Publicidade

Telecom

TIM: façam suas apostas

Ao reposicionar seu foco em banda larga e mídia, o grupo precisará de muito fôlego financeiro. Uma das alternativas é obter o aval do governo italiano para vender sua operação móvel.

Por COMPUTERWORLD

25 de outubro de 2006 - 12h20
página 1 de 1

O grupo Telecom Itália deixou claro o interesse em vender suas operações de telefonia móvel no Brasil a ponto de anunciar que arrecadaria entre 7 bilhões e 9 bilhões de euros com a venda da TIM. Ninguém dúvida de que a segunda maior operadora móvel do País é um bom negócio.

Não só pelo fato de ter mais de 22 milhões de clientes movéis, mas principalmente porque tem a maior receita média por usuário (30 reais) e a menor concentração de usuários pré-pagos (79,8%) quando comparado com suas rivais Vivo e Claro. Mas, afinal, diante deste cenário tão positivo, por que o grupo italiano pode querer se desafazer de uma subsidiária que apresenta os melhores indicadores financeiros do setor?

O motivo vai além das fronteiras. A Telecom Itália resolveu apostar na oferta IPTV e desfazer das operações móveis do grupo. O anúncio soa estranho já que a maioria das empresas do setor aposta na convergência da telefonia móvel e fixa com a oferta de conteúdo integrada. "A integração fixo-móvel pode gerar valor às empresas de telecomunicações, mas está difícil fazer isso na Itália de forma amena", conta um analista italiano de telecomunicações que prefere não ser identificado.

Ele explica que o governo italiano impõe certas barreiras para impedir o subsídio cruzado no setor, o que dificulta as ações do grupo. "Para se ter uma idéia, o governo italiano demora até seis meses para aprovar um serviço diferenciado do grupo. Não há possibilidade de aprovar um serviço convergente que integre as duas operações porque a concorrência vai denunciar a liderança do grupo como uma ação de monopólio", esclarece.

A Telecom Itália detém 40% dos clientes móveis e mais de 80% das linhas fixas na Itália. Detalhe: é o único grupo de origem italiana do setor de telecomunicações. Esse fato, aliás, foi um dos motivos que resultou na renúncia do chairman do grupo, Marco Tronchetti Provera, que sinalizou a participação de grupos estrangeiros como a News Corp, do empresário de mídia Rupert Murdoch, na reestruturação das operações de telefonia móvel e fixa.

A especulação foi suficiente para reforçar o clima tenso entre o primeiro-ministro, Romano Prodi, e o ex-presidente do maior grupo de telecomunicações do país, que foi substituído por Guido Rossi uma semana após o anúncio do plano de reestruturação. Rossi já gerenciou a companhia na época da privatização e é considerado um executivo ideal para superar momentos tensos de reestruturação no mercado italiano.

A missão de Rossi, no primeiro momento, será dividir as operações fixas e móveis, além de criar a área de mídia. A reestruturação já começou: depois de anunciar um acordo para a oferta de filmes via banda larga com a 20th Century Fox, a Telecom Itália adquiriu os negócios de acesso à internet da Time Warner, tornando-se a segunda maior provedora de banda larga da Alemanha. A idéia é explorar a oferta de distribuição de conteúdo por meio da banda larga.

"Mais de 13 milhões de famílias italianas têm acesso de banda larga via Telecom Itália. Não há regulamentação que impeça a oferta de conteúdo via banda larga por aqui. Ou seja, a convergência do IPTV representa uma alternativa bastante interessante, mas exige capital intensivo. Por isso, o grupo resolveu vender as operações móveis em busca de caixa para o novo negócio", revela o consultor italiano. A Telecom Itália mantém o anúncio oficial de que não pretende vender as operações da TIM. Mas a divisão dos negócios já sinaliza venda, pelo menos, da área móvel no futuro.

O grupo garante que a operadora continuará nas mãos de italianos, mas não descarta a participação de grupos estrangeiros. Essa fatia, aliás, poderá ser a moeda de troca no plano da empresa para apostar na área de mídia. Prova disso é a hipótese de Murdoch investir na Telecom Itália.

