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RFID: Etiqueta inteligente conquista território do código de barras
Criada para identificar aviões em guerra, identificação por radiofreqüência busca escala e padronização para ganhar território.
Por Daniela Braun, do IDG Now!
Originada na década de 30 como uma aplicação militar para distinguir os aviões aliados dos inimigos, a tecnologia de identificação por radiofreqüência, ou RFID (Radio Frequency Identification) promete conquistar os mais diversos territórios industriais oferecendo controle preciso, agilidade e, conseqüente redução de custos em todo o processo produtivo.
De acordo com um levantamento da Wide Research e do site Using RFID.com divulgado em julho, as aplicações de RFID registraram 2 mil cases em prática em 76 países, o que já representava o dobro de aplicações em 18 meses.
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A evolução tecnológica e os esforços de grupos industriais geraram uma tecnologia capaz de gravar uma seqüência numérica de 96 bits - em breve, 128 bits - em um chip dez vezes menor do que uma formiga. A dimensão atual permite que o componente seja inserido em etiquetas aplicadas a uma infinidade de produtos, dando origem ao termo ‘etiqueta inteligente’.
Na mira de setores como o varejista, automotivo, siderúrgico, agrícola, farmacêutico e fabril, o microscópico chip de RFID conta com uma antena interna, que se comunica via radiofreqüência com um determinado leitor ao atingir seu raio de alcance.
Por meio de um software, as informações coletadas pelos leitores são transmitidas, em tempo real, a um banco de dados, que por sua vez pode transmitir as informações daquele chip, em tempo real, de um chão de fábrica ao departamento de contas a pagar, por exemplo.
Produtos com RG
O conceito utilizado em campos de batalha foi resgatado quando a indústria decidiu repensar a identificação de produtos por códigos de barras.
“O sistema de código de barras é bom, mas exige mão-de-obra e está sujeito a falhas como registros incorretos que atrapalham a reposição de estoque e a previsão de vendas”, lembra Cláudio Czapski, superintendente da Associação ECR (Efficient Consumer Response) Brasil.
Conforme explica Czapski, o código de barras atual tem 13 números. Os três primeiros se referem ao país de origem do produto, os quatro seguintes ao fornecedor, e os seis seguintes à identificação do produto.
Com apenas seis caracteres restantes, qual seria diferença entre classificar se uma Havaiana é azul ou vermelha? Para o consumidor, nenhuma. Para o varejista, toda a estratégia de reposição de estoque. E se a lógica é aplicada a um carregamento contrabandeado do medicamento Viagra, ao desmanche de um automóvel roubado ou a uma remessa de aves contaminadas, a diferença é ainda maior.
“Se cada pacote de frango tem um RG próprio, é possível rastrear toda a cadeia de produção em tempo real e cortar o fornecimento de um carregamento específico, que estiver contaminado, não de toda a remessa”, mostra Czapski. “Com uma identidade única também é possível gravar que um pacote de pilhas produzido em Manaus deveria ser despachado para o Carrefour, em Salvador (BA)”, acrescenta o representante da ECR.
Somente na área de saúde, em aplicações como acompanhamento remoto de pacientes, controle de medicamentos em hospitais e captação de dados para estudos clínicos, o potencial de investimentos em RFID deve crescer dos 9,7 bilhões de dólares atuais para mais de 14,8 bilhões de dólares em três anos, revela um estudo divulgado pela consultoria IDC em setembro.
Vislumbrando exemplos como os citados acima, no final da década de 90, o grupo de grandes empresas que estudava o substituto do código de barras gerou duas entidades: a Auto-ID Center, que se preocupava com a gestão do novo sistema de identificação, e outro grupo liderado pelo Massachussets Institute of Technology (MIT), responsável pelas tecnologias de suporte ao RFID.
“Os trabalhos resultaram em variadas aplicações potenciais, diversos fornecedores de chips, leitores e softwares com padrões tecnológicos diferentes”, conta Czapski. Para direcionar as soluções foi criada a GS1, que tem trabalhado na padronização e nos avanços do RFID pela indústria atualmente.
Reação em cadeia
A pressão feita pela rede varejista Wal-Mart nos Estados Unidos, é um exemplo clássico de que o RFID depende de organização e escala para trazer resultados.
Em 2001, a rede uniu-se ao Auto-ID Center e abraçou a idéia de implantar a identificação por radiofreqüência para reduzir custos. Até janeiro de 2005, a rede determinou que 100 fornecedores, no Estado do Texas, teriam de se adaptar para entregar produtos em caixas com etiquetas inteligentes a 500 lojas, ou procurar outro cliente.
A pressão mostrou-se eficiente. Segundo um estudo feito em setembro do ano passado pela Universidade de Arkansas, o Wal-Mart conseguiu reduzir em 16% a ausência de produtos em estoque. Um ano depois, a rede anunciou que ampliará o uso do RFID a mais 500 de suas 3.900 lojas nos Estados Unidos até 31 de janeiro de 2007, incluindo 300 novos fornecedores.
A experiência do Wal-Mart serviu como base para um teste feito em fevereiro de 2005 pelas empresas Pão de Açúcar, Gillette, Procter & Gamble e Chep (fornecedora de paletes). O piloto verificou o desempenho de etiquetas, antenas e software de leitura em cerca de mil paletes dos fornecedores envolvidos, levados ao Centro de Distribuição do Pão de Açúcar.
Segundo Eduardo Santos, consultor da Accenture e coordenador do projeto, embora devam ser feitos ajustes na padronização de banco de dados e sistemas corporativos para receber os dados coletados no processo, o teste mostrou que a adoção da tecnologia “faz muito sentido em categorias de maior valor agregado”.
A cadeia de eletroeletrônicos norte-americana, BestBuy entendeu o recado. “Eles iniciaram o projeto há mais de um ano e, no início de 2007, seus maiores fornecedores terão de adotar RFID”, conta Santos.
Sonho de consumo
Os exemplos e testes práticos mostram que o RFID ainda deve levar algum tempo para chegar ao arroz com feijão.
“Embora o valor de um chip de RFID já tenha caído de 20 dólares para 20 centavos de dólar, em pouco mais de três anos, a inclusão de um chip em um item da cesta básica, hoje, elimina o ganho do varejista”, lembra Czapski, da ECR. “A adoção acontecerá a partir dos grandes volumes migrando gradativamente para as lojas.”
Outros entraves para o avanço do RFID, que estão nas mãos da GS1, segundo a ECR, envolvem os custos de armazenamento dos dados coletados pela tecnologia, a integração com os sistemas e processos da empresa que deseja adotar a tecnologia e ainda acertos no sistema de leitura, que tem apresentado uma média de erro de 3%.
“A onda de radiofreqüência não atravessa paredes e, nos líquidos, sofre refração, o mesmo acontece com o nosso sinal de RFID, o que pode gerar problemas”, explica Czapski.
Em algumas áreas além do varejo, o RFID parece não ter enfrentado obstáculos. Atualmente, a tecnologia está na rota de 500 mil motoristas do eixo Rio - São Paulo por meio dos produtos de pedágio eletrônico - Sem Parar e Via Fácil - oferecidos desde 2000 pela Tag System.
Portanto, passar pelo caixa de um supermercado sem tirar as compras do carrinho, deixar que a máquina de lavar identifique o melhor ciclo para uma peça de roupa ou ainda que sua geladeira tome a iniciativa de fazer a lista de compras ainda serão sonhos de consumo por pelo menos dez anos, segundo os especialistas.


