da rede durante a Copa, à medida que os jogos programados para cada estádio acabem. “Em Liepzig, por exemplo, teremos apenas 3 dias para desmontar toda a infra-estrutura”, conta.

Americano, Kelly não hesita um segundo quando questionado sobre para qual time irá torcer nesta Copa. “Eu não gosto de dar da resposta óbvia, mas eu simplesmente adoro ver o Brasil jogar”, diz, antes de sair apressado para verificar se tudo continua funcionando perfeitamente a menos de 24 horas do jogo de estréia.

A Copa em números
12 estádios
64 jogos
3,1 milhões de ingressos com RFID
99,999% de disponibilidade de rede
4,5 mil telefones IP
40 mil equipamentos IP em toda a infra-estrutura
656 pontos de acesso sem fio
38 switches core de dados
+1000 switches convergentes de borda
15 TB de dados e voz
+1000 pessoas de TI diretamente envolvidas na operação

Opinião do Leitor
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