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Telecom

Vivo: qual dos sócios vai levar?

Atrito entre Portugal Telecom e Telefônica se agravou depois da oferta hostil do grupo Sonae, que contou com apoio do grupo espanhol. Rumores indicam que só sobrará um controlador, mas mercado tem dúvidas.

Por Taís Fuoco, do COMPUTERWORLD

20 de março de 2007 - 17h15
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O conselho de administração do grupo Portugal Telecom se reúne amanhã em seu país de origem. Não se sabe se o assunto Vivo estará na pauta, mas é fato que algo deve acontecer com a operadora de telefonia brasileira da qual o grupo português controla 50%.

Muitas dúvidas, no entanto, ainda pairam na cabeça dos analistas: Qual dos sócios vai ficar com a companhia? Qual será a estratégia da PT para manter o crescimento se sair da Vivo? Os planos de internacionalização da Telefônica em todo o mundo fazem sentido com a Vivo?

O analista Eduardo Roche, do Banco Modal, acredita que "alguma coisa vai acontecer", já que os conflitos entre as duas sócias - cujo relacionamento já não era dos melhores - se agravaram depois que a Telefônica decidiu votar a favor da mudança no estatuto da Portugal Telecom.

A proposta de mudança, entretanto, não foi aprovada na assembléia e aí foi a vez da Portugal Telecom fazer críticas públicas à postura da Telefônica, além de declarar que ela seria a compradora natural da metade da Vivo que ainda não lhe pertence.

O jornal Expresso, de Portugal, noticiou no final de semana passado que as duas companhias começaram a conversar, o que todo o mercado entende que seja o início do processo para que uma das duas saia da operadora brasileira.

Nenhuma declaração oficial das duas companhias até agora foi divulgada. Roche pondera que "não há motivo para a Portugal Telecom sair do Brasil", país importante não só nas receitas do grupo português, como na estratégia de futuro. "Na Europa não há mais alternativa para crescer", lembra.

Luis Minoru, diretor geral do Yankee Group, lembra, entretanto, que muito já se falou sobre a venda de metade do capital da Vivo, mas nada de concreto até agora aconteceu. "As informações estão um pouco desencontradas", avalia.

Ele também questiona: "O que levou a Telefônica a votar a favor da mudança nos estatutos da PT?" Segundo ele, por trás da atitude poderia estar algo diferente do que a concordância com a oferta hostil da Sonae pelas ações da Portugal Telecom. 

O fato, na opinião de Minoru, é que o grupo Telefônica deve fazer alguma aquisição. A companhia espanhola já negociou a compra de participação minoritária da Olimpia, que controla a Telecom Italia, mas não concretizou o negócio. Como fez aquisições na Inglaterra e na República Checa, a companhia espanhola parece ter planos ousados de internacionalização.

Além disso, a companhia espanhola estaria com as finanças bastante comprometidas com as recentes aquisições para assumir novas, pondera Minoru.

Ambos os analistas concordam em um ponto: caso a PT concorde em vender sua parte na Vivo, deverá atrelar a operação à compra de um novo ativo no País, em vista da importância do Brasil em suas estratégia. Brasil Telecom e Telemar poderiam ser alvos, mas a questão é a que preço.

Para a Vivo, a possibilidade de ter um único dono também parece positiva para os dois executivos, já que desta forma a companhia não ficaria à mercê dos desentendimentos entre os sócios. Caso a compradora seja a Telefônica, a Vivo poderá, inclusive, aproveitar a convergência entre telefonia fixa e móvel, como algumas de suas rivais já fazem.

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