Telecom
BNDES: recursos oferecidos às telcos geraram R$ 30 bi ao mercado nacional
Os 18 bilhões de reais em recursos oferecidos às operadoras foram “compensados” por compras de fornecedores nacionais, diz BNDES.
Por IDG Now!
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Desde 1999, com a efetivação do processo de privatização das empresas de telecomunicações do país, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinou ao setor 18 bilhões de reais. Esse desembolso levou a uma contrapartida de cerca de 30 bilhões de reais gastos pelas empresas na compra de bens e serviços em empresas nacionais.
A informação é do chefe do Departamento de Telecomunicações do BNDES, Alan Fischler. Ao justificar o alto volume de investimentos destinados ao setor, Fischler garantiu à Agência Brasil que o montante desembolsado para as empresas de telecomunicações é “proporcional” à contrapartida do setor, que se compromete a investir em bens e serviços comprados de empresas brasileiras.
“As empresas de telecomunicações investem muito e o que a gente faz é desembolsar um percentual desses investimentos - que nós classificamos de financiáveis - que são exatamente os investimentos comprometidos com a aquisição de equipamentos e serviços nacionais”.
O executivo do BNDES ressalta o fato de o percentual da contrapartida ter variado ao longo dos últimos oito anos. “Em média, os 18 bilhões de reais que nós destinamos ao setor de 1999 para cá, representaram 60% do total do que as empresas investiram em equipamentos e serviços nacionais. Isto significa que as empresas, como contrapartida, desembolsaram 30 milhões de reais que foram utilizados na compra de equipamentos e serviços nacionais”.
No caso especifico da Telemar, para quem o BNDES anunciou a aprovação de desembolsos de 2,4 bilhões de reais a serem liberados em três parcelas até 2008, o grupo deverá entrar com uma contrapartida de investimentos de 6,7 bilhões de reais para o triênio.
“Neste caso especifico, o BNDES liberou desde 1988 o grupo 6 bilhões de reais , mas os investimentos feitos pelas empresas ligadas ao grupo no período totalizaram 28 bilhões de reais”.
Alan Fischler lembra que por serem empresas multinacionais, em sua maioria, é comum a concessão de financiamentos que trazem embutidos contrapartidas e compromissos de aquisições de equipamentos e serviços junto a empresas ligadas ao país concedente do crédito. Segundo ele, a idéia que está por traz disso é que a maioria dos fornecedores dos softwares adotados pelas empresas de telecomunicações são multinacionais, que também trazem ofertas de financiamentos embutidos, normalmente pelos bancos dos países de origem.
“O que o BNDES faz é vincula o seu financiamento a aquisição de equipamentos e serviços nacionais e, desta forma, estimular a que as empresas de telefonia adquiram produtos fabricados no Brasil. Isto gera emprego e renda, uma vez que a indústria eletrônica envolve uma cadeia de fornecedores muito grande”.
Mesmo admitindo o fato de que a universalização dos serviços de telefonia, no caso específico do Grupo Telemar, é uma questão fixada contratualmente por ocasião das privatizações das empresas do setor, o chefe do departamento de Telecomunicações do BNDES acredita que a aprovação desses desembolsos pelos bancos leva a que as empresas tenham “mais apetite” para se endividar.
“Pode-se dizer que, se não fosse o financiamento do BNDES, eventualmente essas empresas teriam restringido um pouco mais os seus investimentos, embora as metas de universalização sejam metas contratuais e que teriam, ou terão, que serem cumpridas normalmente. O grande mérito da nossa intervenção foi o de capitalizar para que grande parte destes investimentos viesse para a industria nacional”.
Fischler lembrou que no período anterior ao das privatizações dos setores existiam no Brasil um número muito reduzido de telefones celulares e mesmo os telefones fixos não passavam de 10 a 15 milhões. “ Hoje existem no Brasil cerca de 40 milhões de linhas fixas e o número de telefones celulares passa dos 100 milhões de celulares – houve, portanto, um aumento expressivo”.
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