Telecom
Tendências 2007: o que esperar em telecom
A chegada do mundo 100% IP aliada ao boom das redes móveis e a entrada das teles em áreas fora de seu escopo desenham o cenário na área de comunicações para o próximo ano.
Por Ana Paula Oliveira, do COMPUTERWORLD
O ritmo de transformação das tecnologias nunca foi tão acelerado quanto nas últimas duas décadas. E na área de comunicações, essa velocidade vem sendo muitas vezes superior ao resto do mercado. A privatização do setor de telecomunicações, a chegada da internet e a expansão acelerada da telefonia móvel ajudaram a traçar um cenário ainda mais agressivo nos últimos anos.
Estimativas da consultoria britânica Ovum revelam que as receitas mundiais das operadoras fixas e móveis devem totalizar 1,4 trilhão de dólares em 2006. E ao que tudo indica essa evolução só tende a ganhar mais força. O destino? Um cenário em que a convergência não será mais uma conversa de engenheiros, mas estará funcionado de forma transparente, no suporte ao nosso dia-a-dia.
1 – 3G pra que te quero...
Toda a expectativa frustrada com a implantação da terceira geração na Europa serviu para atrasar a adesão da nova tecnologia em mercados emergentes, como o Brasil, que ainda contam com um número muito grande de usuários que podem ser bem atendidos com a oferta existente tanto nas redes GSM quanto CDMA. Mesmo assim, o cronograma avançou e a licitação das freqüências para a oferta de 3G tem tudo para acontecer em 2007.
Como a Vivo supostamente resolveu seu problema de cobertura com a construção de uma rede GSM, resta saber quais serão as operadoras interessadas em comprar as licenças. A TIM, que antes rebatia qualquer alusão ao leilão, hoje já se mostra mais flexível. De qualquer forma, vale acompanhar esse tema com atenção no ano que vem.
2 – Redes móveis: supremacia do WiMax e os avanços do Mesh
Essa é a tendência mais unânime em todo o mercado: dez entre dez analistas de mercado apontam as redes móveis como um dos maiores destinos de investimentos em telecomunicações em 2007. E o WiMax continua firme com a maior fatia desse bolo. Dados da Infonetics revelam que as receitas com equipamentos baseados na tecnologia devem atingir 3,3 bilhões de dólares em 2009. Grande parte dessa verba, ao que tudo indica deve vir dos mercados emergentes.
Para Elia San Miguel, analista principal do Gartner na área de telecomunicações, isso deve ser visto com força no Brasil. “Entre 2007 e 2008 o País será um dos mercados mundiais com altos investimentos em WiMax como forma de suprir a demanda por cobertura em grandes regiões com custos atraentes”, prevê.
Os dados da Infonetics confirmam essa força, revelando que a América Latina deve responder por 14% dos investimentos mundiais em WiMax até 2009. Outros investimentos em redes sem fio como Wi-Fi, por exemplo, também devem continuar em ritmo ascendente.
O único obstáculo para que esse cenário realmente se concretize no Brasil é o imbróglio ainda não resolvido pela Anatel e pelo TCU (Tribunal de Contas da União) sobre a participação ou não das teles no leilão de freqüências para o WiMax. Se a velocidade para a decisão de questões complicadas continuar a mesma, o mercado ainda terá de esperar algum tempo antes de ver o WiMax funcionando de forma regulamentada, num ambiente competitivo de verdade.


