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Brasil corre contra o tempo para implantar TV Digital

Presidente do Fórum Nacional de TV Digital e diretor de tecnologia do SBT, Roberto Franco, comenta as polêmicas entre as definições do novo modelo de televisão e dá prévias de como vai ficar o cenário a partir do início das transmissões.

Por Luiza Dalmazo, do COMPUTERWORLD

21 de maio de 2007 - 07h05
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As normas de TV Digital definidas pelo Fórum Nacional estão sob análise do Conselho de Desenvolvimento – grupo composto de representantes de diversos ministérios. Enquanto isso, as discussões e disputas de interesses continuam em andamento, conforme conta o presidente do Fórum, Roberto Franco. Tranqüilo de que tem feito um bom trabalho a frente do grupo, o executivo nega que o governo esteja privilegiado as radiodifusoras e que tenha deixado temas sem ser debatidos, conforme crítica das operadoras.

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COMPUTERWORLD - O que o Fórum Nacional tem feito enquanto o governo não dá o parecer sobre a primeira versão das normas de TV Digital?
ROBERTO FRANCO - Enquanto o Conselho de Desenvolvimento não faz as considerações, estamos discutindo outras questões, como os hoyalties de propriedade intelectual, continuamos a rever as normas propostas, entre outras questões.

CW - O que diz cada norma definida?
FRANCO -
Isso é muito longo, não dá pra falar resumidamente. O mais importante é que tudo o que definimos está dentro dos preceitos descritos no decreto governamental. Trazemos requisitos funcionais e hoje podemos dizer que temos o sistema de TV Digital mais evoluído da modernidade, já que incrementamos o modelo japonês.

CW - Você foi a favor do padrão japonês?
FRANCO - Nosso padrão não é japonês. É a base japonesa com melhorias. O modelo do Japão foi criado há 10 anos. Nós inserimos melhorias e fizemos adaptações, como a utilização do MPGE 4, por exemplo.

CW - Essa é a evolução mais importante?
FRANCO - Na verdade o middleware é o mais importante e mais amplo, porque fica numa parte muito sensível. É essencial na nossa proposta. Ele torna a alma do padrão brasileira, além de também usar uma linguagem criada no Brasil, o NCL. É um ineditismo, como também é o H264. Mas existem vários detalhes em que foram feitas adaptações. Várias características têm requisitos regionais, atualizamos e inserimos o que há de melhor, inovações realmente inéditas. O middleware é uma contribuição enorme da inovação brasileira, com chance de ter expansão internacional. Nós aproveitamos a vantagem de partir do ponto de onde os outros países partiram. Aprendemos com as experiências dos outros, vimos que demandas não estavam sendo atendidas e adaptamos. Propusemos uma solução mais eficiente. Hoje não existe ninguém capaz de competir com o Brasil em qualidade técnica. A base do sistema, portanto, é japonesa, mas a camada de enriquecimento é nova e nossa.

CW - Já que você está dizendo isso, é verdade que existe a possibilidade de criar um sistema nipo-brasileiro de TV Digital?
FRANCO - A essência do padrão ISDB é japonês, registrado no ITU (International Telecommunication Union), inclusive. Só que ao invés de ter um sistema japonês e outro brasileiro, a intenção é harmonizar o padrão deles com as nossas inovações fazendo com que fique apto a adoções de outros países. A idéia é ter um padrão único enriquecido, que resulte em um sistema mais atrativo. Os japoneses não só aceitaram as nossas contribuições ao sistema quanto endossaram a capacidade do Brasil de consolidar o padrão. E os aperfeiçoamentos são eternos. Imagine que qualquer sistema é evolutivo e dinâmico. O Brasil também vai buscar inovações, então tem que ter um intercâmbio de pesquisa e consenso dos dois lados. É preciso entender o que é diferente e compatibilizar, ver o que vai introduzir e atender aos dois lados. Isso facilita a adoção em outros países, além de ganhar com economia de escala, com maior número de fabricantes, aumento da competitividade e poder de escolha ao consumidor.

CW - Qual é o maior inimigo brasileiro para implementação da TV Digital?
FRANCO - O tempo. Sem dúvida é o que mais atrapalha. Veja só que em cinco meses nós concluímos as normas. Nos outros países ninguém fez isso em menos de quatro anos. Claro que estávamos estudando por mais tempo, mas mesmo assim. As normas brasileiras são aderentes à implementação, ao anseio do governo. O Fórum não quer ditar modelo, apenas propõe especificações técnicas e atende do ponto de vista técnico o decreto presidencial. O nosso modelo inclusive atende a qualquer padrão passível de ser praticado no mundo. A única definição é a das radiodifusoras abertas, que está 100% amparado. A tecnologia é tão ampla que permitiu chegarmos aonde a imaginação estava. Eu até ouvi em eventos fora do Brasil que o nosso padrão é o mais atual. As pessoas admitem – é como se tivesse um carro modelo 2006 e aí chega um 2007 mais inovador – não dá pra dizer que o novo não é melhor. Isso é mérito nosso, porque podíamos ter feito e adotado o que foi feito há 10 anos. Mas seria um problema e um erro. Porque já existem avanços para melhorar esse sistema. Então começaríamos defasados. O próprio sistema europeu vai passar por uma atualização em 2009. O único que está mais estável é o japonês e mesmo assim podia ser melhorado. Foi o que fizemos.

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