Venda TIM no Brasil

A venda da TIM Brasil e da operação móvel na Itália ainda contribuiriam para reduzir a dívida do grupo, avaliada em 41,3 bilhões de euros, o que melhoraria os indicadores financeiros da empresa. O que não falta são especulações sobre os principais interessados pela TIM no Brasil. A Telefônica já negou o interesse pela operação, afirmando que o foco é adquirir os 50% da Vivo que estão sob o controle da sócia Portugal Telecom. Mas os boatos continuam porque a TIM, além de cobrir as lacunas de cobertura da Vivo, tem uma rede baseada totalmente em GSM, bem ao gosto dos espanhóis.

Por outro lado, relatório da Merrill Lynch aponta que a Vivo será beneficiada pela venda da TIM, caso o negócio resulte em um player a menos no mercado. Este cenário só é possível se a América Móvil ou uma das controladoras das demais operadoras móveis do Brasil resolver pagar o preço estipulado pelos italianos. Há quem diga que a gigante celular Vodafone pode enxergar agora a oportunidade que procurou no passado para ingressar no mercado brasileiro e manter o ambiente competitivo entre os três todo-poderosos da telefonia móvel (TIM, Claro e Vivo).

Jean Pierre Cote-Gil, analista do Standard &Poors, diz que qualquer hipótese é mera especulação já que a compra da TIM por um dos concorrentes no País implicaria na sobreposição de licenças e na concentração de mercado. "Não houve nenhum caso na área de telecomunicações que resultasse numa participação acima de 40%. É difícil prever uma transação inédita no País aprovada pelo Cade", alerta Cote -Gil. Enquanto a TIM tem 24% do mercado, a Claro, tem 22% e a Vivo lidera com 30%. Ele ainda acrescenta que mesmo que houvesse essa aprovação, a concorrência seria menor, mas jamais deixaria de ser um ambiente competitivo. "Essas empresas têm se posicionado para competir no mercado. Vale lembrar também que leva tempo para integrar as operações caso haja esta consolidação no setor", ressalta.

Diante dessas barreiras regulatórias, muitos analistas acreditam que o interesse da América Móvil deve ser abortado no meio do caminho já que o Cade poderia barrar a transação. Neste cenário, outro potencial comprador da TIM no Brasil seria a Portugal Telecom, já que a Telefónica deixou clara a intenção de adquirir os 50% dos portugueses na Vivo. Assim, o ambiente competitivo apenas mudaria os controladores dos todo-poderosos da telefonia móvel: a Vivo passaria para as mãos dos espanhóis, a TIM para dos portugueses e a Claro continuaria com os mexicanos.

O consultor italiano ainda revela que a estratégia de vender a TIM do Brasil fica cada vez mais forte diante do foco da Telecom Itália em investir em banda larga e mídia e avisa: " a venda da TIM não deverá aguardar o fim de reeestruturação do grupo italiano e pode ser acontecer assim que aparecer um bom comprador". Ele só não revela se já há proposta comercial que poderá resultar em venda da TIM Brasil antes de expirar o prazo dado pela Anatel para que a operadora resolva o impasse de sobreposição de licenças na área de longa distância com a BrTGSM. 

(Por Ceila Santos, especial para o Computerworld)

O que está a venda no Brasil:
- mais de 22 milhões de clientes móveis
- 24% de market share nacional
-30 reais de receita média por usuário contra 24 reais da concorrência
-79,8% de concentração de pré-pago

O que a Telecom Itália quer com a venda da TIM:
- gerar caixa para investir agressivamente no setor de conteúdo
- oferecer conteúdo (IPTV) para toda sua base de clientes de banda larga
- reduzir a dívida de 41 bilhões de euros
- focar o negócio na convergência IPTV
-diminuir as dificuldades regulatórias do governo italiano

Opinião do Leitor
Não há comentários para essa notícia
Publicidade
Publicidade
As mais lidas
60 melhores empresas de TI e Telecom para trabalhar

A elite do RH de TI e Telecom no Brasil

Computerworld e Instituto GPTW apresentam as Melhores Empresas de TI e Telecom para Trabalhar 2009.

Veja o Especial

Confira o ranking:

  1. Chemtech
  2. Kaizen
  3. Microsoft
  4. Cisco do Brasil
  5. Google Brasil
Veja o ranking completo com as 60 empresas

SLIDE SHOWS

Publicidade
coluna tv
Newsletters
Assine a Computerworld