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Analistas dizem que disputa de controle não afeta a Vivo

Recentes desentendimentos entre a PT e a Telefônica, segundo analistas, não afetam desempenho da operadora de telefonia móvel, controlada por ambas.

Por COMPUTERWORLD

16 de abril de 2007 - 12h05
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Os freqüentes desentendimentos entre a Portugal Telecom (PT) e a espanhola Telefônica tem afetado o desempenho da Vivo. De acordo com a agência de notícias Lusa, a crise entre a PT e a Telefónica, desencadeada pelo apoio dos espanhóis à Oferta Pública de Aquisição (OPA) da Sonaecom sobre o grupo português, segue nesta segunda-feira (16/04) sem desfecho aparente, quando são cumpridos dez anos da assinatura de um acordo de colaboração entre PT e Telefónica.

Ainda segundo a agência portuguesa, o presidente da PT, Henrique Granadeiro, admitiu recentemente que ambas têm mantido conversações sobre o Brasil, onde controlam a Vivo, e que estão analisando a parceria estratégica assinada em 16 de abril de 1997, que tinha como objetivo a atuação conjunta em processo de expansão internacional e no desenvolvimento da qualidade do serviço a seus clientes.

Se o interesse dos espanhóis em controlar a Vivo ficou comprovado com o apoio dado à Sonae na OPA, a determinação da PT em permanecer no Brasil tem sido apregoada pela administração da empresa lusa.

A Lusa diz que com o fim da parceria "ibérica" à vista, restará saber quem ficará à frente da gestão da Vivo e quais benefícios terá quem dela aceitar sair.

Um dos fatores que contribuiu para que as divergências entre os dois controladores não afetassem a gestão da Vivo foi o fato de a operadora ser presidida por um brasileiro, o executivo Roberto Lima. O analista do Banif Investment no Brasil, Roger Oey, disse à agência Lusa que o fato de ele ser brasileiro, e não um português ou um espanhol, como ocorreu no passado, traz maior equilíbrio para a gestão da Vivo
Segundo ele, o notório desconforto entre Portugal Telecom e Telefónica, com os desentendimentos atingindo um ponto mais elevado, não se refletiu no balanço da Vivo, que até melhorou recentemente.

Já para o analista do Banco Modal Eduardo Roche, a sociedade na Vivo ficou "insustentável", principalmente após o apoio dado pela Telefónica à OPA da Sonae sobre a Portugal Telecom, frustrada recentemente.

Roche diz que o que se viu é que não houve uma contaminação da administração da Vivo por esses desentendimentos, mesmo sabendo que uma possível solução seja o controle único por um dos acionistas.

A avaliação baseia-se no fato de que, no ano passado, durante o período da OPA da Sonae sobre a PT, a Vivo implementou diversos projetos importantes para seu futuro.

Entre eles está a reorganização societária - aprovada em assembléias de acionistas - que unificou 14 operadoras listadas em Bolsa na holding Vivo Participações.

Outro projeto foi a implantação da rede de transmissão GSM em um prazo recorde. O sistema da Vivo já possuiu 300 mil clientes e cobertura em duas mil cidades, e funcionará paralelamente à antiga rede CDMA. Resultado de investimentos de cerca de 1 bilhão de reais, a nova rede permitirá à operadora oferecer celulares mais baratos, a exemplo de suas principais concorrentes no mercado.

A reorganização societária, a rede GSM e a integração das diversas operadoras na mesma base tecnológica devem garantir mais competitividade à Vivo e podem interromper a sucessiva perda de cota de mercado por parte da empresa nos últimos meses.

Antes de assumir o comando da Vivo, Lima presidiu a Credicard, então controlada pelos bancos Unibanco, Itaú e Citibank.

Conforme informações da Lusa, os analistas acreditam também que o controle único pela Telefónica permitiria uma maior convergência entre as operações móveis e fixas do grupo espanhol no Brasil, a exemplo do que já ocorre com outras concorrentes da Vivo.

Oey, por exemplo, disse à agência que a Telefónica tem mais interesse em ficar com a Vivo porque já tem uma operação fixa muito lucrativa, além da possibilidade de obter créditos fiscais em uma eventual fusão entre as operadoras móvel e fixa.

Eduardo Roche acredita, por sua vez, que "faz todo o sentido" a PT vender a Vivo para a Telefónica e adquirir um outro ativo do setor de telecomunicações no Brasil.

O analista do Banco Modal diz que não consigue ver um futuro para a PT fora de Portugal e da Europa - que já tem um mercado muito maduro - que não seja no Brasil, principalmente pela facilidade do idioma.

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